Questão de Nutrição — Dietoterapia — FGV 2024
- Código
- fg098935
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Nível Superior - Nutricionista - Nutrição
- AI, apenas;
- BII, apenas;
- CI e II, apenas;
- DII e III, apenas;
- EI, II e III.
GabaritoB — II, apenas;
Gabarito: letra B (II, apenas). A afirmativa II está correta porque a nutrição pode influenciar a expressão gênica (epigenética) e, portanto, uma alimentação inadequada é considerada fator de risco para o desenvolvimento do câncer. As afirmativas I e III estão incorretas: a I inverte o papel dos oncogenes e da p53, e a III troca os grupos de compostos que inibem e estimulam a carcinogênese.
O câncer é uma doença multifatorial caracterizada pelo crescimento descontrolado de células, que podem invadir tecidos e formar metástases. Na fisiopatologia, dois grupos de genes são centrais: os oncogenes e os genes supressores de tumor. Os oncogenes são versões alteradas de genes normais (proto-oncogenes) que, quando mutados ou superexpressos, promovem a proliferação celular descontrolada. Eles favorecem o crescimento tumoral, mas não estimulam a apoptose — pelo contrário, tendem a inibi-la ou a evadir os mecanismos de morte celular programada. Já a proteína p53 é um gene supressor de tumor, cuja função normal é reparar o DNA e induzir a apoptose em células danificadas, impedindo a formação de tumores. Quando a p53 está mutada, perde essa função protetora, contribuindo para a carcinogênese. Portanto, a afirmativa I erra ao classificar a p53 como oncogene e ao atribuir a ela a estimulação da angiogênese e da metástase — na verdade, a p53 atua como freio do processo tumoral.
A afirmativa II aborda a epigenética nutricional: nutrientes e compostos bioativos dos alimentos podem modificar a expressão gênica sem alterar a sequência do DNA, por mecanismos como metilação do DNA e modificações de histonas. Essas alterações podem ocorrer em fases críticas do desenvolvimento — gestação, infância, adolescência — e influenciar o risco de doenças crônicas, incluindo o câncer, na vida adulta. Assim, uma alimentação inadequada (por excesso, deficiência ou desequilíbrio) é considerada um fator de risco modificável para o câncer, o que torna a afirmativa correta.
A afirmativa III trata dos compostos alimentares e a carcinogênese. Os inibidores de carcinogênese são substâncias que protegem contra o desenvolvimento do câncer, como os antioxidantes (vitaminas C e E, selênio, carotenoides) e os fitoquímicos (flavonoides, polifenóis, isotiocianatos, etc.). Por outro lado, os estimuladores da carcinogênese incluem os hidrocarbonos aromáticos policíclicos (HAPs), formados durante a queima de carnes em altas temperaturas, e os compostos N-nitrosos (nitrosaminas), presentes em alimentos processados e defumados. A afirmativa III inverte essa classificação: coloca os HAPs e compostos N-nitrosos como inibidores e os fitoquímicos como estimuladores — exatamente o oposto do que a ciência da nutrição estabelece.
A banca explora a confusão entre os papéis dos oncogenes e dos genes supressores de tumor, e entre os compostos protetores e carcinogênicos. Para acertar, é essencial dominar esses conceitos básicos de biologia do câncer e nutrição. Vamos analisar cada item.
A afirmativa I está incorreta por dois erros conceituais: (1) oncogenes não estimulam a apoptose; eles promovem proliferação celular e inibem a morte celular programada. (2) A proteína p53 é um gene supressor de tumor, não um oncogene, e sua função é induzir reparo do DNA e apoptose em células danificadas — não estimular angiogênese e metástase. A banca inverteu os papéis: oncogenes favorecem o crescimento tumoral, mas não a apoptose; a p53 é supressora, não promotora de metástase.
A afirmativa II está correta. A nutrição pode alterar a expressão gênica por mecanismos epigenéticos, especialmente em fases críticas do desenvolvimento (gestação, infância). Uma alimentação inadequada é considerada fator de risco para o câncer, pois pode favorecer mutações, inflamação e desregulação do crescimento celular. Esse é um conceito consolidado em epidemiologia nutricional e dietoterapia do câncer.
A afirmativa III está incorreta porque inverte a classificação dos compostos alimentares. Os inibidores de carcinogênese são os antioxidantes (vitaminas C e E, selênio, carotenoides) e os fitoquímicos (flavonoides, polifenóis, etc.). Os estimuladores são os hidrocarbonos aromáticos policíclicos (HAPs) e os compostos N-nitrosos (nitrosaminas). A afirmativa coloca os HAPs e N-nitrosos como inibidores e os fitoquímicos como estimuladores — exatamente o contrário do que é cientificamente correto.
A banca adora inverter os papéis dos genes e dos compostos alimentares. Aqui, ela trocou oncogene por supressor de tumor (p53) e colocou os carcinógenos (HAPs, nitrosaminas) como protetores, e os fitoquímicos como carcinógenos. Fique atento: oncogenes promovem crescimento, p53 repara e induz apoptose; antioxidantes e fitoquímicos protegem, HAPs e nitrosaminas causam câncer.
Para memorizar, lembre: Oncogene = On (liga o crescimento); p53 = Protege (repara e mata células danificadas). E na dieta: Antioxidantes e Fitoquímicos = Ajudam (protegem); HAPs e Nitrosaminas = Harmam (causam câncer).
Gabarito: letra B — apenas a afirmativa II está correta.
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