Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FGV 2024
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
fg098916
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo masculino, 20 anos, tem diagnóstico de asma, com boa resposta ao uso de salbutamol quando tem crise. Última crise há 3 meses. Assintomático desde então.Quanto à gravidade do quadro desse paciente, é correto afirmar que:
Ase trata de asma intermitente;
Bse trata de asma persistente leve;
Cse trata de asma persistente moderada;
Dse trata de asma persistente grave;
Eé preciso pedir uma espirometria para avaliá-la.
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GabaritoA — se trata de asma intermitente;
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Classificação da gravidade da asma: intermitente × persistente
Gabarito: letra A. O paciente tem asma com sintomas controlados, última crise há 3 meses e uso de salbutamol apenas durante as crises — sem sintomas diurnos frequentes, sem sintomas noturnos e sem uso regular de medicação de manutenção. Isso se enquadra na classificação de asma intermitente, conforme os critérios de gravidade da asma (sintomas diurnos < 2x/semana, sintomas noturnos < 2x/mês, PFE/VEF1 > 80% e variabilidade do PFE < 20%).
A classificação da gravidade da asma é um dos pilares do manejo da doença e historicamente se baseia na frequência e intensidade dos sintomas, no uso de medicação de resgate e na função pulmonar. É importante distinguir gravidade de controle: a gravidade é uma característica intrínseca da doença, avaliada retrospectivamente após 2 a 3 meses de tratamento, enquanto o controle se refere à intensidade com que as manifestações são suprimidas pela terapia. Nesta questão, o paciente está assintomático há 3 meses, com boa resposta ao broncodilatador de curta duração quando tem crise — o que indica doença leve e bem controlada.
Os critérios clássicos de classificação da gravidade (baseados nas diretrizes da AMB/CFM e em consensos como o GINA) avaliam quatro eixos: sintomas diurnos, sintomas noturnos, função pulmonar (PFE ou VEF1) e variabilidade do PFE. A classificação é feita sempre pela manifestação de maior gravidade — ou seja, se um único critério aponta para um nível mais grave, o paciente é classificado nesse nível, mesmo que os demais sejam mais leves.
Critério
Intermitente
Persistente leve
Persistente moderada
Persistente grave
Sintomas diurnos
Nenhum ou < 2/semana
3–4/semana
Diariamente
Contínuos
Sintomas noturnos
< 2/mês
3–4/mês
> 5/mês
Frequentes
PFE ou VEF1
> 80%
> 80%
> 60% e < 80%
< 60%
Variabilidade do PFE
< 20%
20–30%
> 30%
> 30%
No caso apresentado, o paciente tem sintomas diurnos < 2x/semana (apenas durante crises, sendo a última há 3 meses), sintomas noturnos < 2x/mês (não relatados), e não há dados de função pulmonar, mas a boa resposta ao salbutamol e o longo período assintomático indicam doença leve. Todos os critérios apontam para asma intermitente.
A pegadinha desta questão está na alternativa E: a espirometria é recomendada para confirmar o diagnóstico e avaliar a função pulmonar, mas não é necessária para classificar a gravidade quando os sintomas já são claramente intermitentes. A banca tenta confundir o candidato sugerindo que a espirometria seria indispensável para a classificação, quando na verdade a classificação clínica já é suficiente neste caso.
Guarde a fronteira entre os critérios de gravidade: é exatamente nela que as alternativas se dividem — sintomas diurnos < 2x/semana e noturnos < 2x/mês definem asma intermitente, enquanto qualquer critério mais frequente eleva a classificação para persistente.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem asma intermitente porque apresenta sintomas diurnos < 2x/semana (apenas crises esporádicas, última há 3 meses), sintomas noturnos < 2x/mês (ausentes) e função pulmonar preservada (PFE/VEF1 > 80%, inferida pela boa resposta ao salbutamol e ausência de sintomas entre crises). Todos os critérios da classificação de gravidade apontam para o nível mais leve.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A asma persistente leve exige sintomas diurnos 3–4x/semana ou sintomas noturnos 3–4x/mês. O paciente tem sintomas muito menos frequentes — apenas durante crises esporádicas, com a última há 3 meses — o que não atinge o limiar para persistente leve. A banca tenta confundir ao sugerir que qualquer sintoma recorrente seria persistente, mas a frequência é o critério decisivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A asma persistente moderada exige sintomas diurnos diários, sintomas noturnos > 5x/mês, PFE/VEF1 entre 60% e 80% ou variabilidade do PFE > 30%. Nenhum desses critérios está presente: o paciente é assintomático entre crises, com boa resposta ao broncodilatador e sem uso regular de medicação. A classificação pela manifestação de maior gravidade não se aplica aqui, pois não há nenhum critério moderado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A asma persistente grave exige sintomas contínuos, sintomas noturnos frequentes, PFE/VEF1 < 60% ou variabilidade do PFE > 30%. O paciente está assintomático há 3 meses, com crises esporádicas e boa resposta ao salbutamol — o oposto do quadro grave. A alternativa é claramente descabida para o caso apresentado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A espirometria é recomendada para confirmar o diagnóstico de asma e documentar a obstrução reversível ao fluxo aéreo, mas não é necessária para classificar a gravidade quando os sintomas já são claramente intermitentes. A classificação clínica, baseada na frequência dos sintomas e no uso de medicação de resgate, é suficiente neste caso. A banca tenta confundir o candidato sugerindo que a espirometria seria indispensável para a classificação, quando na verdade ela é um exame complementar ao diagnóstico, não um pré-requisito para classificar a gravidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre diagnóstico e classificação de gravidade. A espirometria é essencial para confirmar o diagnóstico de asma, mas a classificação da gravidade pode ser feita clinicamente pela frequência dos sintomas e uso de medicação de resgate. O candidato que pensa "preciso de espirometria para saber a gravidade" cai na alternativa E, quando na verdade os sintomas já definem a classificação como intermitente.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar a gravidade da asma, use sempre a manifestação de maior gravidade — se qualquer critério apontar para um nível mais grave, o paciente é classificado nesse nível. Monte uma tabela com os quatro eixos (sintomas diurnos, noturnos, PFE/VEF1, variabilidade do PFE) e compare com os dados do paciente. Na prova, identifique primeiro a frequência dos sintomas e o uso de medicação de resgate — são os dados mais frequentemente fornecidos e os que decidem a classificação.