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Questão de Direito Constitucional — Controle de Constitucionalidade — FGV 2024

Direito ConstitucionalControle de Constitucionalidade
Código
fg099957
Banca
FGV
Órgão
TJ-RR
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Direito
Em determinada Câmara do Tribunal de Justiça do Estado Alfa o relator percebe que há uma emenda constitucional superveniente em sentido contrário a lei municipal utilizada como fundamento e a Câmara julga o caso não aplicando a lei municipal.De acordo com a ordem constitucional, é correto afirmar que o órgão julgador agiu
  1. Aincorretamente, pois o Supremo Tribunal Federal não aplica a teoria de inconstitucionalidade superveniente.
  2. Bincorretamente, pois órgão fracionário não pode deixar de aplicar lei que considere inconstitucional., em razão da cláusula de reserva de plenário.
  3. Cincorretamente, pois se a lei municipal contrariou emenda constitucional superveniente a referida norma é constitucional, pois à época que foi editada não contrariou a constituição.
  4. Dcorretamente, pois se a lei municipal contrariou norma constitucional superveniente a referida norma é inconstitucional.
  5. Ecorretamente, pois se a lei municipal contrariou emenda constitucional superveniente a referida norma foi revogada.
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GabaritoE — corretamente, pois se a lei municipal contrariou emenda constitucional superveniente a referida norma foi revogada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle de constitucionalidade: inconstitucionalidade superveniente e revogação

Gabarito: letra E. O órgão julgador agiu corretamente, pois a lei municipal anterior à emenda constitucional que a contraria não se torna inconstitucional; ela é revogada (não recepcionada) pela nova ordem constitucional. O STF rejeita a teoria da inconstitucionalidade superveniente, entendendo que norma pré-constitucional ou anterior a emenda constitucional que com ela conflita é revogada, não inconstitucional (STF, HC 85.585; ADI 2). Assim, o órgão fracionário pode deixar de aplicar a lei com fundamento na revogação, sem necessidade de reserva de plenário.

A banca testa a distinção clássica: inconstitucionalidade (vício de nascença) vs. revogação por incompatibilidade superveniente (norma que perde validade por conflitar com nova Constituição ou emenda). A pegadinha está em chamar de "inconstitucional" o que é, na verdade, revogação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o órgão agiu incorretamente porque o STF não aplica a teoria da inconstitucionalidade superveniente. De fato, o STF não a aplica, mas isso não torna a conduta do órgão incorreta: ele justamente não aplicou essa teoria – baseou-se na revogação. A alternativa inverte a lógica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que o órgão fracionário não poderia deixar de aplicar a lei por força da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CF). Contudo, a reserva de plenário só é exigida para a declaração de inconstitucionalidade de lei. Quando se trata de revogação por norma constitucional superveniente, o órgão fracionário pode decidir pela não aplicação sem submeter ao plenário, pois não está declarando inconstitucionalidade, mas sim constatando a revogação. A jurisprudência do STF é pacífica nesse sentido (HC 85.585, RE 600.432).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Alega que o órgão agiu incorretamente porque a lei era constitucional à época de sua edição. Esse fato é verdadeiro, mas a conclusão não justifica a incorreção. A lei perdeu a validade com a emenda constitucional superveniente (foi revogada), e o órgão acertou ao não aplicá-la. A alternativa erra ao afirmar que o órgão agiu incorretamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora conclua que o órgão agiu corretamente, o fundamento está errado: a lei não é inconstitucional; ela é revogada (não recepcionada). A expressão "inconstitucional" é tecnicamente inadequada para o caso. Como a banca exige a assertiva completa e correta, a alternativa D é considerada incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Apresenta a solução exata: o órgão agiu corretamente porque a lei municipal foi revogada pela emenda constitucional superveniente. O termo "revogada" é o correto, conforme o entendimento do STF de que a incompatibilidade de norma anterior com Constituição superveniente gera revogação (não inconstitucionalidade). Portanto, a alternativa está plenamente de acordo com a ordem constitucional e a jurisprudência consolidada.

Gabarito: letra E.

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