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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg101221
Banca
FGV
Órgão
TRF - 1ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Clínica Geral)
Existem várias causas comuns de doença hepática crônica, que pode evoluir para cirrose. Nesses distúrbios, as manifestações da cirrose são semelhantes, com algumas pequenas variações em relação àquelas observadas em pacientes com outras causas de cirrose.Dentre as causas das doenças hepáticas crônicas, está a doença relacionada com mutação do gene HFE, com aumento do ferro sérico, da ferritina e da saturação de transferrina, causando fibrose hepática por depósito de ferro. Essa doença é conhecida como:
  1. Afibrose cística;
  2. Bhemocromatose;
  3. Cdoença de Wilson;
  4. Ddoença de Gilbert;
  5. Esíndrome de Budd-Chiari.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — hemocromatose;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemocromatose hereditária: sobrecarga de ferro e cirrose

Gabarito: letra B. A doença descrita — mutação do gene HFE, aumento do ferro sérico, da ferritina e da saturação de transferrina, com fibrose hepática por depósito de ferro — é a hemocromatose hereditária, a causa mais comum de sobrecarga de ferro geneticamente determinada. O diagnóstico é firmado pelo painel do ferro (ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro, saturação da transferrina e ferritina) associado à pesquisa de mutações do gene HFE.

A hemocromatose hereditária é uma doença autossômica recessiva caracterizada por absorção intestinal excessiva de ferro, mediada por deficiência de hepcidina — peptídeo sintetizado principalmente no fígado que regula os estoques de ferro ao inibir sua absorção intestinal. Como não há processo fisiológico de excreção de ferro (exceto por perda sanguínea ou descamação celular), o excesso se acumula em órgãos-alvo: fígado (cirrose e carcinoma hepatocelular), pâncreas (diabetes melito), gônadas (hipogonadismo), miocárdio (insuficiência cardíaca), além de artropatia e coloração escurecida da pele.

O teste de rastreamento é a saturação da transferrina, considerada positiva quando superior a 45%. É importante destacar que níveis elevados de ferritina sérica frequentemente ocorrem por esteatose hepática ou inflamação sistêmica, sem associação com sobrecarga de ferro — por isso cursam com saturação da transferrina normal. O exame indicado para avaliação de hemocromatose é a saturação da transferrina, e não a ferritina isoladamente. O tratamento baseia-se em flebotomias periódicas (sangrias) associadas ou não ao uso de quelante de ferro.

A distinção crucial para a prova está no marcador bioquímico e genético de cada doença hepática hereditária: enquanto a hemocromatose cursa com sobrecarga de ferro e mutação do HFE, a doença de Wilson cursa com acúmulo de cobre e ceruloplasmina baixa, e a doença de Gilbert é uma hiperbilirrubinemia não conjugada benigna, sem fibrose hepática. A síndrome de Budd-Chiari é uma doença vascular (obstrução das veias hepáticas), e a fibrose cística é uma doença multissistêmica com envolvimento pulmonar e pancreático predominante. Guarde essa fronteira: ferro → hemocromatose; cobre → Wilson; bilirrubina → Gilbert; veias hepáticas → Budd-Chiari; cloro/pancreático → fibrose cística — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Doença

Marcador genético

Substância acumulada

Achado-chave

Hemocromatose

Gene HFE

Ferro

Saturação de transferrina > 45%

Doença de Wilson

Gene ATP7B

Cobre

Ceruloplasmina baixa, anéis de Kayser-Fleischer

Doença de Gilbert

Gene UGT1A1

Bilirrubina não conjugada

Hiperbilirrubinemia benigna, sem fibrose

Fibrose cística

Gene CFTR

Cloro

Doença pulmonar e insuficiência pancreática

Síndrome de Budd-Chiari

— (vascular)

Obstrução das veias hepáticas

Alternativa A — ❌ Incorreta

A fibrose cística é uma doença autossômica recessiva causada por mutação no gene CFTR, que codifica o canal de cloro, levando a doença pulmonar obstrutiva, insuficiência pancreática exócrina e, em alguns casos, hepatopatia — mas não cursa com sobrecarga de ferro nem com mutação do HFE. O erro da alternativa está em trocar o gene e o mecanismo fisiopatológico: a fibrose cística não cursa com aumento de ferro sérico, ferritina ou saturação de transferrina.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hemocromatose hereditária é exatamente o que o enunciado descreve: doença relacionada à mutação do gene HFE, com aumento do ferro sérico, da ferritina e da saturação de transferrina, causando fibrose hepática por depósito de ferro. O diagnóstico é feito pelo painel do ferro (ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro, saturação da transferrina e ferritina) e pela análise genética para mutações do HFE. O rastreamento é feito pela saturação da transferrina, considerada positiva quando superior a 45%.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença de Wilson é uma doença hereditária com deficiência da excreção biliar de cobre, com acúmulo principalmente no fígado e no cérebro. Os achados característicos são comprometimento hepático e cirrose, distúrbios neuropsiquiátricos, anéis de Kayser-Fleischer na membrana corneana e anemia hemolítica com teste de Coombs negativo. O diagnóstico é feito pela dosagem de ceruloplasmina sérica baixa, aumento do cobre na urina de 24 horas e presença de anéis de Kayser-Fleischer. A alternativa troca o metal: cobre (Wilson) em vez de ferro (hemocromatose).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A doença de Gilbert é uma condição genética hereditária benigna na qual o fígado tem dificuldade em processar a bilirrubina de maneira eficiente, causando hiperbilirrubinemia não conjugada. Não cursa com fibrose hepática, cirrose, nem com sobrecarga de ferro. A alternativa confunde uma síndrome de hiperbilirrubinemia benigna com uma doença de depósito de ferro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Budd-Chiari é uma doença vascular caracterizada pela obstrução das veias hepáticas, levando a congestão hepática, hepatomegalia, ascite e, eventualmente, cirrose. Não está relacionada a mutação do gene HFE nem a sobrecarga de ferro. A alternativa troca o mecanismo: vascular (Budd-Chiari) em vez de metabólico/genético (hemocromatose).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as doenças hepáticas hereditárias que cursam com cirrose. O candidato que decora apenas os nomes pode confundir hemocromatose (ferro) com doença de Wilson (cobre) — mas o enunciado é explícito ao citar o gene HFE e o aumento do ferro sérico, da ferritina e da saturação de transferrina. Fique atento ao marcador bioquímico: ferro → hemocromatose; cobre → Wilson; bilirrubina → Gilbert; veias hepáticas → Budd-Chiari; cloro/pancreático → fibrose cística.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com as doenças hepáticas hereditárias e seus marcadores: hemocromatose (HFE, ferro, saturação de transferrina > 45%), Wilson (ceruloplasmina baixa, cobre urinário alto, anéis de Kayser-Fleischer), Gilbert (bilirrubina não conjugada, benigna), deficiência de α1-antitripsina (fenótipo A1AT), fibrose cística (CFTR, cloro). Na prova, leia o enunciado e identifique o marcador antes de escolher a alternativa.

Gabarito: letra B.

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