Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2025
- Código
- fg105084
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-AM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
- APravastatina.
- BGemfibrozila.
- CColestiramina.
- DEzetimibe.
- EAlirocumab.
GabaritoE — Alirocumab.
Gabarito: letra E. O alirocumabe, um inibidor da PCSK9, é o fármaco que promove a maior redução percentual do LDL-c entre as opções, alcançando redução média de cerca de 60% nas doses recomendadas — superior às estatinas de alta intensidade (≥ 50%), à ezetimiba (~10–20%), à colestiramina (5–30%) e aos fibratos (que agem predominantemente sobre triglicérides). Essa superioridade é documentada nas diretrizes de dislipidemias e nos estudos clínicos da classe.
A questão cobra um dos conceitos centrais da farmacologia cardiovascular: a potência relativa dos hipolipemiantes na redução do LDL-colesterol. Para resolvê-la, é preciso conhecer não apenas a classe de cada fármaco, mas também a magnitude do efeito esperado nas doses máximas recomendadas. Vamos organizar esse conhecimento.
O LDL-c (lipoproteína de baixa densidade) é a principal fração lipídica aterogênica. A relação entre níveis elevados de LDL-c e risco cardiovascular é linear e bem estabelecida: cada redução de 40 mg/dL associa-se a queda de aproximadamente 23% para 12% na mortalidade por eventos cardiovasculares. Por isso, as diretrizes classificam os fármacos hipolipemiantes pelo percentual de redução do LDL-c que conseguem atingir, e essa classificação orienta a escolha terapêutica conforme o risco do paciente.
1. Estatinas — inibidores da HMG-CoA redutase, são a primeira linha no tratamento. Classificam-se em:
Alta intensidade: redução ≥ 50% (ex.: atorvastatina 40–80 mg, rosuvastatina 20–40 mg);
Moderada intensidade: redução de 30 a 49% (ex.: atorvastatina 10–20 mg, rosuvastatina 5–10 mg, sinvastatina 20–40 mg, pravastatina 40–80 mg);
Baixa intensidade: redução < 30% (ex.: pravastatina 10–20 mg, sinvastatina 10 mg).
2. Ezetimiba — inibidor da absorção intestinal do colesterol. Em monoterapia, reduz o LDL-c em cerca de 10–20%; quando associada a estatina, potencializa o efeito, mas isoladamente é menos potente que as estatinas de alta intensidade.
3. Resinas de troca iônica (colestiramina) — sequestrantes de ácidos biliares. Redução dose-dependente de 5% a 30% (doses de 4 a 24 g/dia). Têm uso limitado pela baixa tolerabilidade gastrointestinal.
4. Fibratos (gemfibrozila) — agonistas de PPAR-α. Atuam predominantemente na redução de triglicérides (30–60%) e elevação do HDL-c; o efeito sobre o LDL-c é modesto e variável, geralmente inferior a 20%.
5. Inibidores de PCSK9 (alirocumabe, evolocumabe) — anticorpos monoclonais que aumentam a densidade de receptores de LDL no hepatócito, promovendo depuração intensa do LDL-c. Redução média de 60% em comparação ao placebo, a maior entre todas as classes.
Fármaco | Classe | Redução de LDL-c (dose máxima) |
|---|---|---|
Pravastatina | Estatina (moderada) | ~29% (40 mg) |
Gemfibrozila | Fibrato | < 20% (ação principal em TG) |
Colestiramina | Resina | 5–30% (24 g/dia) |
Ezetimiba | Inibidor de absorção | ~10–20% (10 mg) |
Alirocumabe | Inibidor de PCSK9 | ~60% (150 mg a cada 2 semanas) |
O mecanismo explica a magnitude: ao inibir a PCSK9, o alirocumabe impede a degradação do receptor de LDL no fígado, aumentando sua densidade na superfície do hepatócito. Isso acelera a captação e depuração das partículas de LDL circulantes, resultando em redução muito superior à das estatinas, que atuam apenas na síntese hepática de colesterol. Estudos como o ODYSSEY e o FOURIER demonstraram reduções de 59–60% no LDL-c, mesmo em pacientes já em uso de estatinas.
A banca explora a confusão entre a potência da estatina (rosuvastatina/atorvastatina são as mais potentes da classe) e a potência entre classes. O candidato pode ser levado a escolher a pravastatina por ser uma estatina, ou a ezetimiba por ser um hipolipemiante não-estatina bem conhecido. No entanto, a pergunta é clara: qual medicamento apresenta o maior efeito de redução dos níveis de LDL nas respectivas doses máximas recomendadas? — e a resposta é o inibidor de PCSK9.
A banca troca a classe farmacológica pela potência: muitos candidatos escolhem a estatina mais potente (rosuvastatina) ou a associação com ezetimiba, mas o alirocumabe, isoladamente, tem a maior redução percentual (~60%). Fique atento: a pergunta não é sobre a estatina mais potente, mas sobre o fármaco com maior efeito hipolipemiante entre as opções.
A pravastatina é uma estatina de moderada intensidade, com redução de LDL-c de cerca de 29% na dose de 40 mg (dentro da faixa de 20–80 mg). Nas doses máximas (80 mg), a redução pode chegar a ~30–35%, mas ainda inferior às estatinas de alta intensidade e muito inferior ao alirocumabe. A banca a inclui como distrator para testar se o candidato conhece a classificação de intensidade das estatinas.
A gemfibrozila é um fibrato, cuja principal ação é a redução de triglicérides (30–60%) e o aumento do HDL-c. Seu efeito sobre o LDL-c é modesto e variável, geralmente inferior a 20%. Além disso, a associação de gemfibrozila com estatinas é proscrita pelo risco de rabdomiólise. Portanto, não é a resposta.
A colestiramina é uma resina de troca iônica que reduz o LDL-c de forma dose-dependente, variando de 5% a 30% nas doses de 4 a 24 g/dia. Mesmo na dose máxima (24 g/dia), a redução máxima é de ~30%, inferior à da pravastatina em dose alta e muito inferior ao alirocumabe. Além disso, seu uso é limitado por efeitos gastrointestinais.
A ezetimiba inibe a absorção intestinal do colesterol e, em monoterapia, reduz o LDL-c em cerca de 10–20% (na dose de 10 mg). Embora seja útil em associação com estatinas, isoladamente é menos potente que as estatinas de alta intensidade e que o alirocumabe. A banca a coloca como distrator para quem confunde a utilidade clínica com a potência isolada.
O alirocumabe é um inibidor da PCSK9, administrado por via subcutânea (75 ou 150 mg a cada 2 semanas). Estudos demonstram redução média de 60% do LDL-c em comparação ao placebo, a maior entre todas as classes de hipolipemiantes. Essa potência superior é o que o torna a resposta correta.
A questão testa o conhecimento da hierarquia de potência dos hipolipemiantes na redução do LDL-c. A ordem crescente de efeito é: fibratos < resinas < ezetimiba < estatinas de baixa/moderada intensidade < estatinas de alta intensidade < inibidores de PCSK9. O alirocumabe, com ~60% de redução, supera todas as demais opções.
Gabarito: letra E
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