Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2024
Medicina›Medicina Intensiva
Código
fg098919
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo feminino, 59 anos, hipertensa e com diagnóstico de dislipidemia e hipotireoidismo. Procura atendimento na emergência com quadro de dor torácica à esquerda em aperto há mais de 1 hora. PA 130x90 mmHg, FC 88 bpm. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações.ECG com supra de ST em D1 e aVL, que indica infarto de:
Aparede septal;
Bparede inferior;
Cparede posterior;
Dparede lateral alta;
Eparede anterior extensa.
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GabaritoD — parede lateral alta;
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Infarto agudo do miocárdio: localização pelo ECG
Gabarito: letra D. O supradesnivelamento de ST em D1 e aVL indica infarto da parede lateral alta do ventrículo esquerdo, território irrigado pela artéria coronária circunflexa. A correlação entre as derivações eletrocardiográficas e a parede cardíaca é o conhecimento central desta questão.
O eletrocardiograma é a ferramenta inicial para identificar a localização do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST). Cada derivação "enxerga" uma região específica do coração, e o padrão de alterações permite inferir qual artéria coronária está ocluída. No caso apresentado, a paciente tem dor torácica típica em aperto há mais de 1 hora, com supra de ST em D1 e aVL — um padrão clássico de infarto lateral alto.
A artéria coronária circunflexa irriga a parede lateral do ventrículo esquerdo e, eventualmente, a parede posterior. No ECG, essa irrigação se expressa nas derivações DI e aVL. Por isso, o supra de ST nessas derivações aponta diretamente para o infarto da parede lateral alta. É importante distinguir esse território dos demais: a artéria descendente anterior irriga a parede anterior, septal e o ápice (derivações V1 a V6); a artéria coronária direita irriga a parede inferior (DII, DIII e aVF).
A banca explora exatamente a confusão entre os territórios de irrigação. O candidato que decora apenas os padrões mais comuns (parede anterior e inferior) pode se perder diante de um infarto lateral. A chave é associar cada grupo de derivações à sua artéria correspondente e, consequentemente, à parede cardíaca afetada.
Guarde a correlação derivação-parede-artéria: é ela que separa as alternativas desta questão. Cada opção errada representa um território vizinho, e o erro está em trocar a derivação que define a localização.
Derivações com Supra de ST
Parede Cardíaca Atingida
Artéria Coronária
D1 e aVL
Lateral alta
Circunflexa
V1 e V2
Septal
Descendente anterior
DII, DIII e aVF
Inferior
Coronária direita
V1 a V6
Anterior extensa
Descendente anterior
V7, V8 e V9
Posterior
Circunflexa ou coronária direita
Localização do IAM pelo ECG: Parede lateral alta (Derivações D1 e aVL, Artéria circunflexa); Parede anterior/septal (Derivações V1 a V4, Artéria descendente anterior); Parede inferior (Derivações DII, DIII e aVF, Artéria coronária direita); Parede posterior (Derivações V7 a V9, Circunflexa ou coronária direita)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A parede septal é irrigada pela artéria descendente anterior e se expressa nas derivações V1 e V2. O supra de ST em D1 e aVL não corresponde a esse território. A banca troca a localização lateral pela septal, que é um território vizinho, mas com derivações próprias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A parede inferior é irrigada pela artéria coronária direita e se manifesta nas derivações DII, DIII e aVF. O padrão apresentado (D1 e aVL) é claramente lateral, não inferior. A confusão aqui é associar a dor torácica à localização inferior, mas o ECG é o exame que define o território.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A parede posterior é irrigada pela artéria circunflexa ou pela coronária direita, mas sua expressão eletrocardiográfica é indireta, geralmente vista como supradesnivelamento em V7, V8 e V9, ou como infradesnivelamento recíproco em V1 e V2. O supra em D1 e aVL não caracteriza infarto posterior isolado.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O supradesnivelamento de ST em D1 e aVL é o padrão clássico de infarto da parede lateral alta do ventrículo esquerdo, território irrigado pela artéria coronária circunflexa. A alternativa está correta ao nomear exatamente a parede correspondente às derivações apresentadas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A parede anterior extensa é irrigada pela artéria descendente anterior e se expressa nas derivações V1 a V6, frequentemente com envolvimento de D1 e aVL quando há lesão proximal. No entanto, o padrão isolado em D1 e aVL é mais característico de lateral alta, não de anterior extensa. A banca explora a possibilidade de confundir a extensão do infarto com a localização precisa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a localização lateral alta (D1 e aVL) por territórios vizinhos, como a parede anterior extensa (V1-V6) ou a parede inferior (DII, DIII, aVF). O candidato que não domina a correlação derivação-parede pode cair na armadilha de escolher uma opção que parece plausível, mas não corresponde ao ECG apresentado. Com treino, você reconhece esses padrões de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a correlação, monte uma tabela mental: parede anterior (V1-V4), septal (V1-V2), lateral alta (D1, aVL), inferior (DII, DIII, aVF), posterior (V7-V9). Associe cada parede à sua artéria: descendente anterior (anterior/septal), circunflexa (lateral), coronária direita (inferior). Essa tabela resolve a maioria das questões de localização de IAM.