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Questão de Estatística — Medidas de Posição - Tendência Central (Media, Mediana e Moda) — FGV 2024

EstatísticaMedidas de Posição - Tendência Central (Media, Mediana e Moda)
Código
fg097969
Banca
FGV
Órgão
TJ-AP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Apoio Especializado - Estatístico
Segundo o ditado, “se alguém está com a cabeça no gelo e os pés no forno, não se pode dizer que está bem”.Para que a conclusão seja que a pessoa está bem, deve-se aferir a temperatura da pessoa na cabeça (gelo), nos pés (forno) e também nas axilas (fora do gelo e do forno), pelo seguinte estimador:
  1. Amédia aritmética;
  2. Bmédia geométrica;
  3. Cmédia harmônica;
  4. Dmediana;
  5. Emoda.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — mediana;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Medidas de tendência central: por que a mediana resiste a valores extremos

Gabarito: letra D (mediana). O ditado ilustra que a média aritmética é fortemente influenciada por valores extremos — a cabeça no gelo e os pés no forno puxariam a média para um valor intermediário que não representa bem a pessoa. A mediana, por ser o valor central que divide o conjunto ao meio, ignora a magnitude dos extremos e, por isso, é o estimador adequado para concluir que a pessoa está bem. Essa é a propriedade de resistência da mediana a outliers, que a torna preferível à média em distribuições assimétricas.

A questão cobra o conceito de medidas de tendência central e, especificamente, a diferença entre elas quanto à sensibilidade a valores extremos. A média aritmética é calculada somando todos os valores e dividindo pelo número de observações; por isso, um valor muito alto ou muito baixo desloca a média na direção dele. A mediana, por sua vez, é o valor que ocupa a posição central após ordenar os dados — com número ímpar de observações, é o termo do meio; com número par, é a média dos dois termos centrais. A moda é simplesmente o valor que mais se repete, sem considerar a ordem ou a magnitude.

A pegadinha da banca está em associar o ditado a uma média, que é a medida mais intuitiva e mais usada no dia a dia. Mas o ditado justamente critica essa intuição: se você calcular a média entre a temperatura da cabeça (gelo) e a dos pés (forno), obterá um valor "morno" que não corresponde a nenhuma parte do corpo e não indica bem-estar. A mediana, ao ignorar os extremos, refletiria a temperatura das axilas — o valor central que representa a pessoa como um todo.

Medida de Tendência Central

Cálculo

Sensibilidade a Extremos

Resultado no Ditado (0 °C, 100 °C, 37 °C)

Adequada?

Média Aritmética

Soma ÷ nº de valores

Alta — puxada por extremos

(0 + 100 + 37) ÷ 3 ≈ 45,7 °C

❌ Não

Média Geométrica

Raiz n-ésima do produto

Alta — tende a zero com valor próximo de zero

∛(0 × 100 × 37) = 0 °C

❌ Não

Média Harmônica

Inverso da média dos inversos

Muito alta — ainda mais sensível a valores pequenos

3 ÷ (1/0 + 1/100 + 1/37) → indefinida/0

❌ Não

Mediana

Valor central após ordenar

Nenhuma — ignora magnitude dos extremos

Ordenando: 0, 37, 100 → 37 °C (axilas)

✅ Sim

Moda

Valor mais frequente

Nenhuma — mas exige repetição

Sem repetição (0, 37, 100) → inexistente

❌ Não

Alternativa A — ❌ Incorreta

A média aritmética é a soma dos valores dividida pela quantidade. Ela é influenciada por valores extremos: se a cabeça está a 0 °C e os pés a 100 °C, a média seria 50 °C, um valor que não representa a temperatura corporal real. O ditado mostra exatamente esse problema — a média "esconde" os extremos, dando uma falsa impressão de normalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A média geométrica é a raiz n-ésima do produto dos valores. Ela também é afetada por valores extremos, embora de forma menos intensa que a aritmética. No caso do ditado, com um valor próximo de zero (gelo), a média geométrica tenderia a zero, o que não representaria bem-estar. Além disso, ela é mais adequada para dados com variação multiplicativa, não para temperaturas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A média harmônica é o inverso da média aritmética dos inversos. Ela é ainda mais sensível a valores pequenos: com um valor próximo de zero, a média harmônica se aproxima de zero. No contexto do ditado, ela não resolveria o problema dos extremos e, na prática, é usada para taxas e razões, não para temperaturas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A mediana é o valor central de um conjunto ordenado. Ela não é afetada pela magnitude dos valores extremos, apenas pela posição. No ditado, a mediana entre as temperaturas da cabeça (gelo), dos pés (forno) e das axilas (temperatura normal) seria a temperatura das axilas — o valor que representa o bem-estar da pessoa. Essa é a propriedade de resistência da mediana a outliers, que a torna a medida mais adequada quando há valores extremos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A moda é o valor que mais se repete. No contexto do ditado, não há repetição de temperaturas — cada parte do corpo tem uma temperatura diferente. A moda não considera a ordem nem a magnitude, apenas a frequência, e não é adequada para dados contínuos como temperatura, onde cada valor tende a ser único.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a intuição de que "média" é a medida mais comum e, por isso, o candidato tende a marcá-la. Mas o ditado é justamente uma crítica à média: ela é enganosa quando há valores extremos. A mediana, por ser resistente a outliers, é a resposta correta. Lembre-se: em distribuições assimétricas ou com valores extremos, a mediana é a medida de tendência central mais adequada.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a medida correta em questões com valores extremos, pergunte-se: "a medida é influenciada pela magnitude dos valores?" Se sim, é a média (aritmética, geométrica ou harmônica). Se não, é a mediana ou a moda. A moda só é útil para dados categóricos ou com repetição. Na dúvida, a mediana é a escolha segura quando há outliers.

Gabarito: letra D

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