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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg103361
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Vitória - ES
Ano
2024
Nível
Médio
Observe os versos de Vinicius de Moraes:“Para que vieste na minha janela meter o nariz? / Se foi por um verso, não sou mais poeta. / Ando tão feliz!”Assinale a afirmação correta sobre a estruturação ou a significação desse pequeno texto.
  1. AA utilização da linguagem popular nesses versos mostra o desprezo que os autores modernistas tinham pela própria poesia.
  2. BOs versos de Vinicius mostram o cuidado com a norma culta, que os poetas sempre preservaram.
  3. CSegundo o texto, a infelicidade é indispensável à produção poética.
  4. DA preposição “por” no segmento “Se foi por um verso” tem o valor de causa.
  5. EO verbo “andar”, no último verso do poema, indica um movimento lento e progressivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Segundo o texto, a infelicidade é indispensável à produção poética.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação do poema de Vinicius de Moraes

Gabarito: letra C. O texto afirma que a infelicidade é indispensável à produção poética, uma vez que o eu lírico, por estar feliz, declara não ser mais poeta. Essa é a única alternativa inteiramente sustentada pelo poema.

O comando da questão pede a afirmação correta sobre a estruturação ou significação do texto. É uma questão de compreensão/inferência: não há uma frase literal dizendo “a infelicidade é indispensável”, mas a lógica do poema leva a essa conclusão.

Vamos analisar cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Para que vieste na minha janela meter o nariz? / Se foi por um verso, não sou mais poeta. / Ando tão feliz!”

A alternativa afirma que o uso de linguagem popular mostra desprezo dos modernistas pela própria poesia. O poema usa uma linguagem coloquial (“meter o nariz”), mas não há qualquer menção a modernistas ou a um desprezo pela poesia. O eu lírico apenas diz que, por estar feliz, não é mais poeta. A alternativa extrapola o texto, atribuindo-lhe uma visão geral sobre o modernismo que não existe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os versos demonstram cuidado com a norma culta, que os poetas sempre preservaram.

O poema mescla formas como “vieste” (tu, mais formal) com “meter o nariz” (coloquial). Não há uma preocupação uniforme com a norma culta. Além disso, a generalização “que os poetas sempre preservaram” não tem apoio no texto – é um estereótipo cultural. A alternativa tangencia e generaliza indevidamente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Segundo o texto, a infelicidade é indispensável à produção poética.”

O poema diz: “Se foi por um verso, não sou mais poeta. / Ando tão feliz!”. A relação é clara: o eu lírico deixou de ser poeta porque está feliz. Logo, a condição para ser poeta é a infelicidade (ou ao menos a ausência de felicidade absoluta). Essa é uma inferência legítima, ancorada no contraste entre a felicidade presente e a negação da identidade poética. Portanto, correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“A preposição ‘por’ no segmento ‘Se foi por um verso’ tem o valor de causa.”

No contexto, “por” indica finalidade/purpose, não causa. A personagem veio em busca de (ou para obter) um verso. A oração “Se foi por um verso” equivale a “Se veio para conseguir um verso” ou “Se o motivo foi a procura de um verso”. A preposição “por” aí introduz a intenção, não a causa. A banca considera que valor causal seria outro (“por causa de um verso já existente”). Logo, a alternativa confunde o valor semântico da preposição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“O verbo ‘andar’, no último verso do poema, indica um movimento lento e progressivo.”

No trecho “Ando tão feliz”, o verbo “andar” não expressa locomoção, mas estado (equivalente a “estou”). É um verbo de estado, comum na língua portuguesa: “andar feliz” = “estar feliz”. A alternativa interpreta erroneamente o sentido do verbo, atribuindo-lhe sentido literal de movimento.

Conclusão: A única alternativa que se sustenta no texto é a C, que infere corretamente a relação entre felicidade e produção poética. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou interpretam erroneamente aspectos linguísticos.

Gabarito: letra C.

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