Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2024
- Código
- fg098900
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
- Aleve;
- Bmoderada;
- Cgrave;
- Dmuito grave;
- Egravíssima.
GabaritoB — moderada;
Gabarito: letra B. O quadro descrito — dor torácica, febre, tosse, dispneia, SatO₂ 86%, infiltrado em dois lobos pulmonares e melhora com transfusão — configura uma síndrome torácica aguda (STA) de gravidade moderada, pois, embora seja uma complicação grave da anemia falciforme, não preenche critérios de gravidade extrema como insuficiência respiratória franca, necessidade de ventilação mecânica ou disfunção de múltiplos órgãos. A classificação de gravidade da STA baseia-se na extensão do comprometimento pulmonar, no grau de hipoxemia e na resposta ao suporte transfusional.
A síndrome torácica aguda é uma das complicações agudas mais temidas da anemia falciforme, definida pela tríade: dor torácica, febre e infiltrado pulmonar novo ao exame de imagem, acompanhada de sintomas respiratórios como tosse e dispneia. É uma causa importante de morbimortalidade, sendo a principal causa de óbito em pacientes adultos com doença falciforme. A fisiopatologia envolve vaso-oclusão pulmonar por hemácias falcizadas, infecção, infarto pulmonar e lesão de isquemia-reperfusão, levando a um ciclo de inflamação e hipóxia que agrava a falcização.
A gravidade da STA é avaliada por critérios clínicos e laboratoriais. O comprometimento de dois lobos pulmonares indica extensão moderada da doença. A saturação de O₂ de 86% demonstra hipoxemia significativa, mas que respondeu bem à transfusão de concentrado de hemácias — a melhora clínica após a transfusão é um marcador prognóstico favorável. A classificação em "moderada" reflete um quadro que exige internação e tratamento agressivo, mas que não atingiu o extremo da gravidade, como a necessidade de suporte ventilatório invasivo ou a presença de choque.
A transfusão de hemácias é um pilar do tratamento da STA, com o objetivo de melhorar a oxigenação tecidual e reduzir a proporção de hemácias falcizadas. A resposta favorável à transfusão, como no caso descrito, indica que o quadro, embora grave, é manejável com medidas de suporte. A classificação de gravidade é crucial para guiar a intensidade do tratamento: quadros leves podem ser manejados com analgesia e oxigenioterapia, enquanto quadros graves ou muito graves exigem transfusão de troca, suporte ventilatório e, em casos extremos, terapia intensiva.
A distinção entre os graus de gravidade é essencial para a conduta clínica. Um quadro leve apresentaria hipoxemia discreta (SatO₂ > 92%), comprometimento de um lobo e boa resposta ao suporte inicial. Um quadro grave cursaria com hipoxemia refratária (SatO₂ < 90% apesar de oxigenioterapia), comprometimento multilobar extenso ou necessidade de ventilação mecânica. O quadro muito grave ou gravíssimo envolveria disfunção de múltiplos órgãos, instabilidade hemodinâmica ou necessidade de suporte avançado de vida. No caso apresentado, a hipoxemia de 86% e o comprometimento de dois lobos, com melhora após transfusão, situam o quadro no espectro moderado.
A pegadinha desta questão está em classificar a STA como "grave" ou "muito grave" apenas pela presença de hipoxemia e comprometimento multilobar, sem considerar a resposta ao tratamento. A melhora com transfusão é um dado crucial que indica gravidade moderada, pois demonstra que o quadro é reversível com medidas de suporte. A banca explora a tendência do candidato a superestimar a gravidade diante de um quadro clínico exuberante, sem avaliar a resposta terapêutica.
Guarde o critério decisivo: a classificação de gravidade da STA não se baseia apenas na apresentação inicial, mas na resposta ao tratamento. Hipoxemia com melhora após transfusão = moderada; hipoxemia refratária ou necessidade de ventilação = grave; disfunção orgânica múltipla = muito grave/gravíssima.
O quadro apresenta hipoxemia significativa (SatO₂ 86%) e comprometimento de dois lobos pulmonares, o que exclui a classificação como leve. A STA leve seria caracterizada por hipoxemia discreta (SatO₂ > 92%), comprometimento de um único lobo e boa resposta ao suporte inicial com oxigenioterapia. A presença de febre, tosse e dispneia, associada à necessidade de transfusão, indica um quadro que exige intervenção mais agressiva do que a manejo de um caso leve.
A classificação como moderada é a mais adequada. O comprometimento de dois lobos pulmonares e a SatO₂ de 86% indicam um quadro de STA com hipoxemia significativa, mas a melhora com transfusão de duas bolsas de concentrado de hemácias demonstra resposta ao tratamento. A STA moderada é caracterizada por hipoxemia que responde à oxigenioterapia e à transfusão, sem necessidade de suporte ventilatório invasivo ou sinais de disfunção orgânica. A extensão do comprometimento pulmonar (dois lobos) e a resposta favorável à transfusão situam o caso no espectro moderado da doença.
A classificação como grave seria apropriada se houvesse hipoxemia refratária à oxigenioterapia, necessidade de ventilação mecânica ou comprometimento pulmonar extenso com deterioração clínica progressiva. No caso, a melhora com transfusão indica que o quadro não atingiu esse grau de gravidade. A STA grave exige frequentemente transfusão de troca, suporte ventilatório e internação em unidade de terapia intensiva, o que não é sugerido pela resposta favorável ao tratamento inicial.
A classificação como muito grave seria reservada para quadros com disfunção de múltiplos órgãos, instabilidade hemodinâmica ou necessidade de suporte avançado de vida, como ventilação mecânica invasiva e drogas vasoativas. O caso descrito não apresenta esses critérios. A melhora com transfusão e a ausência de sinais de falência orgânica excluem a classificação como muito grave.
A classificação como gravíssima é ainda mais extrema, reservada para quadros com risco iminente de morte, como parada cardiorrespiratória, choque refratário ou falência múltipla de órgãos. O quadro descrito, com melhora após transfusão, não se enquadra nessa categoria. A gravíssima exigiria medidas de ressuscitação imediatas e suporte intensivo máximo, o que não é o caso.
Gabarito: letra B
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