Questão de Direito Processual Penal — Princípios fundamentais do direito processual penal — FGV 2024
- Código
- fg099399
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Oficial de Justiça
- AII.
- BI.
- CI e III.
- DII e III.
- EIII.
GabaritoB — I.
Gabarito: letra B. Apenas a afirmação I está correta: a vedação ao juízo de exceção e a imposição de julgamento por autoridade competente são decorrências diretas do princípio do juiz natural (ou juiz legal). A afirmação II erra ao atribuir efeito vinculante ao indiciamento perante o Ministério Público, que é autônomo e independente. A afirmação III erra ao afirmar que a produção probatória depende sempre da iniciativa das partes, pois o juiz pode determinar provas de ofício.
O princípio do juiz natural (art. 5º, XXXVII e LIII, CF) garante que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, vedando tribunais de exceção e assegurando julgamento por órgão prévio, independente e imparcial. A afirmação reproduz fielmente essa noção.
O indiciamento é, de fato, ato privativo da autoridade policial (art. 6º, VIII, CPP), mas não produz efeito vinculante em relação ao Ministério Público. O MP, dotado de autonomia e independência (art. 127, CF), pode formar livremente sua convicção e, inclusive, oferecer denúncia independentemente do indiciamento ou rejeitar a peça. A afirmação, portanto, é falsa.
O princípio da inércia (ou da demanda) impede que o juiz dê início ao processo de ofício, mas não impede que ele determine a produção de provas ex officio durante o curso processual. O Código de Processo Penal (art. 156, II) autoriza o juiz a ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção de provas relevantes. Logo, a produção probatória não depende sempre da iniciativa das partes.
Conclusão: Somente a afirmação I é correta, correspondendo à letra B.
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