Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2024
- Código
- fg098929
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Nível Superior - Médico - Clínica Médica
- AAINE;
- Bopioide;
- Chioscina;
- Dantibiótico;
- Etansulosina.
GabaritoA — AINE;
Gabarito: letra A. No paciente com cólica nefrética aguda (dor lombar intensa, náuseas/vômitos, hematúria, Giordano positivo, sem febre), a conduta inicial de escolha é o anti-inflamatório não esteroide (AINE), pois alivia a dor de modo semelhante aos opioides, com menos efeitos adversos — conforme as diretrizes de manejo da cólica renal. O AINE é a primeira linha; opioides ficam como segunda linha ou em associação.
A cólica nefrética é a manifestação clássica da litíase urinária obstrutiva. A dor intensa, em ondas, com irradiação para a virilha, acompanhada de náuseas e vômitos, e a presença de hematúria no EAS, com paciente afebril, fecham o diagnóstico sindrômico. O mecanismo da dor é a distensão da cápsula renal pela obstrução ao fluxo urinário, e não um processo inflamatório infeccioso — por isso a analgesia é o pilar do tratamento imediato, e não antibióticos.
A escolha do analgésico segue uma hierarquia bem definida. O AINE (ou dipirona) é a primeira linha, pois tem eficácia analgésica comparável à dos opioides, porém com menos efeitos adversos (náuseas, sedação, depressão respiratória, potencial de dependência). Os opioides (morfina, tramadol) são reservados como segunda linha, quando há contraindicação ao AINE ou dor não controlada. A associação de opioide e AINE é mais efetiva que qualquer monoterapia, mas não é a conduta inicial isolada.
A tansulosina (alfabloqueador) não é analgésico: é usada como terapia expulsiva para facilitar a passagem do cálculo, com benefício maior para cálculos de 5 a 10 mm. A hioscina (antiespasmódico) não tem papel comprovado na analgesia da cólica nefrética. O antibiótico só se justifica se houver infecção associada (febre, pielonefrite obstrutiva), o que não é o caso do paciente, que está afebril.
A pegadinha desta questão está em distinguir o tratamento da dor aguda (AINE) do tratamento da causa (tansulosina para expulsão do cálculo) e do tratamento de complicações (antibiótico para infecção). O enunciado pede a conduta "para esse momento" — o momento é a emergência, com dor intensa, sem sinais de infecção. Portanto, analgesia com AINE.
A banca explora a confusão entre o tratamento sintomático imediato e o tratamento da causa. O paciente está com dor intensa — a prioridade é analgesia. A tansulosina (letra E) é uma armadilha clássica: ela é usada na cólica nefrética, mas como terapia expulsiva, não como analgésico de emergência. O antibiótico (letra D) só entraria com febre ou sinais de infecção — o paciente está afebril. Guarde: dor aguda sem infecção → AINE.
O AINE é a primeira linha de analgesia na cólica nefrética. As diretrizes recomendam iniciar com AINE ou dipirona, pois aliviam a dor de modo semelhante aos opioides, com menos efeitos adversos. O paciente não tem contraindicação aparente (PA 130x90, sem doença renal crônica conhecida), então o AINE é a conduta mais indicada.
O opioide é segunda linha na cólica nefrética. Embora seja eficaz, tem mais efeitos adversos (náuseas, sedação, depressão respiratória) e não é a primeira escolha quando o AINE está disponível e não há contraindicação. A banca tenta atrair o candidato que pensa "dor forte = opioide", mas a diretriz prefere o AINE.
A hioscina (antiespasmódico) não tem papel comprovado na analgesia da cólica nefrética. A dor não é primariamente por espasmo da musculatura lisa ureteral, mas por distensão da cápsula renal. Não é a conduta recomendada como primeira linha.
O antibiótico só está indicado se houver infecção associada (febre, pielonefrite obstrutiva, sepse). O paciente está afebril, sem sinais de infecção — portanto, antibiótico não é a conduta para este momento. A banca testa se o candidato associa "Giordano positivo" a infecção, mas o sinal é inespecífico e aqui reflete a distensão renal pela obstrução.
A tansulosina (alfabloqueador) é usada como terapia expulsiva para facilitar a passagem do cálculo, com benefício maior para cálculos de 5 a 10 mm. Não é analgésico e não é a conduta imediata na emergência para controle da dor. A banca explora a confusão entre o tratamento da causa (expulsão) e o tratamento do sintoma (dor).
Gabarito: letra A
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