Questão de Administração Pública — Intermediação de interesses (clientelismo, corporativismo e neocorporativismo) — FGV 2024
Administração Pública›Intermediação de interesses (clientelismo, corporativismo e neocorporativismo)
Código
fg103320
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Vitória - ES
Ano
2024
Nível
Superior
Com relação às estratégias utilizadas pelos governos para o incremento de sua legitimidade, assinale V para afirmativas verdadeiras e F para as falsas.( ) O corporativismo estatal refere-se à troca de benefícios entre setores da sociedade e a classe política do Estado.( ) O clientelismo trata-se de interlocutores representantes de categorias profissionais.( ) O neocorporativismo trata-se de entidades privadas concedidas pelo Estado que possuem o direito de participar de processos decisórios.As afirmativas são, respectivamente,
AF – V – V.
BV – F – V.
CF – V – F.
DV – V – F.
EF – F – V.
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GabaritoE — F – F – V.
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Intermediação de interesses: corporativismo, clientelismo e neocorporativismo
Gabarito: letra E (F – F – V). A primeira afirmativa troca clientelismo por corporativismo estatal; a segunda troca corporativismo/neocorporativismo por clientelismo; apenas a terceira descreve corretamente o neocorporativismo como entidades privadas que conquistam o direito de participar de decisões, com reconhecimento institucional pelo Estado. A banca testa a capacidade de distinguir esses três modelos de intermediação.
O contexto fornecido () detalha que no corporativismo estatal o Estado cria e controla as entidades representativas, impondo regras. Já no neocorporativismo, as entidades são privadas e pré-existentes, e o Estado reconhece institucionalmente sua participação. O clientelismo, por sua vez, caracteriza-se pela troca de favores pessoais (benefícios por apoio político), sem a lógica de representação de categorias.
Intermediação de interesses: Corporativismo estatal; Estado cria entidades; Estado controla regras; Subordinação; Neocorporativismo; Entidades privadas pré-existentes; Reconhecimento institucional; Participam de decisões; Clientelismo; Troca de favores pessoais; Benefícios por apoio político; Relação individual
Afirmativa 1 — ❌ Falsa
O enunciado afirma: “O corporativismo estatal refere-se à troca de benefícios entre setores da sociedade e a classe política do Estado.” Isso descreve exatamente o clientelismo – uma relação assimétrica de troca de favores pessoais (votos, apoio) por benefícios particularistas. No corporativismo estatal, ao contrário, o Estado cria as entidades representativas e impõe as regras do jogo, não havendo necessariamente troca de benefícios. O contexto () reforça: no corporativismo clássico, “é o próprio Estado que impõe e define estas relações”. Portanto, a afirmativa é falsa.
Afirmativa 2 — ❌ Falsa
A segunda afirmativa diz: “O clientelismo trata-se de interlocutores representantes de categorias profissionais.” Essa definição se aplica ao corporativismo (entidades que representam categorias profissionais, criadas pelo Estado) ou ao neocorporativismo (entidades privadas com representação de interesses profissionais). O clientelismo, porém, não se baseia em representação de categorias, mas em relações pessoais de patronagem e clientela. Logo, a afirmativa está errada.
Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira ⟵ GABARITO
A terceira afirmativa: “O neocorporativismo trata-se de entidades privadas concedidas pelo Estado que possuem o direito de participar de processos decisórios.” O contexto () esclarece: no neocorporativismo, “são as entidades privadas que conquistam o direito de participar do processo decisório” e “o Estado não cria essas entidades, mas concede-lhes o reconhecimento institucional e lhes delega algumas funções”. Apesar da palavra “concedidas” poder sugerir uma criação estatal (o que é típico do corporativismo), o sentido geral da afirmativa é de que o Estado reconhece e autoriza a participação de entidades privadas – o que corresponde ao neocorporativismo. A banca considerou a afirmativa verdadeira.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverteu as definições: na primeira afirmativa, usou a descrição do clientelismo para o corporativismo; na segunda, usou a descrição do corporativismo para o clientelismo. Fique atento ao sujeito da frase: quem cria as entidades? Se o Estado cria, é corporativismo; se as entidades são pré-existentes e apenas reconhecidas, é neocorporativismo. Já o clientelismo não envolve entidades formais, mas relações pessoais de troca.