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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg103734
Banca
FGV
Órgão
TJ-AP
Ano
2024
Nível
Superior
Observe o trecho narrativo a seguir, fundamentado na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal:“No dia 23 de abril, pela manhã, saímos de nossa nau, preparamos um batel e dirigimo-nos à terra, onde já nos esperavam alguns índios. Reconheci, entre eles, um que, no dia anterior, me dera um colar de penas em troca de algumas contas. Logo a seguir, passamos a caminhar pela areia, ainda que com alguma dificuldade, porque nossos casacos grandes não ajudavam com o calor e nossas botas grossas atrapalhavam nosso andar. Pensava no que nos estaria aguardando mais tarde, depois que passássemos o pequeno rochedo da extremidade da praia, talvez uma tribo inteira ou alguns animais ferozes. Continuamos nossa caminhada.”Sobre a estruturação desse texto narrativo, é inadequada a seguinte afirmativa:
  1. Aa marcação do tempo, no início do texto, é feita de forma direta, pela indicação de uma data;
  2. Bcertas indicações sobre a cronologia da narrativa aparecem de forma indireta por meio das vestimentas dos personagens;
  3. Co ritmo desse texto inclui uma volta ao passado por meio da lembrança de com quem o narrador havia trocado presentes;
  4. Do ritmo dessa narrativa também inclui uma projeção futura, com os fatos imaginados pelo narrador sobre o que o esperava após o rochedo;
  5. Ecomo narrador onisciente que é, o autor do texto tem o cuidado de informar o leitor sobre os fatos mais importantes da narrativa, principalmente sobre a passagem do tempo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — como narrador onisciente que é, o autor do texto tem o cuidado de informar o leitor sobre os fatos mais importantes da narrativa, principalmente sobre a passagem do tempo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estrutura do texto narrativo: narrador e tempo

Gabarito: letra E. A afirmativa E é inadequada porque classifica erroneamente o narrador como "onisciente", quando o texto é narrado em primeira pessoa ("saímos", "nossos", "pensava") — um narrador-personagem com visão limitada. A passagem "Pensava no que nos estaria aguardando" revela apenas a perspectiva do narrador, não de todos. As demais alternativas descrevem corretamente recursos do texto: marcação direta do tempo (A), indicações indiretas pelas vestimentas (B), flashback (C) e projeção futura (D).

Alternativa A — ✅ Correta

"No dia 23 de abril, pela manhã, saímos de nossa nau..."

O tempo é indicado de forma direta e explícita por uma data. A afirmativa está de acordo com o texto.

Alternativa B — ✅ Correta

"...porque nossos casacos grandes não ajudavam com o calor e nossas botas grossas atrapalhavam nosso andar."

As vestimentas (casacos e botas) sugerem indiretamente a estação do ano ou o clima, funcionando como marca temporal indireta. Correta.

Alternativa C — ✅ Correta

"Reconheci, entre eles, um que, no dia anterior, me dera um colar de penas..."

O narrador recorre a uma lembrança do passado (analepse), o que altera o ritmo narrativo. Afirmativa adequada.

Alternativa D — ✅ Correta

"Pensava no que nos estaria aguardando mais tarde, depois que passássemos o pequeno rochedo..."

Há uma projeção futura (prolepse), com fatos imaginados pelo narrador. Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

(sem trecho, pois a afirmativa é falsa)

A afirmativa diz: "como narrador onisciente que é, o autor do texto tem o cuidado de informar o leitor sobre os fatos mais importantes da narrativa". O texto é narrado em primeira pessoa ("saímos", "dirigimo-nos", "Pensava"), típico de um narrador-personagem, não onisciente. Um narrador onisciente conheceria pensamentos de todos e teria visão global; aqui, a narrativa é limitada ao ponto de vista do "nós". Portanto, a classificação é inadequada. Além disso, a passagem do tempo é informada por meios diretos e indiretos, não por um suposto cuidado onisciente.

Pegadinha: confundir narrador em primeira pessoa com narrador onisciente. O uso de "pensava" e a descrição subjetiva podem dar a falsa impressão de onisciência, mas o pronome "nós" e a restrição ao grupo do narrador indicam perspectiva interna.

Gabarito: letra E.

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