Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024
- Código
- fg098920
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
- Adermatite seborreica;
- Bpsoríase;
- Cdermatite atópica;
- Dsarcoma de kaposi;
- Esífilis.
GabaritoA — dermatite seborreica;
Gabarito: letra A. O quadro descrito — exantema descamativo amarelado em sobrancelhas e nariz, em paciente jovem com teste rápido reagente para HIV — é classicamente compatível com dermatite seborreica, condição dermatológica frequente e frequentemente exacerbada em pacientes infectados pelo HIV. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na morfologia e localização típicas das lesões.
A dermatite seborreica é uma doença inflamatória crônica da pele, de caráter recidivante, que acomete preferencialmente áreas ricas em glândulas sebáceas — couro cabeludo, face (especialmente sulcos nasolabiais, sobrancelhas e região malar), região pré-esternal e dobras cutâneas. As lesões caracterizam-se por eritema e descamação de coloração amarelada ou esbranquiçada, que pode ser oleosa ou seca. Em pacientes imunocomprometidos, como os infectados pelo HIV, a dermatite seborreica tende a ser mais extensa, mais grave e de difícil controle, podendo ser uma das primeiras manifestações cutâneas da infecção.
A relação entre HIV e dermatite seborreica é bem estabelecida: a prevalência é significativamente maior em pacientes HIV positivos, e a intensidade do quadro costuma correlacionar-se com o grau de imunossupressão. A fisiopatologia envolve a proliferação de leveduras do gênero Malassezia, que se aproveitam do ambiente cutâneo alterado pela imunodeficiência, além de uma resposta inflamatória anômala. O diagnóstico é clínico, não exigindo exames complementares na maioria dos casos, e o tratamento envolve antifúngicos tópicos (como cetoconazol), corticosteroides de baixa potência e, nos casos refratários, manejo da imunossupressão com terapia antirretroviral.
É importante distinguir a dermatite seborreica de outras dermatoses que também podem se manifestar em pacientes HIV positivos. A psoríase, por exemplo, também pode ser exacerbada pelo HIV, mas apresenta placas eritematodescamativas bem delimitadas, com escama prateada, tipicamente em superfícies extensoras (cotovelos, joelhos) e couro cabeludo — não se limitando às áreas seborreicas. A dermatite atópica cursa com eczema pruriginoso, xerose e lesões em flexuras, sem a descamação amarelada característica. O sarcoma de Kaposi, associado ao HHV-8, manifesta-se com lesões violáceas, maculopapulares ou nodulares, indolores, que podem clarear à dígito-pressão — morfologia totalmente distinta da descamação amarelada. A sífilis secundária, por sua vez, pode cursar com exantema maculopapular, frequentemente com comprometimento palmoplantar, mas não apresenta a descamação amarelada em sobrancelhas e nariz como manifestação típica.
A pegadinha desta questão reside na associação automática entre HIV e sarcoma de Kaposi ou sífilis, que são complicações importantes, mas cuja morfologia não corresponde ao quadro descrito. O examinador espera que o candidato reconheça a apresentação clássica da dermatite seborreica e sua forte associação com a infecção pelo HIV, especialmente em pacientes jovens com diagnóstico recente.
Guarde a morfologia e a localização das lesões como critérios decisivos: descamação amarelada em áreas seborreicas (sobrancelhas, nariz) aponta para dermatite seborreica, enquanto lesões violáceas sugerem sarcoma de Kaposi e exantema palmoplantar sugere sífilis secundária.
A dermatite seborreica é a dermatose que melhor se encaixa no quadro: exantema descamativo amarelado em regiões seborreicas (sobrancelhas e nariz), em paciente jovem com HIV. A infecção pelo HIV é um fator de risco bem conhecido para o desenvolvimento e agravamento da dermatite seborreica, que pode ser uma manifestação precoce da imunodeficiência. O diagnóstico é clínico, baseado na morfologia e distribuição típicas das lesões.
A psoríase também pode ser exacerbada pelo HIV, mas apresenta placas eritematodescamativas bem delimitadas com escama prateada, preferencialmente em superfícies extensoras (cotovelos, joelhos) e couro cabeludo. A descamação amarelada em sobrancelhas e nariz não é a apresentação típica da psoríase, que costuma ter lesões mais espessas e com escamação micácea.
A dermatite atópica manifesta-se com eczema pruriginoso, xerose cutânea e lesões em flexuras (fossas cubitais e poplíteas), frequentemente associada a história pessoal ou familiar de atopia. Não apresenta a descamação amarelada em áreas seborreicas descrita no enunciado, sendo o quadro incompatível com o diagnóstico.
O sarcoma de Kaposi, neoplasia associada ao HHV-8, é uma complicação clássica da AIDS, mas manifesta-se com lesões violáceas, maculopapulares, nodulares ou verrucoides, indolores e sem prurido, que podem clarear à dígito-pressão. A morfologia é completamente distinta da descamação amarelada em sobrancelhas e nariz, tornando esta alternativa incorreta.
A sífilis secundária pode ocorrer em pacientes HIV positivos e cursar com exantema maculopapular, frequentemente com comprometimento palmoplantar, além de lesões orais e alopecia em clareiras. No entanto, a descamação amarelada em sobrancelhas e nariz não é a manifestação típica da sífilis secundária, que apresenta morfologia e distribuição diferentes das descritas no enunciado.
Gabarito: letra A
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