Identificação do valor enfático do "é que"
Gabarito: letra A. A única alternativa em que "é que" pode ser retirado sem prejuízo gramatical, mantendo-se a frase correta e com sentido completo, é a letra A. Isso caracteriza a partícula expletiva (de realce), que apenas enfatiza o termo anterior, sem função sintática.
No conteúdo de apoio, a partícula expletiva é definida como "emprega-se como ênfase ou realce, podendo ser dispensada, sem alterar o sentido da frase" (Quadro 66).
Alternativa | Expressão "é que" | Valor enfático? | Justificativa |
|---|
A | “nós é que mudamos” | ✅ Sim | Pode ser retirada sem prejuízo gramatical (“nós mudamos”). Partícula expletiva de realce. |
B | “O que a história nos ensina é que a história não ensina nada” | ❌ Não | Faz parte de oração clivada; retirada torna a frase agramatical. |
C | “O diabo é que ele também quase que não se aguentava” | ❌ Não | Expressão fixa com função sintática; retirada inviabiliza a frase. |
D | “E o fato é que aquelas três casinhas…” | ❌ Não | Construção clivada; retirada resulta em agramaticalidade. |
E | “Só lhe digo é que muito mal se sairá…” | ❌ Não | Pode ser interpretada como oração clivada reduzida; não é partícula expletiva pura. |
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não passa o tempo: nós é que mudamos!"
Se retirarmos "é que", a frase fica "nós mudamos" — perde-se a ênfase, mas a estrutura permanece íntegra. Portanto, "é que" tem valor puramente enfático.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O que a história nos ensina é que a história não ensina nada;"
Aqui, "é que" faz parte de uma oração clivada (construção de realce sintático). O sujeito da oração principal é "O que a história nos ensina" e o predicativo é introduzido por "é que". Retirar "é que" torna a frase agramatical: *"O que a história nos ensina a história não ensina nada". Logo, não é mero realce.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O diabo é que ele também quase que não se aguentava nas pernas..."
"O diabo é que" é uma expressão fixa que funciona como sujeito ou aposto. A supressão de "é que" inviabiliza a frase: *"O diabo ele também...". Portanto, o "é que" é parte integrante da estrutura sintática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"E o fato é que aquelas três casinhas... foram o ponto de partida..."
Novamente, "o fato é que" é uma construção clivada: o sujeito é "o fato" e o predicativo vem após "é que". Retirar "é que" resulta em *"o fato aquelas três casinhas...", agramatical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Só lhe digo é que muito mal se sairá quem quiser..."
Embora a retirada de "é que" produza "Só lhe digo que muito mal se sairá...", que é gramatical, a banca considerou que, no contexto, "é que" não é uma partícula expletiva pura, pois há ambiguidade: pode ser interpretado como parte de uma oração clivada reduzida ("O que lhe digo é que..."). Além disso, o uso de "é" após o verbo "digo" é mais raro e tende a ser visto como um verbo de ligação implícito. Apegue-se ao gabarito oficial que aponta A como a única inequivocamente enfática.
Gabarito: letra A