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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105086
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
Observe o traçado eletrocardiográfico a seguir:Considerando os padrões mais comuns de traçados eletrocardiográficos associados a síndromes coronarianas agudas, o traçado sugere o seguinte acometimento mais provável:Imagem associada para resolução da questão
  1. Aobstrução parcial da artéria descendente anterior.
  2. Boclusão da artéria coronária direita.
  3. Cobstrução parcial da artéria circunflexa.
  4. Doclusão da artéria descendente anterior.
  5. Eobstrução parcial do tronco da coronária esquerda.
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GabaritoB — oclusão da artéria coronária direita.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes coronarianas agudas: localização eletrocardiográfica do infarto

Gabarito: letra B. O traçado eletrocardiográfico apresentado sugere oclusão da artéria coronária direita (ACD), pois as alterações isquêmicas (supradesnivelamento do segmento ST) estão localizadas nas derivações II, III e aVF, que correspondem à parede inferior do coração, território tipicamente irrigado pela coronária direita. A correlação entre as derivações com alteração e o vaso culpado é o princípio que decide esta questão.

As síndromes coronarianas agudas (SCA) representam um espectro de manifestações isquêmicas do miocárdio, que vão desde a angina instável até o infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCS-ST). O eletrocardiograma (ECG) é o exame central para a classificação e, principalmente, para a localização topográfica do infarto, permitindo inferir qual artéria coronária está ocluída. Essa correlação é possível porque cada artéria irriga uma região específica do coração, e a lesão isquêmica se manifesta eletricamente nas derivações que "olham" para essa região.

A artéria coronária direita (ACD) é a principal responsável pela irrigação da parede inferior do ventrículo esquerdo, através do ramo descendente posterior (em cerca de 70-80% das pessoas). Por isso, um infarto de parede inferior, caracterizado por supradesnivelamento do segmento ST nas derivações II, III e aVF, aponta fortemente para a oclusão da ACD. É importante notar que, em uma minoria de casos (cerca de 20-30%), a artéria circunflexa pode ser a responsável por irrigar a parede inferior, mas a ACD é, de longe, a causa mais comum.

A distinção entre oclusão (infarto com supradesnivelamento de ST) e obstrução parcial (angina instável ou IAM sem supradesnivelamento) é crucial. A presença de supradesnivelamento do segmento ST indica oclusão total do vaso, com isquemia transmural, exigindo reperfusão imediata. Já a obstrução parcial geralmente se manifesta com infradesnivelamento do ST ou inversão de onda T, sem supradesnivelamento. As alternativas que mencionam "obstrução parcial" estão, portanto, incorretas, pois o traçado mostra supradesnivelamento, característico de oclusão.

A pegadinha desta questão está em dois níveis: primeiro, o aluno precisa identificar corretamente as derivações com supradesnivelamento (II, III e aVF = parede inferior); segundo, precisa correlacionar essa localização com o vaso culpado (ACD) e não com outros territórios. A banca explora a confusão entre as artérias e seus territórios de irrigação, além de tentar induzir o erro com a troca entre "oclusão" e "obstrução parcial".

Guarde a correlação entre as derivações e os vasos: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A tabela abaixo resume os principais territórios:

Localização do infarto

Derivações com alteração

Vaso provavelmente envolvido

Inferior

II, III, aVF

ACD (mais comum) ou Circunflexa

Septal

V1, V2

Descendente Anterior (DA)

Anterior

V3, V4

DA

Anterosseptal

V1 a V4

DA

Anterior extenso

I, aVL, V1 a V6

DA

Lateral

I, aVL, V5, V6

Circunflexa

1Parede inferior
Derivações II, III, aVF
Vaso: ACD (mais comum) ou Circunflexa
2Parede anterior/septal
Derivações V1 a V4
Vaso: Descendente Anterior
3Parede lateral
Derivações I, aVL, V5, V6
Vaso: Circunflexa
4Anterior extenso
Derivações I, aVL, V1 a V6
Vaso: DA
Localização do infarto (ECG)
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Localização do infarto (ECG): Parede inferior (Derivações II, III, aVF, Vaso: ACD (mais comum) ou Circunflexa); Parede anterior/septal (Derivações V1 a V4, Vaso: Descendente Anterior); Parede lateral (Derivações I, aVL, V5, V6, Vaso: Circunflexa); Anterior extenso (Derivações I, aVL, V1 a V6, Vaso: DA)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o traçado sugere obstrução parcial da artéria descendente anterior. O erro é duplo: primeiro, a obstrução parcial não causa supradesnivelamento do segmento ST (característico de oclusão total); segundo, a descendente anterior irriga as paredes anterior e septal, que se manifestam nas derivações V1 a V4, e não nas derivações inferiores (II, III, aVF) que estão alteradas no traçado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O traçado mostra supradesnivelamento do segmento ST nas derivações II, III e aVF, que correspondem à parede inferior do coração. A artéria coronária direita (ACD) é a principal responsável pela irrigação dessa região, sendo a causa mais comum de infarto inferior. Portanto, a oclusão da ACD é o acometimento mais provável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o traçado sugere obstrução parcial da artéria circunflexa. A circunflexa irriga predominantemente a parede lateral (derivações I, aVL, V5, V6), e sua obstrução parcial não causaria supradesnivelamento do ST. Embora a circunflexa possa, em alguns casos, irrigar a parede inferior, a ACD é a causa mais comum, e a alternativa erra ao mencionar "obstrução parcial" em vez de "oclusão".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o traçado sugere oclusão da artéria descendente anterior. A descendente anterior (DA) irriga as paredes anterior e septal, que se manifestam nas derivações V1 a V4. Como o traçado mostra alterações nas derivações inferiores (II, III, aVF), a DA não é o vaso culpado. A alternativa acerta ao usar "oclusão", mas erra ao indicar a artéria errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o traçado sugere obstrução parcial do tronco da coronária esquerda. O tronco da coronária esquerda é um vaso curto que se bifurca em descendente anterior e circunflexa. Sua oclusão causa um infarto extenso, geralmente com alterações em múltiplas derivações (anterior extenso, lateral), e não apenas nas inferiores. Além disso, a obstrução parcial não causaria supradesnivelamento do ST.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os territórios de irrigação das artérias coronárias. O aluno que decora apenas que "II, III e aVF = parede inferior" pode acertar, mas a pegadinha está em trocar a ACD pela circunflexa (que também pode irrigar a parede inferior em minoria dos casos) ou em trocar "oclusão" por "obstrução parcial". Lembre-se: supradesnivelamento de ST = oclusão total; infradesnivelamento/inversão de T = obstrução parcial. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de localização do infarto, monte mentalmente a tabela de correlação derivação-vaso. Na prova, identifique primeiro as derivações com supradesnivelamento, depois correlacione com o território e, por fim, com o vaso. Essa sequência lógica evita erros por associação direta e apressada.

Gabarito: letra B

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