Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105101
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
A seguinte condição não está associada a um estado de hipercoagulabilidade:
Adeficiência de antitrombina III.
Bdeficiência de proteína S.
Cfator V de Leiden.
Ddeficiência de fator VIII.
Edeficiência de proteína C.
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GabaritoD — deficiência de fator VIII.
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Estados de hipercoagulabilidade: trombofilias hereditárias
Gabarito: letra D. A deficiência de fator VIII não está associada a um estado de hipercoagulabilidade — pelo contrário, ela é a causa da hemofilia A, um distúrbio hemorrágico. As demais alternativas (deficiência de antitrombina III, proteína S, proteína C e fator V de Leiden) são trombofilias hereditárias clássicas, que predispõem à trombose venosa profunda e ao tromboembolismo pulmonar.
A hipercoagulabilidade, também chamada de trombofilia, é um estado em que o equilíbrio hemostático se desloca para a formação excessiva de trombos. Esse desequilíbrio pode ser hereditário ou adquirido. Os principais mecanismos hereditários envolvem: (1) deficiência de anticoagulantes naturais — antitrombina (AT), proteína C (PC) e proteína S (PS); (2) resistência à proteína C ativada — causada pela mutação do fator V de Leiden (FVL); e (3) mutação da protrombina (G20210A). Essas condições aumentam o risco de tromboembolismo venoso (TEV), especialmente em pacientes jovens, e frequentemente se manifestam antes dos 40-50 anos.
O fator VIII, por sua vez, é um pró-coagulante — ele participa da via intrínseca da cascata de coagulação, atuando como cofator na ativação do fator X. Sua deficiência causa hemofilia A, caracterizada por sangramentos espontâneos ou pós-traumáticos, hemartroses e hematomas. Portanto, a deficiência de fator VIII está associada a um estado de hipocoagulabilidade, não de hipercoagulabilidade. É exatamente essa inversão conceitual que a banca explora: o candidato que decora a lista de trombofilias sem entender o papel fisiológico de cada fator pode marcar a alternativa errada.
Para fixar: as trombofilias hereditárias mais comuns são a mutação do fator V de Leiden (a mais prevalente, presente em cerca de 5% da população caucasiana), a mutação da protrombina G20210A, e as deficiências de antitrombina, proteína C e proteína S. Todas essas condições aumentam a geração de trombina e predispõem à trombose. Já as deficiências de fatores da coagulação (VIII, IX, XI, etc.) causam diátese hemorrágica, como hemofilia A (fator VIII) e hemofilia B (fator IX).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o conceito de trombofilia (estado de hipercoagulabilidade) pelo de hemofilia (estado de hipocoagulabilidade). A deficiência de fator VIII é a causa da hemofilia A, um distúrbio hemorrágico — não uma trombofilia. O candidato que memoriza a lista de trombofilias sem entender o papel de cada fator pode marcar a alternativa D como correta, mas ela é justamente a exceção pedida.
Condição
Associação com hipercoagulabilidade
Mecanismo fisiopatológico
Deficiência de antitrombina III
Sim (trombofilia)
Reduz a inibição da trombina e do fator Xa
Deficiência de proteína S
Sim (trombofilia)
Compromete a inativação dos fatores Va e VIIIa pela proteína C ativada
Fator V de Leiden
Sim (trombofilia)
Resistência do fator V à clivagem pela proteína C ativada
Deficiência de fator VIII
Não (causa hemofilia A — hipocoagulabilidade)
Pró-coagulante da via intrínseca; sua falta gera diátese hemorrágica
Deficiência de proteína C
Sim (trombofilia)
Compromete a inativação dos fatores Va e VIIIa
Trombofilias hereditárias
1Deficiência de anticoagulantes
Antitrombina III
Proteína C
Proteína S
2Resistência à proteína C ativada
Fator V de Leiden
3Mutação da protrombina
G20210A
4Distúrbios hemorrágicos
Deficiência de fator VIII
Hemofilia A
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A deficiência de antitrombina III está associada a um estado de hipercoagulabilidade. A antitrombina é o principal inibidor fisiológico da trombina e do fator Xa. Sua deficiência (hereditária ou adquirida) reduz a capacidade de neutralizar a trombina, aumentando o risco de trombose venosa. É uma das trombofilias hereditárias mais graves, com risco relativo de TEV em torno de 8 vezes o da população geral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A deficiência de proteína S está associada a um estado de hipercoagulabilidade. A proteína S é um cofator da proteína C ativada (PCA) na inativação dos fatores Va e VIIIa. Sua deficiência compromete a via anticoagulante natural, predispondo à trombose venosa. É uma trombofilia hereditária clássica, com risco relativo de TEV de aproximadamente 8,5 vezes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O fator V de Leiden está associado a um estado de hipercoagulabilidade. Essa mutação pontual no gene do fator V (substituição da arginina na posição 506 pela glutamina) torna o fator V resistente à clivagem pela proteína C ativada. Como resultado, o fator Va não é inativado adequadamente, perpetuando a geração de trombina e aumentando o risco de trombose. É a trombofilia hereditária mais comum, presente em cerca de 5% da população caucasiana.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A deficiência de fator VIII não está associada a um estado de hipercoagulabilidade. O fator VIII é um pró-coagulante essencial da via intrínseca; sua deficiência causa hemofilia A, um distúrbio hemorrágico caracterizado por sangramentos espontâneos, hemartroses e hematomas. Portanto, a deficiência de fator VIII está associada a um estado de hipocoagulabilidade, não de hipercoagulabilidade. É a única alternativa que não corresponde a uma trombofilia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A deficiência de proteína C está associada a um estado de hipercoagulabilidade. A proteína C, quando ativada pela trombina ligada à trombomodulina, inativa os fatores Va e VIIIa, limitando a geração de trombina. Sua deficiência compromete essa via anticoagulante, predispondo à trombose venosa. É uma trombofilia hereditária clássica, com risco relativo de TEV de aproximadamente 7 vezes.
Gabarito: letra D — a deficiência de fator VIII é a única condição que não se associa a hipercoagulabilidade, pois causa hemofilia A, um distúrbio hemorrágico.