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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg098905
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo masculino, 38 anos, usuário de drogas injetáveis, apresentando febre, tosse, dor torácica. Ao exame cardiovascular, ausculta de sopro em foco tricúspide. Radiografia de tórax evidenciou infiltrados pulmonares nodulares.O diagnóstico mais provável é:
  1. Apericardite;
  2. Bmiocardite;
  3. Cendocardite;
  4. Dtuberculose;
  5. Einfarto agudo do miocárdio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — endocardite;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endocardite infecciosa em usuário de drogas injetáveis

Gabarito: letra C. O quadro — febre, tosse, dor torácica, sopro em foco tricúspide e infiltrados pulmonares nodulares em um usuário de drogas injetáveis — é a apresentação clássica de endocardite infecciosa do lado direito, com êmbolos sépticos pulmonares. O diagnóstico mais provável é endocardite, e a alternativa correta é a letra C.

A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas. Em usuários de drogas injetáveis, a via de entrada do microrganismo é a pele, e a valva mais comumente acometida é a tricúspide (lado direito do coração). A infecção forma vegetações na valva, que podem se desprender e causar êmbolos sépticos. Quando esses êmbolos vão para os pulmões, produzem os infiltrados pulmonares nodulares vistos na radiografia de tórax — às vezes múltiplos e cavitados. O sopro em foco tricúspide reflete a disfunção valvar (insuficiência tricúspide) causada pela vegetação.

O diagnóstico é clínico e baseado nos critérios de Duke modificados, que combinam critérios maiores (hemocultura positiva, evidência de envolvimento endocárdico por ecocardiograma) e menores (febre, predisposição, fenômenos vasculares, fenômenos imunológicos). Neste caso, o paciente tem: predisposição (uso de drogas injetáveis), febre, sopro (evidência de envolvimento valvar) e êmbolos sépticos pulmonares (fenômeno vascular). A combinação desses achados torna a endocardite o diagnóstico mais provável.

A pegadinha desta questão é que a banca apresenta sintomas que podem sugerir outras doenças (febre, tosse, infiltrado pulmonar → tuberculose; dor torácica → pericardite ou infarto), mas o sopro em foco tricúspide é o achado que direciona o raciocínio para o coração, e o uso de drogas injetáveis é o fator de risco que aponta para a endocardite direita. O candidato que não conhece essa associação clássica pode se perder nos distratores.

Guarde a tríade: usuário de droga injetável + febre + sopro tricúspide + infiltrados pulmonares = endocardite infecciosa direita com embolia séptica pulmonar. É exatamente essa associação que separa a alternativa correta das demais.

Endocardite infecciosa (EI)
  • 1Fatores de risco
    • Uso de drogas injetáveis
    • Valva mais acometida: tricúspide
  • 2Manifestações
    • Febre
    • Sopro (disfunção valvar)
    • Êmbolos sépticos pulmonares
      • Infiltrados nodulares no RX
  • 3Diagnóstico
    • Critérios de Duke modificados
      • Maiores: hemocultura, eco
      • Menores
        • febre, predisposição, fenômenos vasculares/imunológicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A pericardite é a inflamação do pericárdio, e sua manifestação típica é dor torácica ventilatório-dependente, que melhora ao sentar e inclinar para frente, com atrito pericárdico à ausculta e elevação difusa do segmento ST no ECG. Não há sopro em foco tricúspide nem infiltrados pulmonares nodulares como manifestação principal. O uso de drogas injetáveis não é um fator de risco clássico para pericardite aguda.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A miocardite é a inflamação do miocárdio, geralmente de causa viral, e se manifesta com insuficiência cardíaca aguda, fadiga, dispneia, B3/B4, e pode cursar com dor torácica. No entanto, não produz sopro em foco tricúspide nem infiltrados pulmonares nodulares — esses são achados de endocardite com embolia séptica. A miocardite não tem a associação clássica com uso de drogas injetáveis que a endocardite tem.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A endocardite infecciosa é a infecção do endocárdio, e em usuários de drogas injetáveis a valva tricúspide é a mais acometida. As vegetações podem embolizar para os pulmões, causando infiltrados pulmonares nodulares (êmbolos sépticos). O sopro em foco tricúspide é a manifestação da disfunção valvar. A combinação de febre, tosse, dor torácica, sopro tricúspide e infiltrados pulmonares em um usuário de drogas injetáveis é a apresentação clássica de endocardite infecciosa do lado direito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tuberculose pulmonar pode causar febre, tosse e infiltrados pulmonares, mas não causa sopro em foco tricúspide. O padrão radiológico da tuberculose costuma ser mais apical, com cavitações, e não tem a associação com uso de drogas injetáveis que a endocardite tem. O sopro é o achado que afasta a tuberculose como diagnóstico principal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O infarto agudo do miocárdio (IAM) causa dor torácica, mas tipicamente em aperto/opressão, com irradiação para membro superior esquerdo, e não causa sopro em foco tricúspide nem infiltrados pulmonares nodulares. O IAM em paciente jovem (38 anos) sem fatores de risco cardiovascular clássicos é menos provável que a endocardite, especialmente com o uso de drogas injetáveis e o sopro presente.

Gabarito: letra C — endocardite infecciosa do lado direito com embolia séptica pulmonar.

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