Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2024
- Código
- fg102466
- Banca
- FGV
- Órgão
- DATAPREV
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio
- Afunção metalinguística.
- Bfunção emotiva.
- Cfunção conativa.
- Dfunção referencial.
- Efunção fática.
GabaritoA — função metalinguística.
Gabarito: letra A. O trecho reflete sobre o próprio ato de escrever, caracterizando a função metalinguística, que ocorre quando a linguagem se volta para o seu código. O poeta descreve o trabalho do escritor com verbos como "escreve", "trabalha", "teima", "lima", "sofre" e "sua", todos relacionados à produção textual, evidenciando a autorreferência.
"Longe do estéril turbilhão da rua, / Beneditino, escreve! / No aconchego / Do claustro, no silêncio e no sossego, / Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!"
O comando da questão pede a função majoritariamente presente, e a ênfase recai sobre a reflexão acerca do fazer poético.
A função metalinguística está explícita: o texto fala do próprio ato de escrever. O verbo "escreve" e a sequência de ações do escritor indicam que a linguagem está comentando a si mesma, seu código e sua produção.
A função emotiva (ou expressiva) centra-se na manifestação de emoções do emissor. Embora o tom seja solene, o foco não são os sentimentos do autor, mas sim o processo de escrita. Não há marcas de subjetividade intensa ou desabafo.
A função conativa (apelativa) visa influenciar o receptor, usando imperativos. De fato, há o imperativo "escreve!", mas ele está inserido em um contexto de reflexão sobre a própria atividade de escrever, não de persuasão do leitor. O destinatário é o próprio escritor (Beneditino), e o objetivo não é convencer, mas descrever o ofício. A banca tenta confundir com a presença do verbo no imperativo, mas o teor predominante é metalinguístico.
Confundir conativa com metalinguística devido ao imperativo "escreve!". O erro é ignorar que o foco temático é a própria escrita.
A função referencial transmite informações objetivas sobre a realidade. O trecho não informa fatos externos; ele discorre sobre o ato de escrever, ou seja, sobre o próprio código linguístico.
A função fática serve para estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação (ex.: "alô", "entende?"). Não há aqui elementos de contato ou verificação do canal.
Conclusão: A única alternativa integralmente sustentada pelo texto é a letra A, pois o fragmento de Olavo Bilac é uma meta-reflexão sobre o ofício de escrever, característica central da função metalinguística.
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