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Questão de Economia — Microeconomia — FGV 2025

EconomiaMicroeconomia
Código
fg104794
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Economista
Um consumidor com utilidade Von Neumann– Morgenstern u(W) côncava (avesso ao risco) pode escolher entre uma loteria com valor esperado E[W] = 100 e receber 100 com certeza.Dito isso, assinale a opção correta.
  1. AEscolherá a loteria, pois E[u(W)] > u(E[W]) para funções côncavas.
  2. BSerá indiferente entre as opções, pois a aversão ao risco decorre de u linear.
  3. CPreferirá o valor certo, pois para aversão ao risco vale u(E[W]) > E[u(W)].
  4. DSó preferirá a loteria se o prêmio de risco for zero, o que caracteriza aversão ao risco.
  5. ENão é possível determinar sem conhecer a forma funcional exata de u(W).
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GabaritoC — Preferirá o valor certo, pois para aversão ao risco vale u(E[W]) > E[u(W)].

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aversão ao risco e utilidade esperada

Gabarito: letra C. Para um consumidor avesso ao risco (função de utilidade côncava), vale a desigualdade de Jensen: u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)]. Como a loteria tem valor esperado E[W]=100E[W] = 100 e a opção certa paga exatamente 100, a utilidade do valor certo é maior que a utilidade esperada da loteria — logo, ele prefere o valor certo. Essa é a essência da aversão ao risco: o consumidor prefere a renda certa a uma loteria com o mesmo valor esperado.

A teoria da utilidade esperada de Von Neumann–Morgenstern estabelece que o consumidor escolhe entre alternativas arriscadas comparando as utilidades esperadas de cada uma. A aversão ao risco é caracterizada por uma função de utilidade côncava, o que significa que a utilidade marginal da riqueza é decrescente: cada unidade adicional de riqueza gera um acréscimo de utilidade menor que a anterior. Por isso, a perda de utilidade ao perder uma unidade de riqueza é maior que o ganho de utilidade ao ganhar a mesma unidade — o que torna o risco algo indesejável.

A desigualdade de Jensen é o resultado matemático que formaliza isso: para uma função côncava uu, a utilidade do valor esperado é sempre maior ou igual à utilidade esperada, com igualdade apenas quando a função é linear (neutralidade ao risco) ou quando a loteria não tem risco. No caso da questão, como a loteria tem valor esperado 100 e a opção certa paga 100, a comparação é direta: u(100)>E[u(W)]u(100) > E[u(W)], pois a loteria tem alguma variabilidade em torno de 100.

A pegadinha da banca está em inverter o sentido da desigualdade: muitos candidatos lembram que "avesso ao risco prefere o certo", mas trocam os lados da desigualdade, escrevendo E[u(W)]>u(E[W])E[u(W)] > u(E[W]), que é a condição para um consumidor propenso ao risco (função convexa). A alternativa C acerta exatamente ao afirmar u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)].

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o consumidor escolherá a loteria porque E[u(W)]>u(E[W])E[u(W)] > u(E[W]) para funções côncavas. Isso está invertido: para funções côncavas (avessas ao risco), vale o contrário, u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)]. A desigualdade E[u(W)]>u(E[W])E[u(W)] > u(E[W]) caracteriza funções convexas, ou seja, consumidores propensos ao risco. O erro é trocar o sinal da desigualdade, uma armadilha clássica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o consumidor será indiferente porque a aversão ao risco decorre de uu linear. Isso é duplamente errado: (1) aversão ao risco decorre de função côncava, não linear; (2) função linear caracteriza neutralidade ao risco, em que o consumidor é indiferente entre a loteria e o valor certo (pois u(E[W])=E[u(W)]u(E[W]) = E[u(W)]). Como o enunciado diz que uu é côncava, ele não será indiferente — preferirá o valor certo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o consumidor preferirá o valor certo, pois para aversão ao risco vale u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)]. Exatamente o que a teoria da utilidade esperada estabelece para funções côncavas. Como E[W]=100E[W] = 100 e a opção certa paga 100, temos u(100)>E[u(W)]u(100) > E[u(W)], então a utilidade do valor certo é maior. O consumidor avesso ao risco prefere a renda certa a uma loteria com o mesmo valor esperado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o consumidor só preferirá a loteria se o prêmio de risco for zero, o que caracterizaria aversão ao risco. Há duas confusões: (1) o prêmio de risco é a quantidade de renda que o consumidor estaria disposto a abrir mão para ficar indiferente entre a loteria e o valor certo — se o prêmio de risco for zero, ele é neutro ao risco, não avesso; (2) um consumidor avesso ao risco nunca prefere a loteria a um valor certo igual ao valor esperado, pois u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)]. A alternativa inverte o conceito de prêmio de risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que não é possível determinar a escolha sem conhecer a forma funcional exata de u(W)u(W). Isso é falso: a concavidade de uu (dada no enunciado) já é suficiente para garantir, pela desigualdade de Jensen, que u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)] para qualquer loteria não degenerada. Não precisamos da forma funcional específica — apenas da concavidade. A escolha é determinada: prefere o valor certo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a desigualdade de Jensen. Lembre-se: para côncava (avesso ao risco), u(E[W])>E[u(W)]u(E[W]) > E[u(W)]; para convexa (propenso ao risco), E[u(W)]>u(E[W])E[u(W)] > u(E[W]); para linear (neutro), u(E[W])=E[u(W)]u(E[W]) = E[u(W)]. Se a alternativa trouxer o sinal trocado, é pegadinha — como na letra A. Com esse mapa mental, você não cai mais.

Gabarito: letra C.

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