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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg101245
Banca
FGV
Órgão
TRF - 1ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Clínica Geral)
Paciente do sexo feminino, 45 anos, deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor abdominal baixa de início há 6 horas no hipogastro, com pouca resposta ao uso de analgésico em casa. Ao exame, apresentou-se estável hemodinamicamente, afebril, com dor à palpação no hipogastro e fossa ilíaca E, sem sinais de peritonite, sem massas palpáveis no abdômen. Realizada tomografia computadorizada, que produziu a imagem a seguir.Imagem associada para resolução da questãoCom base nos dados apresentados, o diagnóstico para o caso em tela é:
  1. Atumor de ovário;
  2. Bendometriose;
  3. Cneoplasia de cólon;
  4. Dlitíase renal com hidronefrose;
  5. Ediverticulite.
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GabaritoE — diverticulite.

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Diverticulite aguda: diagnóstico por imagem

Gabarito: letra E. O quadro clínico — dor abdominal baixa no hipogastro e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de peritonite — associado à tomografia computadorizada (TC) de abdome é altamente sugestivo de diverticulite aguda, sendo a TC o método de escolha para o diagnóstico dessa condição, conforme a literatura médica. As demais alternativas (tumor de ovário, endometriose, neoplasia de cólon e litíase renal) não se encaixam no quadro clínico e nos achados de imagem descritos.

A diverticulite aguda é uma complicação da doença diverticular dos cólons, caracterizada pela inflamação e, frequentemente, infecção de um ou mais divertículos — pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, mais comumente no cólon sigmoide (lado esquerdo). A dor abdominal é o sintoma mais frequente, tipicamente localizada no quadrante inferior esquerdo, podendo haver alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia), náuseas e, em casos mais graves, febre e sinais de peritonite. No caso apresentado, a paciente tem dor no hipogastro e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de peritonite, o que é compatível com um quadro não complicado de diverticulite.

A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de diverticulite aguda, com alta sensibilidade e especificidade. Os achados típicos incluem espessamento da parede do cólon, presença de divertículos, inflamação da gordura pericolônica (densificação da gordura) e, em casos complicados, abscessos, fístulas ou perfuração. A TC também é útil para avaliar a gravidade da doença e guiar o tratamento, que pode ser clínico (antibióticos, dieta) ou cirúrgico, dependendo da presença de complicações.

É importante diferenciar a diverticulite de outras causas de dor abdominal baixa, como apendicite (dor em fossa ilíaca direita), doença inflamatória pélvica (em mulheres, com dor à mobilização do colo do útero), litíase renal (dor em flanco irradiada para fossa ilíaca e genitália, com hematúria) e neoplasias de cólon (que podem causar dor, mas geralmente com outros sintomas como perda de peso, anemia e alteração do hábito intestinal). A endometriose, por sua vez, é uma causa de dor pélvica crônica, cíclica, associada à dismenorreia e dispareunia, não se apresentando como um quadro agudo como o descrito.

A banca explora a confusão entre a diverticulite (que acomete o lado esquerdo) e a apendicite (lado direito), além de incluir diagnósticos ginecológicos e urológicos que podem causar dor abdominal baixa. A chave para a resolução é a localização da dor (fossa ilíaca esquerda) e o método de imagem utilizado (TC), que é o padrão-ouro para o diagnóstico de diverticulite.

Diverticulite aguda
  • 1Localização
    • Cólon sigmoide (lado esquerdo)
    • Dor em fossa ilíaca esquerda
  • 2Diagnóstico
    • TC é o método de escolha
    • Espessamento da parede do cólon
    • Inflamação da gordura pericolônica
  • 3Tratamento
    • Clínico (antibióticos, dieta)
    • Cirúrgico (se complicado)
  • 4Diagnósticos diferenciais
    • Apendicite (fossa ilíaca direita)
    • Litíase renal (flanco, hematúria)
    • Endometriose (dor pélvica crônica cíclica)
    • Neoplasia de cólon (quadro crônico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O tumor de ovário pode causar dor abdominal baixa, mas geralmente se apresenta como massa pélvica palpável, podendo ser assintomático ou causar sintomas compressivos. A TC mostraria uma massa anexial, e não os achados típicos de diverticulite (espessamento de parede colônica e inflamação pericolônica). Além disso, o quadro agudo de dor com pouca resposta a analgésico não é a apresentação clássica de tumor de ovário, que costuma ser insidioso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A endometriose é uma causa de dor pélvica crônica, cíclica, associada a dismenorreia e dispareunia, e não um quadro agudo como o descrito. O diagnóstico é clínico e pode ser auxiliado por ultrassonografia ou ressonância magnética, mas a TC não é o método de escolha e não mostraria os achados de diverticulite. A paciente não apresenta características sugestivas de endometriose, como dor cíclica ou infertilidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A neoplasia de cólon pode causar dor abdominal, mas geralmente se apresenta com alteração do hábito intestinal, sangramento retal, anemia e perda de peso, sendo um quadro mais crônico. Na TC, um tumor de cólon apareceria como uma lesão vegetante ou espessamento focal da parede, possivelmente com linfonodos aumentados, mas não com o padrão de inflamação pericolônica típico da diverticulite. O quadro agudo de dor em fossa ilíaca esquerda sem outros sintomas é mais compatível com diverticulite.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A litíase renal com hidronefrose causa dor em flanco, irradiada para fossa ilíaca e genitália, associada a náuseas, vômitos e hematúria. A TC sem contraste é o método de escolha para urolitíase, mostrando o cálculo e a hidronefrose, mas não os achados de diverticulite. A localização da dor (hipogastro e fossa ilíaca esquerda) e a ausência de sintomas urinários tornam essa hipótese improvável.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A diverticulite aguda é a causa mais provável de dor abdominal baixa em fossa ilíaca esquerda, e a TC é o exame de escolha para o diagnóstico, mostrando espessamento da parede do cólon, divertículos e inflamação da gordura pericolônica. O quadro clínico da paciente — dor no hipogastro e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de peritonite — é compatível com diverticulite não complicada, e a TC confirmaria o diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a diverticulite (lado esquerdo) com a apendicite (lado direito), que é a causa mais comum de dor abdominal aguda. Fique atento à localização da dor: diverticulite dói no quadrante inferior esquerdo, enquanto a apendicite dói no quadrante inferior direito. Além disso, a TC é o método de escolha para diverticulite, enquanto a apendicite pode ser diagnosticada clinicamente ou com USG/TC em casos duvidosos.

Gabarito: letra E

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