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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg101209
Banca
FGV
Órgão
TRF - 1ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Cardiologia)
Uma paciente de 22 anos, proveniente da região nordeste do Brasil, apresenta um quadro de dor torácica e dispneia aos pequenos esforços, ascite, turgência jugular patológica e edema de membros inferiores de características crônicas. Possui o seguinte laudo ecocardiográfico: obliteração de ambos os ápices ventriculares, com moderada disfunção sistólica, volume atrial aumentado, derrame pericárdico leve, trombo ventricular e hipermotilidade da base ventricular com ápice normocinético.Com base nas informações descritas, o diagnóstico mais provável para a paciente é:
  1. Asarcoidose;
  2. Bamiloidose cardíaca;
  3. Csíndrome de Takotsubo;
  4. Dendomiocardiofibrose;
  5. Ecardiomiopatia hipertrófica.
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GabaritoD — endomiocardiofibrose;

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Endomiocardiofibrose: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra D. O quadro clínico-ecocardiográfico descrito — paciente jovem do nordeste brasileiro com insuficiência cardíaca direita crônica (ascite, turgência jugular, edema de MMII) e ecocardiograma mostrando obliteração de ambos os ápices ventriculares, trombo ventricular e hipermotilidade da base com ápice normocinético — é a apresentação clássica da endomiocardiofibrose (EMF), uma cardiomiopatia restritiva endêmica em regiões tropicais, incluindo o nordeste do Brasil.

A endomiocardiofibrose é uma forma de cardiomiopatia restritiva caracterizada por fibrose e espessamento do endocárdio, que oblitera os ápices ventriculares e frequentemente envolve as valvas atrioventriculares, levando a insuficiência cardíaca direita e esquerda. A doença é endêmica em áreas tropicais da África, Ásia e América do Sul, incluindo o Brasil, especialmente no nordeste. O ecocardiograma é o exame de escolha para o diagnóstico, mostrando a obliteração apical característica, que é o achado mais específico e que a diferencia das demais cardiomiopatias.

O diagnóstico diferencial das cardiomiopatias restritivas é amplo e inclui a amiloidose, a sarcoidose, a hemocromatose e a doença de Chagas, entre outras. No entanto, a combinação de achados clínicos e ecocardiográficos é altamente sugestiva de EMF. A obliteração apical bilateral é um achado quase patognomônico, e a presença de trombo ventricular é uma complicação comum devido à estase sanguínea nas áreas obliteradas. A hipermotilidade da base ventricular com ápice normocinético, descrita no enunciado, é um achado típico que reflete a preservação da função contrátil da base em contraste com o ápice fibrosado e não funcionante.

A distinção entre a EMF e outras cardiomiopatias restritivas é crucial, pois o tratamento e o prognóstico diferem. Enquanto a amiloidose e a sarcoidose têm tratamento específico para a doença de base, a EMF é tratada com medidas de suporte para insuficiência cardíaca e, em casos selecionados, com ressecção cirúrgica do endocárdio fibrosado. A identificação correta da etiologia é, portanto, fundamental para a abordagem terapêutica adequada.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de a paciente apresentar dor torácica e dispneia, o padrão ecocardiográfico de obliteração apical bilateral é o achado que define o diagnóstico. As alternativas A, B, C e E apresentam outras cardiomiopatias que podem cursar com insuficiência cardíaca, mas não apresentam a obliteração apical característica da EMF. A chave para a resposta correta é a combinação de epidemiologia (nordeste do Brasil), quadro clínico de IC direita e o achado ecocardiográfico típico.

Critério

Endomiocardiofibrose (gabarito)

Sarcoidose

Amiloidose

Takotsubo

Cardiomiopatia Hipertrófica

Epidemiologia

Jovem, nordeste do Brasil (área endêmica)

Adulto jovem, pode ter envolvimento pulmonar

Idosos, associada a síndrome do túnel do carpo/macroglossia

Aguda, desencadeada por estresse

Doença genética, sem predileção regional

Ecocardiograma

Obliteração apical bilateral, trombo ventricular, hipermotilidade da base com ápice normocinético

Alterações segmentares da contratilidade, aneurisma ventricular, defeitos de condução

Espessamento parietal com aspecto granular ("ground glass"), aumento atrial, derrame pericárdico

Balonamento apical (discinesia/acinesia do ápice com hipercontratilidade da base)

Hipertrofia septal assimétrica, possível obstrução da via de saída

Apresentação clínica

IC direita crônica (ascite, turgência jugular, edema)

IC restritiva, arritmias, bloqueios

IC restritiva, manifestações sistêmicas

Dor torácica e dispneia agudas, reversível

Dispneia, dor torácica, síncope; IC direita não é típica

Curso da doença

Crônica, progressiva

Crônica, variável

Crônica, progressiva

Aguda e reversível

Crônica, genética

1Epidemiologia
Jovem
Nordeste do Brasil
2Clínica (IC direita)
Ascite
Turgência jugular
Edema de MMII
3Ecocardiograma
Obliteração apical bilateral
Trombo ventricular
Base hipercinética / ápice normocinético
Endomiocardiofibrose
LEVELsoulevel.com.br
Endomiocardiofibrose: Epidemiologia (Jovem, Nordeste do Brasil); Clínica (IC direita) (Ascite, Turgência jugular, Edema de MMII); Ecocardiograma (Obliteração apical bilateral, Trombo ventricular, Base hipercinética / ápice normocinético)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sarcoidose cardíaca pode causar cardiomiopatia restritiva e insuficiência cardíaca, mas o padrão ecocardiográfico típico é diferente. Na sarcoidose, os achados mais comuns são alterações segmentares da contratilidade, aneurisma ventricular e defeitos de condução, não a obliteração apical bilateral. Além disso, a sarcoidose é mais comum em adultos jovens e pode ter envolvimento pulmonar, mas a epidemiologia e o padrão ecocardiográfico não são os da EMF.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A amiloidose cardíaca é uma cardiomiopatia infiltrativa que pode causar insuficiência cardíaca restritiva. No ecocardiograma, os achados típicos são espessamento das paredes ventriculares com aspecto granular e brilhante ("ground glass"), aumento atrial e derrame pericárdico, mas não há obliteração apical. A amiloidose é mais comum em idosos e pode estar associada a outras manifestações sistêmicas, como síndrome do túnel do carpo e macroglossia, que não estão presentes no caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de Takotsubo é uma cardiomiopatia aguda e reversível, geralmente desencadeada por estresse emocional ou físico. No ecocardiograma, o achado típico é o balonamento apical (discinesia ou acinesia do ápice com hipercontratilidade da base), que é o oposto do descrito no enunciado (hipermotilidade da base com ápice normocinético). Além disso, a Takotsubo é uma condição aguda, não crônica, e não causa obliteração apical nem trombo ventricular de forma característica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A endomiocardiofibrose é a cardiomiopatia restritiva que melhor se encaixa no quadro. A paciente é jovem, do nordeste do Brasil (área endêmica), apresenta insuficiência cardíaca direita crônica (ascite, turgência jugular, edema) e o ecocardiograma mostra a obliteração apical bilateral, trombo ventricular e hipermotilidade da base — todos achados clássicos da EMF. A doença é caracterizada por fibrose do endocárdio que oblitera os ápices ventriculares, levando a disfunção diastólica e insuficiência cardíaca.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda, geralmente assimétrica, com ou sem obstrução da via de saída. No ecocardiograma, o achado típico é a hipertrofia do septo interventricular, não a obliteração apical. A CMH pode causar dispneia e dor torácica, mas não se manifesta com insuficiência cardíaca direita crônica, ascite e turgência jugular, nem com obliteração apical bilateral. A epidemiologia também não é a mesma, sendo uma doença genética que não tem predileção pelo nordeste do Brasil.

Gabarito: letra D — endomiocardiofibrose, pela tríade de epidemiologia (nordeste), IC direita crônica e obliteração apical bilateral ao ecocardiograma.

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