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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
fg098928
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo feminino, 35 anos, procura a emergência com quadro de febre, agitação psicomotora, taquicardia. Ao exame apresenta bócio tireoidiano, exoftalmia. FC= 140 bpm, PA= 140x90 mmHg e Tax= 39,6 graus. Tem relato de emagrecimento e história prévia de tratamento de problema na tireoide.A causa mais provável desse problema é:
  1. Atireoidite;
  2. Bnódulo tóxico;
  3. Cdoença de graves;
  4. Dtumor de pituitária;
  5. Etireotoxicose exógena.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — doença de graves;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tireotoxicose: diagnóstico etiológico na emergência

Gabarito: letra C. O quadro — febre alta, agitação psicomotora, taquicardia (FC 140 bpm), bócio difuso e exoftalmia — é clássico de doença de Graves, a causa mais comum de tireotoxicose em áreas com iodo suficiente, conforme a literatura médica de referência. A exoftalmia (oftalmopatia infiltrativa) é praticamente patognomônica da doença de Graves e não ocorre nas demais etiologias listadas.

A tireotoxicose é a síndrome clínica resultante da exposição dos tecidos a níveis elevados de hormônios tireoidianos (T4 livre e/ou T3 livre), cursando com hipermetabolismo e hiperatividade simpática. O hipertireoidismo é uma das causas de tireotoxicose, caracterizado pela hiperprodução hormonal pela própria glândula. A doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo em áreas com iodo suficiente, sendo uma doença autoimune na qual anticorpos (TRAb) se ligam ao receptor de TSH e o estimulam de forma contínua, levando a bócio difuso, aumento da produção hormonal e hipertireoidismo. Acomete mais mulheres (proporção de 7:1) e pode cursar com oftalmopatia (exoftalmia), mixedema pré-tibial e acropaquia.

No caso apresentado, a paciente tem 35 anos, sexo feminino, com bócio tireoidiano, exoftalmia, febre (39,6°C), taquicardia (FC 140 bpm), agitação psicomotora e emagrecimento — um conjunto de achados que aponta fortemente para tireotoxicose por doença de Graves. A febre alta e a agitação podem indicar crise tireotóxica (tempestade tireoidiana), uma complicação grave do hipertireoidismo, mas a pergunta é sobre a causa mais provável do problema de base, e não sobre a complicação.

As demais alternativas representam outras causas de tireotoxicose, mas com características clínicas distintas: tireoidite (subaguda, silenciosa, pós-parto) cursa com tireotoxicose por liberação de hormônios pré-formados, sem hiperfunção glandular, e geralmente sem exoftalmia; nódulo tóxico (adenoma tóxico) e bócio multinodular tóxico cursam com hipertireoidismo, mas sem oftalmopatia; tumor de pituitária (adenoma hipofisário secretor de TSH) é causa rara, com bócio difuso, mas sem exoftalmia; tireotoxicose exógena (factícia) ocorre por ingestão de hormônios tireoidianos, sem bócio e sem exoftalmia.

A distinção fundamental para a prova é: exoftalmia + bócio difuso + mulher jovem = doença de Graves até prova em contrário. A oftalmopatia infiltrativa é a chave que separa a doença de Graves das demais causas de tireotoxicose. Guarde esse trio: é exatamente ele que decide esta questão.

Critério

Doença de Graves

Tireoidite

Nódulo tóxico

Tumor de pituitária

Tireotoxicose exógena

Mecanismo

Autoimune (TRAb estimula TSH-R)

Destruição folicular (libera hormônio pré-formado)

Adenoma autônomo (nódulo quente)

Adenoma hipofisário secretor de TSH

Ingestão exógena de hormônio

Bócio

Difuso

Doloroso (subaguda)

Nódulo único

Difuso

Ausente (glândula suprimida)

Exoftalmia

Presente (patognomônica)

Ausente

Ausente

Ausente

Ausente

Captação de iodo

Aumentada

Baixa

Aumentada (no nódulo)

Aumentada

Nula

TSH

Suprimido

Suprimido

Suprimido

Elevado/inapropriadamente normal

Suprimido

Alternativa A — ❌ Incorreta

A tireoidite (subaguda, silenciosa ou pós-parto) causa tireotoxicose por destruição dos folículos com liberação de hormônios pré-formados, mas não cursa com exoftalmia. Além disso, o bócio costuma ser doloroso na tireoidite subaguda (de Quervain), e a captação de iodo radioativo está baixa — diferente da doença de Graves, em que a captação está aumentada. A febre e a dor podem ocorrer na tireoidite subaguda, mas a exoftalmia é o diferencial que afasta essa hipótese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O nódulo tóxico (adenoma tóxico) causa hipertireoidismo, mas o quadro é de nódulo único palpável, geralmente com hipertireoidismo leve, e sem exoftalmia. A cintilografia mostraria nódulo "quente" com supressão do restante da glândula. No caso, o bócio é difuso e há exoftalmia, o que não se encaixa no adenoma tóxico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença de Graves é a causa mais comum de tireotoxicose em áreas com iodo suficiente, e o quadro clínico apresentado — bócio difuso, exoftalmia, taquicardia, febre, agitação, emagrecimento em mulher jovem — é o protótipo da doença. A exoftalmia (oftalmopatia infiltrativa) é uma manifestação específica da doença de Graves, causada por infiltração linfocítica e edema da musculatura orbitária. A febre alta e a agitação podem indicar crise tireotóxica, mas a etiologia de base é a doença de Graves.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tumor de pituitária (adenoma hipofisário secretor de TSH) é causa rara de tireotoxicose, cursando com bócio difuso e TSH elevado (ou inapropriadamente normal), mas não causa exoftalmia. A exoftalmia é específica da doença de Graves, e a apresentação clínica típica (mulher jovem, bócio difuso, exoftalmia) torna essa hipótese muito menos provável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tireotoxicose exógena (factícia) ocorre por ingestão de hormônios tireoidianos (levotiroxina, por exemplo), cursando com tireotoxicose, mas sem bócio (a glândula é suprimida) e sem exoftalmia. A tireoglobulina sérica está baixa e a captação de iodo radioativo é nula. O caso apresenta bócio e exoftalmia, o que afasta essa hipótese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tireotoxicose (síndrome clínica) e hipertireoidismo (causa). Todas as alternativas podem causar tireotoxicose, mas a presença de exoftalmia é a pista que aponta exclusivamente para a doença de Graves. O candidato que não valoriza a exoftalmia pode cair em tireoidite ou tireotoxicose exógena, mas a oftalmopatia é o diferencial que decide a questão. Fique atento: exoftalmia + bócio difuso + mulher jovem = doença de Graves.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, monte um quadro mental das causas de tireotoxicose e seus achados-chave: doença de Graves (bócio difuso + exoftalmia + TRAb positivo), adenoma tóxico (nódulo único + sem exoftalmia), bócio multinodular tóxico (idosos + nódulos múltiplos + sem exoftalmia), tireoidite (bócio doloroso + sem exoftalmia + captação baixa), tireotoxicose factícia (sem bócio + sem exoftalmia + tireoglobulina baixa). A exoftalmia é o sinal que separa a doença de Graves de todas as outras.

Gabarito: letra C

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