Questão de Português — Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos. — FGV 2024
Português›Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos.
Código
fg103999
Banca
FGV
Órgão
TRF - 1ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Médio
O célebre orador Padre Antônio Vieira disse certa vez: “Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos”.A afirmação correta sobre a estruturação e significação desse fragmento textual é:
A“existir” e “durar” correspondem, respectivamente, a uma vida inútil e útil;
Bo texto incentiva os ouvintes a praticarem o bem através de ações positivas;
Ca frase “O que não se faz não existe” é uma redundância óbvia, podendo ser retirada, sem prejuízo, do texto;
Da consequência do que é dito pelo orador é que todos nós somos frutos de nossas obras;
Eos dois últimos períodos da frase mostram uma explicação dos períodos anteriores.
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GabaritoD — a consequência do que é dito pelo orador é que todos nós somos frutos de nossas obras;
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Significação contextual e estruturação do fragmento
Gabarito: letra D. A fala de Vieira estabelece uma antítese entre "fazer" (existir) e "não fazer" (apenas durar), concluindo que somos definidos por nossas ações. A alternativa D parafraseia corretamente essa ideia central: "somos frutos de nossas obras".
Antítese do fragmento
1Fazer
Existir (vida útil)
2Não fazer
Apenas durar (vida inútil)
3Conclusão (Portanto)
Somos frutos de nossas obras
4Relações lógicas
"O que não se faz não existe"
Elo lógico (não é redundante)
"Portanto"
Conclusão (não explicação)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto opõe "existir" (quando fazemos) a "durar" (quando não fazemos). Logo, existir corresponde a uma vida útil, e durar a uma vida inútil. A alternativa inverte o sentido, atribuindo a cada termo o valor oposto. Erro: contradiz o texto (inversão de antônimos).
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto não menciona "bem" ou "ações positivas" — fala genericamente de "fazer". Atribuir um conteúdo moral ao fragmento é extrapolar (acrescentar opinião alheia ao texto).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A frase "O que não se faz não existe" não é redundante; ela é um elo lógico no raciocínio: estabelece que a inexistência decorre da inação. Suprimí-la quebraria a argumentação. Erro: afirmar que é redundante e descartável contradiz a função coesiva do período.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O fragmento inicia com "Nós somos o que fazemos" e conclui com "só existimos nos dias em que fazemos". A consequência direta é que nossas obras (ações) nos definem. A alternativa D sintetiza essa relação de causa-consequência sem acrescentar ou distorcer. Apoio textual: "> Nós somos o que fazemos. ... Portanto, só existimos nos dias em que fazemos."
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os dois últimos períodos introduzidos por "Portanto" expressam conclusão, não explicação. Explicação esclarece uma causa; conclusão extrai um efeito lógico do que foi dito antes. Erro: confundir relação de consequência com explicação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a oposição binária do texto (existir × durar) para inverter os valores na alternativa A, e tenta atrair o candidato com uma leitura moralizante (B) ou com falsa redundância (C). A chave é perceber que o texto é um raciocínio lógico encerrado por uma conclusão marcada pelo conectivo "Portanto". 💡 Dica: Ao analisar antíteses, verifique qual polo é positivo e qual é negativo no contexto — não confie no senso comum. Além disso, identifique a palavra-chave "Portanto" para saber que o trecho final é conclusivo, não explicativo.