Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2024
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
fg098908
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo feminino, 23 anos, foi mordida na mão esquerda por cachorro que pode ser observado.A conduta correta é:
Asaber o estado vacinal do cachorro;
Bnão iniciar profilaxia com vacina e observar o cachorro por 10 dias;
Ciniciar profilaxia com duas doses de vacina antirrábica;
Diniciar profilaxia com três doses de vacina antirrábica;
Einiciar profilaxia com quatro doses da vacina antirrábica e com o soro antirrábico.
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GabaritoB — não iniciar profilaxia com vacina e observar o cachorro por 10 dias;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Profilaxia antirrábica pós-exposição: conduta em mordedura por cão observável
Gabarito: letra B. Em mordedura por cão sadio e passível de observação, a conduta correta é não iniciar profilaxia com vacina e observar o animal por 10 dias — é o que preconiza o Ministério da Saúde, conforme a Nota Técnica do Instituto Pasteur citada no material de apoio. A observação do animal por 10 dias é a medida que define se a profilaxia será necessária, pois a raiva em cães e gatos manifesta-se nesse período.
A raiva é uma encefalite viral aguda, quase sempre fatal, transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por mordeduras. A profilaxia pós-exposição (vacina e, em casos graves, soro/imunoglobulina) é a medida que previne o desenvolvimento da doença após o contato. A decisão de iniciar ou não a profilaxia depende de uma avaliação criteriosa do risco, que leva em conta o tipo de exposição (leve ou grave), a espécie do animal e, crucialmente, a possibilidade de observar o animal agressor.
O ponto central desta questão é a observabilidade do animal. Quando o cão ou gato é sadio e pode ser observado, a conduta padrão é não iniciar a profilaxia imediatamente e observar o animal por 10 dias. Isso porque, se o animal permanecer sadio após esse período, o risco de transmissão da raiva é descartado e a profilaxia não é necessária. Se o animal adoecer, morrer ou desaparecer, a profilaxia deve ser iniciada imediatamente. Essa conduta evita vacinações desnecessárias e é a recomendação oficial.
A banca explora exatamente a confusão entre a conduta para animal observável e a conduta para animal não observável ou de alto risco (como morcegos). No caso de animal não observável, a profilaxia é iniciada imediatamente, com esquema de 4 doses de vacina (dias 0, 3, 7 e 14) e, em acidentes graves, soro antirrábico ou imunoglobulina. A alternativa B é a única que reflete corretamente a conduta para o cenário apresentado: cão que pode ser observado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a iniciar a profilaxia imediatamente, como se todo acidente com cachorro exigisse vacina. A pegadinha está em ignorar a observabilidade do animal: quando o cão pode ser observado, a conduta é não iniciar profilaxia e observar por 10 dias. As alternativas C, D e E oferecem esquemas de vacinação que seriam indicados apenas se o animal não pudesse ser observado ou se o acidente fosse grave com animal de alto risco. A alternativa A, embora correta em parte (saber o estado vacinal é importante), não é a conduta principal — a observação do animal é o que define a necessidade de profilaxia.
1Não iniciar profilaxia
2Observar animal por 10 dias
3Animal sadio → descarta raiva
4Animal doente/morto → iniciar profilaxia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Saber o estado vacinal do cachorro é uma informação relevante, mas não é a conduta correta em si. A conduta principal é observar o animal por 10 dias, independentemente do estado vacinal. O estado vacinal do animal não é critério para decidir a profilaxia — mesmo um cão vacinado pode transmitir a raiva, embora o risco seja menor. A observação é a medida que define a necessidade de profilaxia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta preconizada pelo Ministério da Saúde para mordedura por cão sadio e passível de observação: não iniciar profilaxia com vacina e observar o animal por 10 dias. Se o animal permanecer sadio após 10 dias, o risco de raiva é descartado. Se adoecer, morrer ou desaparecer, a profilaxia deve ser iniciada imediatamente. A Nota Técnica do Instituto Pasteur define que, em caso de animal passível de observação, não se inicia profilaxia, independentemente do tipo de exposição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Iniciar profilaxia com duas doses de vacina antirrábica não é conduta correta em nenhum cenário. O esquema de profilaxia pós-exposição é de 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14), e não 2 ou 3 doses. Além disso, no caso de animal observável, a profilaxia não deve ser iniciada de imediato. A alternativa mistura um esquema incompleto com a conduta errada para o cenário.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar profilaxia com três doses de vacina antirrábica também não é conduta correta. O esquema padrão é de 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14). Além disso, no caso de animal observável, a profilaxia não deve ser iniciada de imediato. A alternativa apresenta um esquema incompleto e a conduta errada para o cenário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Iniciar profilaxia com quatro doses de vacina e soro antirrábico seria a conduta para acidente grave com animal não observável ou de alto risco (como morcego). No caso de cão observável, a profilaxia não deve ser iniciada de imediato. A alternativa aplica a conduta de alto risco a um cenário de baixo risco, ignorando a observabilidade do animal.
Gabarito: letra B — não iniciar profilaxia e observar o cão por 10 dias é a conduta correta para mordedura por animal sadio e passível de observação.