Assinale a oração adversativa que estabelece uma relação de real oposição entre os segmentos.
AO inferno existe, mas não funciona.
BDeus fez tudo de nada. Mas o nada transparece.
CTemos a religião precisa para odiar, mas não suficiente para amarmos uns aos outros.
DDeus dá riqueza até mesmo para homens maus, mas para poucos dá a excelência.
EO bobo se acha um sábio, mas o sábio se acha um bobo.
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GabaritoE — O bobo se acha um sábio, mas o sábio se acha um bobo.
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Oposição real entre segmentos com "mas"
Gabarito: letra E. A oração adversativa em que o "mas" estabelece uma oposição direta e real entre os dois segmentos é a alternativa E, que contrapõe a autopercepção do bobo (acha-se sábio) à do sábio (acha-se bobo). Nas demais, o "mas" introduz correção, limitação ou adição, não uma oposição genuína.
Análise do comando
A questão pede a oração adversativa que estabelece "real oposição" entre os segmentos. Nem todo "mas" é igual: ele pode expressar oposição franca (antítese), correção (substituição de uma ideia), limitação (restringe a primeira) ou simples adição contrastiva. A banca quer aquele em que a segunda ideia confronta diretamente a primeira, sem atenuação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"O inferno existe, mas não funciona."
Aqui o "mas" corrige a expectativa criada pela primeira oração: se existe, deveria funcionar. A relação é de correção, não de oposição real. A segunda oração nega a funcionalidade, mas não se contrapõe à existência; apenas a limita. ❌ Incorreta — não há oposição real, e sim correção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Deus fez tudo de nada. Mas o nada transparece."
O "mas" adiciona uma ideia paradoxal, quase explicativa. A segunda oração não se opõe à primeira; apenas revela uma consequência inesperada. A oposição é tênue, mais de adição que de confronto. ❌ Incorreta — relação de adição paradoxal, não de oposição real.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Temos a religião precisa para odiar, mas não suficiente para amarmos uns aos outros."
O "mas" aqui atua como limitação: a primeira oração afirma que temos religião para odiar; a segunda restringe essa afirmação ao dizer que ela não basta para amar. Não há oposição direta, e sim uma ressalva que limita o alcance. ❌ Incorreta — relação de limitação, não de oposição real.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Deus dá riqueza até mesmo para homens maus, mas para poucos dá a excelência."
O "mas" estabelece um contraste de quantidade (muitos × poucos), mas não uma oposição entre as ideias. A primeira oração fala de riqueza, a segunda de excelência; são temas diferentes, e o "mas" apenas as justapõe. ❌ Incorreta — contraste temático, não oposição real.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O bobo se acha um sábio, mas o sábio se acha um bobo."
Aqui as duas orações se opõem frontalmente: a primeira afirma que o bobo se considera sábio; a segunda afirma que o sábio se considera bobo. É uma antítese clássica: cada sujeito tem a percepção oposta da sua condição real. O "mas" conecta duas ideias que se contradizem de modo direto, sem correção ou limitação. ✅ Correta — oposição real e inequívoca.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa a capacidade de distinguir os diferentes valores semânticos da conjunção "mas". Muitos candidatos marcam qualquer alternativa que contenha "mas", sem perceber que apenas em E há oposição real (antítese). Nas demais, o "mas" expressa correção (A), adição paradoxal (B), limitação (C) ou contraste temático (D).
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar "mas", pergunte-se: a segunda oração nega diretamente a primeira? Se sim, há oposição real. Se apenas restringe, corrige ou acrescenta, não é oposição real.