Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2024
- Código
- fg098911
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
- Ahidantal;
- Blorazepam;
- Clamotrigina;
- Dclonazepam;
- Ecarbamazepine.
GabaritoB — lorazepam;
Gabarito: letra B. Na crise convulsiva tônico-clônica generalizada em curso, a medicação de primeira escolha é um benzodiazepínico de ação rápida, sendo o lorazepam a opção preferencial por via intravenosa. O objetivo é abortar a crise o mais rápido possível, e os benzodiazepínicos são os fármacos mais eficazes para isso, atuando como potencializadores do GABA, o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central.
A crise convulsiva tônico-clônica generalizada é uma emergência médica que exige intervenção imediata. O tratamento de primeira linha para abortar a crise em curso é a administração de um benzodiazepínico. Entre as opções disponíveis, o lorazepam (0,1 mg/kg IV, até 4 mg) é frequentemente considerado o fármaco de escolha devido ao seu rápido início de ação e à sua meia-vida mais longa, o que reduz o risco de recorrência das crises. O diazepam (10 mg IV) também é uma opção válida, mas tem meia-vida mais curta e maior risco de acúmulo e depressão respiratória. O midazolam (10 mg IM) é uma alternativa quando não há acesso venoso.
É crucial distinguir o tratamento da crise aguda do tratamento de manutenção da epilepsia. Enquanto a crise aguda é tratada com benzodiazepínicos, a prevenção de novas crises em pacientes com epilepsia é feita com fármacos antiepilépticos de longo prazo, como carbamazepina, fenitoína, ácido valproico, lamotrigina, entre outros. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que pensa no tratamento crônico da epilepsia pode ser levado a escolher uma dessas opções, mas a questão é clara ao perguntar sobre a medicação indicada para a crise em si.
A escolha do lorazepam como primeira linha é respaldada por diretrizes internacionais e pela prática clínica, que priorizam a rápida cessação da atividade convulsiva para prevenir danos neurológicos. O tratamento deve ser iniciado imediatamente, com medidas de suporte (ABC, monitorização, glicemia capilar) e, se a crise persistir, pode-se repetir a dose ou avançar para uma segunda linha, como a fenitoína ou o valproato.
Guarde a fronteira entre o tratamento da crise aguda (benzodiazepínico) e o tratamento profilático de manutenção (antiepilépticos clássicos): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
O hidantal (fenitoína) é um fármaco antiepiléptico usado para prevenir novas crises, especialmente no contexto de estado de mal epiléptico após a estabilização inicial, mas não é a primeira escolha para abortar uma crise em curso. Seu início de ação é mais lento que o dos benzodiazepínicos, e seu uso na crise aguda é como segunda linha, após a falha dos benzodiazepínicos.
O lorazepam é um benzodiazepínico de ação rápida, considerado a primeira escolha para o tratamento de uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada em curso. Sua administração intravenosa (0,1 mg/kg, até 4 mg) promove a rápida cessação da crise ao potencializar a ação do GABA, o principal neurotransmissor inibitório do SNC. Sua meia-vida mais longa em comparação ao diazepam confere proteção contra a recorrência imediata das crises.
A lamotrigina é um antiepiléptico de amplo espectro, utilizado no tratamento de manutenção de diversos tipos de epilepsia, incluindo crises tônico-clônicas generalizadas. No entanto, não é utilizada para abortar uma crise aguda, pois seu início de ação é lento e não está disponível em formulação intravenosa para uso emergencial.
O clonazepam é um benzodiazepínico de ação prolongada, utilizado principalmente no tratamento de manutenção de alguns tipos de epilepsia e distúrbios de ansiedade. Embora seja um benzodiazepínico, seu início de ação é mais lento que o do lorazepam e do diazepam, e não é a primeira escolha para o tratamento de uma crise aguda em curso.
A carbamazepina é um antiepiléptico clássico, de primeira escolha para o tratamento de crises focais e também eficaz em crises tônico-clônicas generalizadas, mas apenas como tratamento de manutenção. Não é utilizada para abortar uma crise aguda, pois seu início de ação é lento e não há formulação intravenosa disponível para uso emergencial.
A banca explora a confusão entre o tratamento da crise aguda e o tratamento de manutenção da epilepsia. As alternativas A, C e E são antiepilépticos de uso crônico, que não têm ação rápida para abortar uma crise em curso. O candidato que pensa no tratamento de longo prazo da epilepsia pode ser levado a escolher uma dessas opções, mas a questão é clara: a medicação indicada para a crise é um benzodiazepínico de ação rápida, como o lorazepam. Com treino, você enxerga essa distinção de longe 💪.
Gabarito: letra B
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