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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg098904
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo masculine, 29 anos, evoluiu com fraqueza muscular progressiva em membros inferiores associada a parestesia, após quadro de gastroenterite recente. Sem relato de trauma e sem queixa de dor.O tratamento indicado de acordo com a suspeita clínica é:
  1. Aaciclovir;
  2. Bceftriaxone;
  3. Cmetronidazol;
  4. Dhidrocortisona;
  5. Eimunoglobulina intravenosa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — imunoglobulina intravenosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Guillain-Barré: tratamento de primeira linha

Gabarito: letra E. O quadro — fraqueza muscular progressiva ascendente em membros inferiores, parestesia e antecedente de gastroenterite — é clássico de Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma polirradiculoneuropatia aguda autoimune pós-infecciosa. O tratamento de primeira linha é a imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou a plasmaférese, ambas com eficácia equivalente; a IVIG é a opção mais utilizada na prática. As demais alternativas (aciclovir, ceftriaxone, metronidazol, hidrocortisona) não têm papel no tratamento da SGB.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune que ataca a bainha de mielina dos nervos periféricos, geralmente desencadeada por uma infecção prévia (viral ou bacteriana, como Campylobacter jejuni, citomegalovírus, Epstein-Barr, entre outros). O quadro típico começa com fraqueza e parestesia em membros inferiores, que progridem de forma ascendente, podendo comprometer a musculatura respiratória e bulbar. O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado por liquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia.

O tratamento da SGB tem dois pilares: imunoterapia e suporte. A imunoterapia é feita com imunoglobulina intravenosa (0,4 g/kg/dia por 5 dias) ou plasmaférese, ambas com eficácia semelhante. A IVIG é preferida por ser mais prática e ter menos contraindicações. O suporte inclui monitorização respiratória, fisioterapia, prevenção de trombose venosa profunda e manejo da dor neuropática. Corticosteroides (como a hidrocortisona) não são eficazes na SGB e não devem ser usados.

A banca explora a confusão entre o tratamento da SGB e o de outras neuropatias ou doenças que cursam com fraqueza. É fundamental lembrar que a SGB é uma doença autoimune, não infecciosa, e por isso o tratamento é imunomodulador, não antibiótico ou antiviral. A hidrocortisona, apesar de ser um imunossupressor, é ineficaz na SGB — um ponto clássico de pegadinha.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o tratamento da SGB (imunoglobulina) por antibióticos/antivirais (ceftriaxone, aciclovir, metronidazol) ou por corticoide (hidrocortisona). O aluno que não associa o quadro à SGB pode pensar em infecção ou em doença inflamatória tratada com corticoide. Lembre-se: SGB é autoimune → IVIG ou plasmaférese; corticoide é ineficaz.

1Fisiopatologia
Autoimune pós-infecciosa
Ataca bainha de mielina
2Quadro clínico
Fraqueza ascendente
Parestesia
Antecedente infeccioso
3Diagnóstico
Clínico
Liquor (dissociação albumino-citológica)
Eletroneuromiografia
4Tratamento
Imunoglobulina IV (0,4 g/kg/dia × 5 dias)
Plasmaférese (alternativa equivalente)
Corticoides (ineficazes)
Suporte (respiratório, fisioterapia, TVP)
Síndrome de Guillain-Barré
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome de Guillain-Barré: Fisiopatologia (Autoimune pós-infecciosa, Ataca bainha de mielina); Quadro clínico (Fraqueza ascendente, Parestesia, Antecedente infeccioso); Diagnóstico (Clínico, Liquor (dissociação albumino-citológica), Eletroneuromiografia); Tratamento (Imunoglobulina IV (0,4 g/kg/dia × 5 dias), Plasmaférese (alternativa equivalente), Corticoides (ineficazes), Suporte (respiratório, fisioterapia, TVP))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aciclovir é um antiviral usado no tratamento de infecções por herpesvírus (herpes simples, varicela-zóster). Não há evidência de que a SGB seja causada diretamente por um vírus que responda a aciclovir; a doença é uma reação autoimune pós-infecciosa, não uma infecção ativa. Portanto, não é o tratamento indicado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Ceftriaxone é uma cefalosporina de terceira geração, antibiótico de amplo espectro. Embora a SGB possa ser precedida por infecção por Campylobacter jejuni (que causa gastroenterite), a infecção já foi eliminada pelo sistema imunológico quando a neuropatia se manifesta. O tratamento da SGB não inclui antibióticos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Metronidazol é um antiparasitário/antibacteriano usado em infecções por anaeróbios e protozoários (como Giardia, Entamoeba, Clostridium difficile). Não há relação com a fisiopatologia da SGB, que é autoimune. Não é o tratamento indicado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Hidrocortisona é um corticoide. Embora seja um imunossupressor, os corticosteroides não são eficazes na SGB e podem até piorar o prognóstico. Estudos demonstraram que não há benefício e há potencial de dano. O tratamento imunomodulador de escolha é a imunoglobulina intravenosa ou a plasmaférese.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A imunoglobulina intravenosa (IVIG) é o tratamento de primeira linha da Síndrome de Guillain-Barré. Ela atua neutralizando autoanticorpos e modulando a resposta inflamatória, reduzindo a duração e a gravidade da doença. A dose usual é 0,4 g/kg/dia por 5 dias. A plasmaférese é alternativa equivalente, mas a IVIG é mais prática e amplamente utilizada.

Gabarito: letra E — imunoglobulina intravenosa é o tratamento indicado para a Síndrome de Guillain-Barré.

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