Sobre os instrumentos da política fiscal e seus efeitos no curto prazo, assinale a opção correta.
AUma redução de impostos desloca a demanda agregada para a esquerda, contraindo o nível de atividade.
BO efeito multiplicador independe da propensão marginal a consumir, sendo igual para gasto e tributos.
CA política fiscal atua apenas no mercado monetário, não afetando o mercado de bens e serviços.
DEm recessão, a política fiscal contracionista é o instrumento usual para elevar produto e emprego no curto prazo.
EUm aumento do gasto do governo eleva a demanda agregada via efeito multiplicador, em geral com impacto inicial maior do que uma redução de impostos de igual valor.
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GabaritoE — Um aumento do gasto do governo eleva a demanda agregada via efeito multiplicador, em geral com impacto inicial maior do que uma redução de impostos de igual valor.
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Política Fiscal: Instrumentos e Multiplicadores no Curto Prazo
Gabarito: letra E. O multiplicador dos gastos do governo é maior que o multiplicador tributário, logo um aumento de gastos eleva a demanda agregada com impacto inicial maior que uma redução de impostos de mesmo valor. Esse resultado decorre da teoria keynesiana, em que o multiplicador de gastos é 1/(1-c) e o dos tributos é c/(1-c), sendo c a propensão marginal a consumir.
A questão cobra os efeitos de curto prazo da política fiscal no modelo keynesiano, especialmente os multiplicadores e o deslocamento da curva IS. Vamos analisar cada alternativa.
Instrumento
Multiplicador (keynesiano)
Efeito sobre a Demanda Agregada (curto prazo)
Impacto Inicial (comparado a igual valor)
Aumento dos Gastos do Governo (G)
1/(1-c)
Expansão (desloca para a direita)
Maior
Redução de Impostos (T)
c/(1-c)
Expansão (desloca para a direita)
Menor
Aumento de Impostos (T)
-c/(1-c)
Contração (desloca para a esquerda)
—
Redução dos Gastos do Governo (G)
-1/(1-c)
Contração (desloca para a esquerda)
—
Multiplicadores keynesianos: Gasto do governo (G) (Fórmula: 1/(1-c), Impacto inicial: maior); Tributos (T) (Fórmula: c/(1-c), Impacto inicial: menor); Propensão marginal a consumir (c) (Aumenta ambos os multiplicadores)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que uma redução de impostos desloca a demanda agregada para a esquerda, contraindo o nível de atividade. Na verdade, a redução de impostos é uma política fiscal expansionista, que aumenta a renda disponível, eleva o consumo e desloca a demanda agregada para a direita, expandindo o produto. Conforme o material de apoio, a política fiscal expansionista desloca a curva IS para a direita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o efeito multiplicador independe da propensão marginal a consumir (PMgC) e é igual para gasto e tributos. Isso é falso: o multiplicador keynesiano depende da PMgC. O multiplicador dos gastos do governo é 1/(1-PMgC), enquanto o multiplicador dos tributos (em valor absoluto) é PMgC/(1-PMgC). Portanto, não são iguais e dependem da PMgC.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que a política fiscal atua apenas no mercado monetário, não afetando o mercado de bens e serviços. Na verdade, a política fiscal atua diretamente no mercado de bens e serviços (curva IS), alterando o produto e a renda, e indiretamente no mercado monetário via efeitos sobre a taxa de juros. No modelo IS-LM, a política fiscal desloca a curva IS, afetando o mercado de bens.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere que, em recessão, a política fiscal contracionista é usual para elevar produto e emprego. Isso é o oposto do recomendado: em recessão, a política fiscal expansionista (aumento de gastos ou redução de tributos) é utilizada para estimular a demanda agregada, elevar produto e emprego. A política contracionista agravaria a recessão.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que um aumento do gasto do governo eleva a demanda agregada via efeito multiplicador, com impacto inicial maior que uma redução de impostos de igual valor. De fato, pelo multiplicador keynesiano, o gasto público tem impacto direto sobre a demanda agregada, enquanto a redução de impostos age indiretamente via consumo (dependendo da PMgC). Como o multiplicador dos gastos é maior que o dos tributos (para 0 < PMgC < 1), a proposição está correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os multiplicadores. Muitos candidatos acham que cortar impostos e aumentar gastos têm o mesmo efeito, mas o gasto público tem impacto inicial mais forte porque cada real gasto aumenta a demanda diretamente em 1 real, enquanto cada real a menos de imposto só aumenta o consumo em PMgC vezes esse real. Lembre-se: multiplicador gasto > multiplicador tributo (em módulo).