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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg098906
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo feminino, 27 anos, procura atendimento médico com queixa de episódios frequentes de cefaleia bilateral, de moderada intensidade, sem fotofobia, que piora no final do dia e com situações de estresse.A medicação indicada para profilaxia desse quadro é:
  1. Avalproato;
  2. Bpropranolol;
  3. Camitriptilina;
  4. Dclorpromazina;
  5. Ecarbamazepine.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — amitriptilina;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cefaleia do tipo tensional: profilaxia

Gabarito: letra C. O quadro descrito — cefaleia bilateral, de moderada intensidade, sem fotofobia, que piora no final do dia e com estresse — é típico de cefaleia do tipo tensional (CTT), e a medicação de primeira linha para sua profilaxia é a amitriptilina, um antidepressivo tricíclico. A escolha se baseia nas diretrizes de tratamento da cefaleia tensional, que indicam a amitriptilina como fármaco profilático de escolha, conforme o contexto clínico apresentado.

A cefaleia do tipo tensional é a cefaleia primária mais comum na população geral, caracterizada por dor bilateral, em aperto ou pressão, de intensidade leve a moderada, que não piora com atividade física e frequentemente está associada a estresse emocional ou tensão muscular. Diferentemente da enxaqueca, não costuma apresentar náuseas, vômitos ou fotofobia intensa — embora possa haver fotofobia ou fonofobia isoladas. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3), e o tratamento divide-se em duas vertentes: o manejo da crise aguda, com analgésicos comuns ou anti-inflamatórios não hormonais, e a profilaxia, indicada quando as crises são frequentes (geralmente mais de 2-3 episódios por mês) ou impactam a qualidade de vida.

A profilaxia da cefaleia tensional tem como objetivo reduzir a frequência, a intensidade e a duração das crises. A amitriptilina é o fármaco de primeira linha, com eficácia comprovada em ensaios clínicos, e atua modulando a transmissão serotoninérgica e noradrenérgica, além de ter efeito analgésico central. Outras opções incluem a nortriptilina e a venlafaxina, mas a amitriptilina permanece como a escolha clássica. O propranolol, embora seja eficaz na profilaxia da enxaqueca, não é a primeira escolha para a cefaleia tensional. O valproato e a carbamazepina são mais utilizados em outras condições, como epilepsia e neuralgia do trigêmeo, e não têm papel estabelecido na profilaxia da CTT. A clorpromazina é um antipsicótico, usado no tratamento agudo de crises de enxaqueca em ambiente de emergência, mas não na profilaxia da cefaleia tensional.

A distinção fundamental que a questão explora é entre a profilaxia da cefaleia tensional e a da enxaqueca. Enquanto a amitriptilina é a droga de escolha para a CTT, na enxaqueca as opções profiláticas incluem betabloqueadores (propranolol), antiepilépticos (topiramato, valproato) e bloqueadores dos canais de cálcio (flunarizina). O propranolol, por exemplo, é um distrator clássico: o candidato que associa cefaleia a profilaxia pode escolhê-lo, mas ele é indicado para enxaqueca, não para cefaleia tensional. A pegadinha está em reconhecer o fenótipo da dor — bilateral, em aperto, sem fotofobia — e associá-lo à medicação correta.

Na prática clínica, a amitriptilina é iniciada em doses baixas (10-25 mg ao deitar) e titulada gradualmente até a dose efetiva, que geralmente varia de 30 a 75 mg/dia. O efeito profilático pode levar de 4 a 8 semanas para se manifestar, e o tratamento costuma ser mantido por 6 a 12 meses antes de se tentar a descontinuação. É importante orientar o paciente sobre os efeitos adversos, como sonolência e boca seca, que tendem a diminuir com o tempo. A escolha da amitriptilina também se justifica em pacientes com comorbidades como insônia ou ansiedade, comuns na CTT.

Guarde a fronteira entre os fenótipos: cefaleia tensional (bilateral, aperto, sem fotofobia, piora com estresse) → profilaxia com amitriptilina; enxaqueca (unilateral, pulsátil, com fotofobia e náuseas) → profilaxia com propranolol, topiramato ou valproato. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

1Cefaleia tensional
bilateral, aperto, sem fotofobia, estresse
Amitriptilina (1ª linha)
2Enxaqueca (unilateral, pulsátil, fotofobia)
Propranolol
Topiramato
Valproato
3Outros usos
Clorpromazina (crise aguda de enxaqueca)
Carbamazepina (neuralgia do trigêmeo)
Profilaxia de cefaleia
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Profilaxia de cefaleia: Cefaleia tensional (bilateral, aperto, sem fotofobia, estresse, Amitriptilina (1ª linha)); Enxaqueca (unilateral, pulsátil, fotofobia) (Propranolol, Topiramato, Valproato); Outros usos (Clorpromazina (crise aguda de enxaqueca), Carbamazepina (neuralgia do trigêmeo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O valproato (ou divalproato de sódio) é um antiepiléptico utilizado na profilaxia da enxaqueca, não da cefaleia tensional. Embora seja eficaz na prevenção da migrânea, não há evidência robusta para seu uso na CTT. O candidato que confunde os fenótipos pode escolhê-lo, mas o quadro descrito — bilateral, sem fotofobia — aponta para tensional, onde o valproato não é indicado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O propranolol é um betabloqueador clássico na profilaxia da enxaqueca, mas não é a primeira escolha para a cefaleia tensional. Estudos mostram eficácia limitada na CTT, e as diretrizes priorizam a amitriptilina. A banca explora a associação automática entre cefaleia e propranolol, mas o fenótipo tensional direciona para outra classe terapêutica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A amitriptilina é o fármaco de primeira linha para a profilaxia da cefaleia do tipo tensional. Sua eficácia é bem estabelecida, e o mecanismo envolve a modulação de vias serotoninérgicas e noradrenérgicas, além de efeito analgésico central. O quadro clínico apresentado — cefaleia bilateral, moderada, sem fotofobia, piora com estresse — é típico de CTT, e a amitriptilina é a escolha correta entre as opções.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A clorpromazina é um antipsicótico típico, utilizado no tratamento agudo de crises de enxaqueca em ambiente de emergência, devido ao seu efeito antiemético e analgésico. Não é indicada para profilaxia de nenhuma cefaleia primária, muito menos da tensional. Seu uso crônico seria inadequado pelos efeitos adversos, como sedação e sintomas extrapiramidais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A carbamazepina é um antiepiléptico indicado principalmente para neuralgia do trigêmeo e epilepsia, não para profilaxia de cefaleia tensional. Embora possa ser usada em algumas cefaleias, como a neuralgia occipital, não há papel estabelecido na CTT. A banca incluiu essa opção como distrator, explorando a classe dos antiepilépticos, mas sem fundamento para o caso.

A regra de ouro para a prova: diante de cefaleia bilateral, em aperto, sem fotofobia e relacionada a estresse, pense em cefaleia tensional e lembre que a profilaxia de escolha é a amitriptilina. Já na enxaqueca (unilateral, pulsátil, com fotofobia), as opções profiláticas incluem propranolol, topiramato e valproato. Essa distinção fenotípica é o que separa o acerto do erro.

Gabarito: letra C

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