Pular para o conteúdo principal

Questão de História — Construção dos Estados Liberais na América Hispânica : século XIX — FGV 2025

HistóriaConstrução dos Estados Liberais na América Hispânica : século XIX
Código
fg104988
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Historiador
Leia o trecho a seguir.“O consulado de Havana argumenta que, diferentemente do que ocorreu com a Espanha, o Brasil obteve concessões que permitiram continuar com o tráfico negreiro africano, mesmo após a assinatura do tratado de 1817 para combatê-lo. Os agricultores da Ilha de Cuba, em observação dos passos do Brasil, souberam que ali se multiplicam os engenhos de açúcar e os cafeeiros; e souberam que, como essas propriedades requerem grandes capitais e o Brasil ainda está longe de tê-los, a Inglaterra os tem fornecido por meio de bancos, companhias e casas comerciais. Assim, grande parte das plantações de açúcar, café, algodão e tabaco no Brasil são obras de capitalistas ingleses, sendo, na prática, propriedades britânicas.”Adaptado de: Archivo Historico Nacional de España, ULTRAMAR, 3.Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que a reação cubana ao tratado firmado entre Inglaterra e Portugal em 1817
  1. Aevidencia a busca da elite cubana por apoio britânico para obter a independência da Espanha após as medidas impostas pelas Reformas Bourbônicas, à semelhança do caso do Brasil.
  2. Bindica o descontentamento com o processo comum de abolição imediata da escravidão nas colônias, que autorizava a Marinha britânica a inspecionar navios espanhóis.
  3. Cdemonstra resistência às políticas de livre comércio que permitiam a entrada de capitais e produtos estrangeiros na ilha para competir com os nacionais.
  4. Dmostra a disputa econômica entre as duas potências escravistas exportadoras de açúcar pelo controle do mercado internacional aberto após a Revolução do Haiti.
  5. Erevela a aliança entre Portugal e Espanha para preservar o tráfico negreiro e conter a influência britânica, cujo abolicionismo atendia aos interesses de sua economia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — mostra a disputa econômica entre as duas potências escravistas exportadoras de açúcar pelo controle do mercado internacional aberto após a Revolução do Haiti.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A reação cubana ao tratado de 1817 e a disputa pelo açúcar

Gabarito: letra D. O trecho mostra o consulado de Havana observando o Brasil como concorrente no mercado internacional de açúcar, que se beneficiou de concessões para manter o tráfico negreiro e contou com capitais ingleses para expandir suas plantações. A reação cubana, portanto, expressa a disputa econômica entre as duas potências escravistas exportadoras de açúcar pelo controle do mercado aberto após a Revolução do Haiti, que eliminou a principal concorrência caribenha.

O contexto é o início do século XIX, quando o tráfico atlântico de escravos começava a ser restringido pela Inglaterra. O tratado de 1817, firmado entre Inglaterra e Portugal, previa medidas para limitar o tráfico, mas o Brasil, na prática, continuou a importar africanos até 1850. Cuba, colônia espanhola, também dependia do tráfico para sustentar sua economia açucareira. A Revolução do Haiti (1791-1804) destruiu a maior colônia açucareira do Caribe, abrindo espaço para que Brasil e Cuba disputassem o mercado mundial de açúcar. O trecho revela a preocupação cubana com o avanço brasileiro, financiado por capitais ingleses, o que ameaçava a posição de Cuba no comércio internacional.

A alternativa correta capta essa rivalidade econômica entre as duas potências escravistas. As demais alternativas ou invertem os papéis históricos, ou atribuem motivações que não correspondem ao texto ou ao contexto.

Reação cubana ao tratado de 1817
  • 1Contexto
    • Restrição britânica ao tráfico
    • Brasil mantém tráfico até 1850
    • Revolução do Haiti abre mercado
  • 2Preocupação do consulado de Havana
    • Brasil como concorrente no açúcar
    • Capitais ingleses financiam plantações
  • 3Disputa
    • Brasil × Cuba
    • Controle do mercado internacional
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A elite cubana não buscava apoio britânico para a independência da Espanha. Pelo contrário, o trecho mostra a elite cubana preocupada com a concorrência brasileira, não com a independência. Além disso, as Reformas Bourbônicas (século XVIII) não são o foco do texto, e o Brasil não buscava independência de Portugal naquele momento (1817). A alternativa confunde a situação cubana com a brasileira e inverte o sentido do documento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não houve abolição imediata da escravidão nas colônias em 1817. O tratado de 1817 apenas restringia o tráfico ao norte da linha do Equador, e a Marinha britânica não tinha autorização para inspecionar navios espanhóis. A alternativa projeta uma abolição imediata que não ocorreu e atribui à Espanha uma submissão que não existia. O trecho fala de concessões ao Brasil, não de abolição nas colônias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O trecho não menciona resistência ao livre comércio. Pelo contrário, o consulado de Havana observa que a Inglaterra fornece capitais ao Brasil, o que sugere uma crítica à concorrência, não uma oposição ao livre comércio em si. A alternativa inventa uma motivação protecionista que não está no texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho evidencia a disputa econômica entre Brasil e Cuba, as duas principais potências escravistas exportadoras de açúcar após a Revolução do Haiti. O consulado de Havana demonstra preocupação com o crescimento da produção brasileira, financiada por capitais ingleses, o que ameaçava a posição cubana no mercado internacional. A alternativa capta exatamente essa rivalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não há aliança entre Portugal e Espanha para preservar o tráfico. O trecho menciona que o Brasil obteve concessões, mas não fala de aliança luso-espanhola. Além disso, o abolicionismo britânico não atendia aos interesses da economia inglesa de forma simples: a Inglaterra pressionava contra o tráfico, mas também se beneficiava do comércio com as colônias. A alternativa distorce o contexto histórico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o aluno acreditar que a reação cubana era de apoio à independência (A) ou de resistência ao livre comércio (C), quando o texto aponta para a rivalidade econômica entre Brasil e Cuba. Fique atento ao que o documento realmente diz: o consulado de Havana observa o Brasil como concorrente, não como aliado.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de interpretação histórica, leia o trecho com atenção e identifique o sujeito (quem fala) e o objeto (sobre o que fala). Aqui, o sujeito é o consulado de Havana, e o objeto é a concorrência brasileira. Isso elimina alternativas que invertem os papéis.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg104988