Paciente de 25 anos é atendida com queixa de dor em pontada no indicador da mão direita cerca de 3 horas após manipular entulhos no trabalho. Horas depois do início da dor, notou aparecimento de área esbranquiçada circular na base do dedo indicador D, com posterior surgimento de bolha no local com anel eritematoso elevado perifericamente. Tomou analgésicos e fez uso de anti-histamínico tópico. Evoluiu nos dias seguintes com escurecimento da lesão e posterior necrose da pele e tecido subcutâneo, passando a apresentar calafrios, náuseas, astenia e febre.O mais provável agente peçonhento causador da lesão é:
Aescorpião preto;
Baranha marrom;
Cescorpião amarelo;
Daranha viúva negra;
Earanha armadeira.
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GabaritoB — aranha marrom;
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Acidente por aranha-marrom (loxoscelismo)
Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — dor em pontada, área esbranquiçada circular, bolha com anel eritematoso elevado, evolução para escurecimento e necrose da pele e tecido subcutâneo, acompanhada de sintomas sistêmicos (febre, calafrios, náuseas, astenia) — é a apresentação clássica do loxoscelismo, o acidente causado pela aranha-marrom (Loxosceles). A lesão inicial com placa de cor esbranquiçada e o posterior desenvolvimento de necrose são as marcas distintivas desse envenenamento, que cursa com ação proteolítica e dermonecrótica do veneno.
O loxoscelismo é o acidente por aranha de maior relevância clínica no Brasil, embora não seja o mais frequente. A aranha-marrom (Loxosceles) é responsável por quadros que podem variar desde uma lesão local discreta até a forma cutâneo-visceral grave, com hemólise intravascular e insuficiência renal. O veneno contém a enzima esfingomielinase D, que desencadeia uma cascata inflamatória local, levando à isquemia, trombose de pequenos vasos e, consequentemente, à necrose tecidual. Essa é a razão pela qual a lesão evolui com escurecimento e necrose, diferentemente de outros acidentes que cursam predominantemente com dor ou sintomas neurotóxicos.
Na prática, o diagnóstico é essencialmente clínico-epidemiológico. A paciente manipulou entulhos, ambiente propício para a aranha-marrom, que tem hábitos domiciliares e peridomiciliares, escondendo-se em locais escuros e secos. A evolução temporal também é típica: a dor inicial é discreta, a lesão se torna evidente após algumas horas, e a necrose se estabelece nos dias seguintes. Os sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, podem aparecer nas formas mais graves, indicando possível envolvimento visceral.
A distinção entre os acidentes por aranhas de importância médica no Brasil é fundamental para a escolha correta do tratamento e para a avaliação da gravidade. Enquanto a aranha-marrom causa lesão necrótica local, a armadeira (Phoneutria) e a viúva-negra (Latrodectus) provocam quadros com predomínio de dor intensa e manifestações neurotóxicas, sem necrose tecidual significativa. Os escorpiões, por sua vez, também não produzem lesão necrótica local, mas sim dor local intensa e manifestações autonômicas.
A pegadinha que a banca explora nesta questão é a associação imediata entre "necrose" e "escorpião" ou entre "dor em pontada" e "armadeira". O candidato que não conhece a evolução característica do loxoscelismo pode se confundir. A chave está na descrição da lesão: a placa esbranquiçada que evolui para necrose é patognomônica da aranha-marrom. Guarde essa sequência: dor discreta → placa esbranquiçada → bolha com anel eritematoso → necrose → sintomas sistêmicos. É exatamente esse padrão que separa a alternativa correta das demais.
Acidentes por aranhas: Aranha-marrom (Loxosceles) (Loxoscelismo, Lesão: placa esbranquiçada → bolha → necrose, Ação dermonecrótica); Armadeira (Phoneutria) (Dor intensa e imediata, Sem necrose significativa); Viúva-negra (Latrodectus) (Latrodectismo, Dor muscular, rigidez abdominal, Sem necrose)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O escorpião preto (espécie do gênero Tityus, como o Tityus bahiensis) causa dor local intensa e imediata, com parestesia, mas não produz lesão necrótica local. O quadro descrito, com evolução para necrose da pele e tecido subcutâneo, é incompatível com o escorpionismo. A dor em pontada poderia sugerir escorpião, mas a evolução com placa esbranquiçada e necrose é típica da aranha-marrom.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A aranha-marrom (Loxosceles) é o agente causador do loxoscelismo, cuja manifestação clássica é a lesão local que evolui com placa esbranquiçada, bolha, anel eritematoso e, posteriormente, necrose da pele e tecido subcutâneo. O veneno tem ação dermonecrótica, e os sintomas sistêmicos (febre, calafrios, náuseas) podem ocorrer nas formas mais graves. O ambiente de manipulação de entulhos é propício para o encontro com essa aranha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é o principal causador de acidentes escorpiônicos no Brasil, mas seu quadro clínico é caracterizado por dor local intensa, parestesia, e, nos casos graves, manifestações autonômicas (sudorese, agitação, vômitos, arritmias). Não há necrose tecidual local, o que descarta essa alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A aranha viúva-negra (Latrodectus) causa o latrodectismo, com quadro de dor muscular intensa, rigidez abdominal, sudorese e agitação, devido à ação neurotóxica do veneno. A lesão local é discreta, muitas vezes imperceptível, e não evolui com necrose. O quadro descrito, com lesão progressiva e necrose, não se encaixa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A aranha armadeira (Phoneutria) causa dor local intensa e imediata, com parestesia, sudorese e, nos casos graves, manifestações cardiovasculares. A lesão local é geralmente discreta, com eritema e edema, mas não há necrose tecidual significativa. A evolução com placa esbranquiçada e necrose é característica da aranha-marrom, não da armadeira.