Crônica: foco em um fato isolado do cotidiano
Gabarito: letra B. O texto é designado como crônica porque apresenta um fato isolado do cotidiano – a pelada de meninos e a intervenção do guarda que fura a bola – sem estabelecer relação com outros acontecimentos. A crônica, como gênero, frequentemente narra um único episódio da vida diária, destacando‑o do fluxo contínuo de eventos. No texto, a ação se concentra na pracinha, num momento específico: a chegada do velho que expulsa as crianças e fura a bola. Não há conexão com fatos anteriores ou posteriores; o relato se encerra no ato da destruição. Isso caracteriza a crônica como uma “fatia de vida” sem desdobramentos.
“Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda‑livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. … O espantalho‑gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá‑lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.”
Esse trecho mostra o clímax do fato isolado: a única ação principal, sem relação com outros eventos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A narrativa não é direta nem sem interrupções. O autor insere comentários e reflexões (ex.: “Já reparei uma coisa: bola de futebol…”, “Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem‑pulo de craque…”), que quebram a linearidade. Uma crônica pode ter pausas para observações pessoais, o que invalida a ideia de “narrativa direta sem interrupções”.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como explicado, o texto relata um único episódio (a pelada e sua destruição) sem articulá‑lo a outros fatos. A crônica tradicionalmente foca em um instante do dia a dia, sem necessidade de contextualização mais ampla. O texto começa com a praça sem a pelada, recorda a brincadeira e termina com o guarda furando a bola – tudo centrado nesse pequeno acontecimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. Embora o autor faça comentários poéticos e críticos (por exemplo, a metáfora da bola “sangrando” e “coração de criança”), a razão principal para designar o texto como crônica não é a presença de comentários, mas sim o fato de narrar um acontecimento cotidiano. A crônica pode ou não conter comentários explícitos; o que a define é o recorte de um fato comum. Além disso, o texto não se limita a comentar: ele narra uma cena concreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: generalização. “Explorar um tema simples, popular” é uma característica típica de muitos textos, não exclusiva da crônica. O texto realmente aborda um tema popular (futebol de rua), mas isso não é suficiente para classificá‑lo como crônica. Outros gêneros (conto, reportagem) também podem tratar de temas simples. A banca pede o fato que justifica a classificação, e o fato é o relato de um evento isolado, não a temática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo. A crônica não tem a intenção de informar como uma notícia ou reportagem. Ela é um texto literário, subjetivo, que interpreta a realidade. O texto de Armando Nogueira não se limita a informar um fato curioso; ele o recria com linguagem figurada, emoção e reflexão (ex.: “Em cada gomo o coração de uma criança”). Informar é secundário; o principal é narrar e expressar uma visão pessoal sobre o ocorrido.
Conclusão: A única alternativa que descreve precisamente a razão de o texto ser uma crônica é a B: mostrar um fato isolado, sem relação com outros – traço fundamental do gênero cronístico. Gabarito: letra B.