Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024
- Código
- fg098903
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
- Asufusão conjuntival;
- Bexantema;
- Ccefaleia;
- Dmialgia;
- Efebre.
GabaritoA — sufusão conjuntival;
Gabarito: letra A. Na fase precoce da leptospirose, a sufusão conjuntival é o sinal clínico que mais ajuda a diferenciá-la de outras infecções febris agudas, como gripe e dengue, pois é um achado relativamente específico e pouco comum nessas outras doenças. Os demais sintomas listados — exantema, cefaleia, mialgia e febre — são inespecíficos e podem estar presentes em diversas viroses, não servindo como marcadores diferenciais.
A leptospirose é uma zoonose causada pela espiroqueta Leptospira interrogans, transmitida ao ser humano pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, principalmente roedores. A doença tem um espectro clínico amplo, que vai desde formas subclínicas até quadros graves e potencialmente fatais, como a síndrome de Weil. A apresentação clássica é bifásica: uma fase precoce (ou leptospirêmica), que dura cerca de 3 a 7 dias, e uma fase tardia (ou imune), que se inicia após a produção de anticorpos.
A fase precoce é um desafio diagnóstico porque seus sintomas — febre alta de início abrupto, calafrios, cefaleia intensa, mialgia (principalmente em panturrilhas) e mal-estar — são muito semelhantes aos de outras doenças febris agudas, como dengue, gripe, chikungunya e zika. É nesse cenário que a sufusão conjuntival ganha importância: trata-se de uma hiperemia (vermelhidão) da conjuntiva ocular, sem secreção purulenta ou dor significativa, que ocorre em uma parcela considerável dos pacientes na fase precoce. Esse sinal é um forte indicativo de leptospirose, pois é raro em outras infecções virais comuns, ajudando o médico a direcionar a suspeita clínica e a solicitar os exames específicos.
Para entender por que as outras alternativas estão incorretas, é preciso lembrar que o diagnóstico diferencial da leptospirose inclui doenças como dengue, que frequentemente apresenta exantema, e a própria gripe, que cursa com cefaleia, mialgia e febre. Esses sintomas são comuns a um grande número de infecções e, portanto, não têm valor discriminativo. A sufusão conjuntival, por outro lado, é um achado mais específico, sendo um dos poucos sinais que, na prática clínica, ajudam a levantar a hipótese de leptospirose diante de um quadro febril inespecífico.
A banca explora a dificuldade real do diagnóstico diferencial da fase precoce da leptospirose. O candidato pode ser tentado a marcar um sintoma comum, como febre ou mialgia, por serem os mais lembrados. No entanto, a questão pede um sinal que diferencie a leptospirose de outras infecções febris. A sufusão conjuntival é o único achado com maior especificidade, enquanto os demais são inespecíficos e presentes em diversas viroses.
A sufusão conjuntival é o sinal clínico que, na fase precoce da leptospirose, ajuda a diferenciá-la de outras doenças febris agudas, como gripe e dengue. Trata-se de uma hiperemia conjuntival, sem secreção, que ocorre em uma parcela significativa dos pacientes. Esse achado é relativamente específico e, quando presente em um paciente com febre, mialgia e cefaleia, deve levantar a suspeita de leptospirose, direcionando a investigação e o tratamento precoce.
O exantema é um sinal muito mais característico de outras infecções virais, como a dengue (presente em cerca de 50% dos casos, geralmente maculopapular) e outras arboviroses. Na leptospirose, o exantema não é um achado típico ou frequente, especialmente na fase precoce. Portanto, sua presença não ajuda a diferenciar a leptospirose de outras doenças febris; pelo contrário, pode até afastar a hipótese, direcionando o diagnóstico para outras etiologias.
A cefaleia é um sintoma extremamente inespecífico, presente na grande maioria das infecções febris agudas, incluindo gripe, dengue, malária e muitas outras. Na leptospirose, a cefaleia é comum e pode ser intensa, mas não possui nenhuma característica que a diferencie da cefaleia de outras doenças. Por ser um sintoma, e não um sinal, e por sua baixa especificidade, não serve como marcador diferencial na fase precoce.
A mialgia é outro sintoma inespecífico, presente em praticamente todas as síndromes febris, como gripe, dengue, chikungunya e COVID-19. Embora a mialgia em panturrilhas seja classicamente descrita na leptospirose, ela não é exclusiva e pode ocorrer em outras condições. Assim como a cefaleia, a mialgia não tem valor discriminativo suficiente para diferenciar a leptospirose de outras infecções febris na fase precoce.
A febre é o sintoma cardinal de praticamente todas as doenças infecciosas agudas, incluindo gripe, dengue, malária e a própria leptospirose. Sua presença é obrigatória para o diagnóstico sindrômico de doença febril aguda, mas não ajuda em nada a diferenciar a leptospirose de outras infecções. A febre é um achado universal e, portanto, não pode ser utilizada como sinal distintivo.
Gabarito: letra A
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