Questão de Português — Variação Linguística — FGV 2024
Português›Variação Linguística
Código
fg102401
Banca
FGV
Órgão
DATAPREV
Ano
2024
Nível
Superior
Quando oiei a terra ardendoQual fogueira de São JoãoEu preguntei a Deus do céu, uaiPor que tamanha judiação?Nos versos de Luiz Gonzaga, o eu poético narra, em primeira pessoa, suas impressões sobre um determinado assunto.Para isso, ele utiliza construções linguísticas próprias, constatadas pelo uso
Ade uma norma linguística regional, a fim de caracterizar a cultura e o modo de vida do interior.
Bdo termo comparativo “qual”, que estabelece uma analogia entre terra e fogueira.
Cde modalidade oral, que apresenta poucos recursos comunicativos, se comparada à modalidade escrita.
Ddo substantivo judiação, que reitera a tristeza do poeta nos trechos em destaque.
Ede uma norma linguística desprestigiada, que serve para apontar a desigualdade social.
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GabaritoA — de uma norma linguística regional, a fim de caracterizar a cultura e o modo de vida do interior.
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Análise da Variação Linguística nos Versos de Luiz Gonzaga
Gabarito: letra A. O fragmento emprega marcas de oralidade e regionalismo típicas do falar do interior nordestino, como "oiei", "preguntei" e "uai". Essas construções caracterizam a cultura e o modo de vida do sertanejo, conforme a alternativa A. As demais alternativas incorrem em troca de foco, preconceito linguístico ou extrapolação.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto apresenta formas não padrão: "oiei" (olhei), "preguntei" (perguntei), "uai" (interjeição regional). Essas marcas de variação regional são usadas intencionalmente para retratar a fala do homem do interior, conferindo autenticidade à cena. O enunciado pede "construções linguísticas próprias" que expressem essa caracterização, e a alternativa A capta exatamente isso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Qual fogueira de São João"
O termo "qual" estabelece uma comparação, mas a questão não pergunta sobre figuras de linguagem isoladas. A alternativa troca o foco: em vez de identificar a variação regional, destaca um recurso estilístico específico, que não é a "construção linguística própria" referida no comando. Além disso, a banca quer a caracterização da variedade, não a análise de um vocábulo comparativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a modalidade oral "apresenta poucos recursos comunicativos, se comparada à modalidade escrita". Trata-se de um juízo de valor (preconceito linguístico) não presente no texto. O fragmento não faz essa comparação nem emite opinião sobre a riqueza da oralidade. A alternativa acrescenta opinião e generaliza indevidamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Por que tamanha judiação?"
"Judiação" realmente expressa sofrimento, mas o foco da questão é a variação linguística, não o significado lexical de um substantivo. A alternativa troca o conceito: analisa o conteúdo semântico, quando o comando pede a identificação do tipo de construção linguística (norma regional).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a norma usada é "desprestigiada" e "serve para apontar a desigualdade social". O texto não discute prestígio nem desigualdade; apenas mostra a fala do eu poético. A alternativa extrapola ao atribuir uma intenção sociológica que não está no texto, e também carrega um juízo de valor ("desprestigiada") que configura preconceito linguístico.
Conclusão: A única alternativa integralmente sustentada pelo texto é a A, que reconhece a variação regional como recurso para caracterizar a cultura interiorana.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre variação linguística, desconfie de alternativas que embutem opiniões negativas ("poucos recursos", "desprestigiada") ou que fogem do foco pedido (figuras de linguagem, significado isolado). A resposta está nas marcas concretas do texto: "oiei", "preguntei", "uai".