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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105102
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
O diagnóstico de febre reumática (FR) é predominantemente clínico, sendo os critérios de Jones o principal instrumento para sua confirmação, associados à evidência de infecção estreptocócica prévia.Neste contexto, assinale a afirmativa correta em relação aos critérios, revisados pela última vez em 2015.
  1. AAlterações ecocardiográficas subclínicas compatíveis com cardite devem ser valorizadas como um critério maior.
  2. BA Coréia de Sydenham caracteristicamente é a manifestação mais precoce, poucos dias após a infecção estreptocócica.
  3. CO eritema marginatum é o critério maior mais comum, ocorrendo em cerca de 40% dos casos de FR.
  4. DOs nódulos subcutâneos raramente estão associados à cardite grave.
  5. EA artrite tipicamente acomete pequenas articulações de membros superiores de forma simétrica e cumulativa.
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GabaritoA — Alterações ecocardiográficas subclínicas compatíveis com cardite devem ser valorizadas como um critério maior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Febre reumática: critérios de Jones revisados em 2015

Gabarito: letra A. A revisão de 2015 dos critérios de Jones, pela American Heart Association (AHA), passou a reconhecer a cardite subclínica — alterações ecocardiográficas sem manifestação clínica auscultável — como critério maior, tanto para populações de baixo quanto de alto risco. As demais alternativas distorcem características clínicas da doença: a coreia é tardia, o eritema marginado é raro, os nódulos subcutâneos associam-se à cardite grave e a artrite é tipicamente de grandes articulações, migratória e assimétrica.

A febre reumática (FR) é uma complicação não supurativa tardia da infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBGA), que desencadeia uma resposta autoimune cruzada contra tecidos do hospedeiro, principalmente coração, articulações, sistema nervoso central e pele. O diagnóstico é essencialmente clínico, e os critérios de Jones, criados em 1944, são o instrumento padronizado para confirmá-lo, sempre exigindo a evidência de infecção estreptocócica prévia (elevação de ASLO, cultura positiva ou teste rápido).

A última revisão, publicada em 2015 pela AHA, trouxe mudanças importantes: passou a estratificar populações em baixo risco e alto/moderado risco (conforme a incidência da doença), e incorporou o ecocardiograma com Doppler como ferramenta essencial. A principal inovação foi incluir a cardite subclínica (regurgitação valvar detectada apenas ao ecocardiograma, sem sopro audível) como critério maior em ambos os grupos — exatamente o que a alternativa A afirma. Além disso, para populações de alto risco, a poliartralgia e a monoartrite passaram a ser aceitas como critérios maiores, e a monoartralgia como critério menor.

Para entender as demais alternativas, é preciso dominar o quadro clínico clássico. A artrite é a manifestação mais comum e precoce, mas acomete grandes articulações (joelhos e tornozelos principalmente), com padrão migratório e assimétrico, sendo autolimitada e sem sequelas. A cardite é a manifestação mais grave, presente em 40–70% dos casos, caracterizada por pancardite com predomínio do endocárdio (insuficiência mitral e/ou aórtica). A coreia de Sydenham é uma manifestação tardia, podendo surgir até 7 meses após a infecção, predominando em meninas. O eritema marginado e os nódulos subcutâneos são manifestações raras — o eritema ocorre em menos de 3% dos casos, e os nódulos em 2–5%, estes fortemente associados à cardite grave.

A pegadinha central desta questão é a inversão temporal e de frequência: a banca troca a coreia (tardia) por precoce, o eritema (raro) por comum, e inverte a associação dos nódulos com a cardite grave. A alternativa A, por sua vez, exige conhecimento da atualização de 2015, que é o ponto mais cobrado em provas recentes sobre o tema. Guarde a fronteira entre o que é frequente (artrite, cardite) e o que é raro (eritema, nódulos), e entre o que é precoce (artrite, cardite) e o que é tardio (coreia) — é exatamente nesses eixos que as alternativas se dividem.

Manifestação

Frequência

Cronologia

Características principais

Artrite

Comum (até 75%)

Precoce (4–6 semanas)

Grandes articulações, migratória, assimétrica

Cardite

Comum (40–70%)

Precoce

Pancardite, predomínio endocárdio (mitral/aórtica)

Coreia de Sydenham

Moderada

Tardia (até 7 meses)

Predomina em meninas

Eritema marginado

Rara (<3%)

Variável

Não pruriginoso

Nódulos subcutâneos

Rara (2–5%)

Variável

Associados à cardite grave

1Manifestações maiores
Cardite (clínica ou subclínica)
Artrite (grandes articulações)
Coreia de Sydenham (tardia)
Eritema marginado (raro)
Nódulos subcutâneos (raro)
2Manifestações menores
Febre
Artralgia
VHS/PCR elevados
Intervalo PR prolongado
3Exige infecção prévia
ASLO elevado
Cultura positiva
Teste rápido
Critérios de Jones (2015)
LEVELsoulevel.com.br
Critérios de Jones (2015): Manifestações maiores (Cardite (clínica ou subclínica), Artrite (grandes articulações), Coreia de Sydenham (tardia), Eritema marginado (raro), Nódulos subcutâneos (raro)); Manifestações menores (Febre, Artralgia, VHS/PCR elevados, Intervalo PR prolongado); Exige infecção prévia (ASLO elevado, Cultura positiva, Teste rápido)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A revisão de 2015 dos critérios de Jones, pela AHA, reconheceu a cardite subclínica — definida como regurgitação valvar detectada apenas ao ecocardiograma com Doppler, sem sopro audível ao exame físico — como critério maior, tanto para populações de baixo risco quanto de alto risco. Isso ampliou a sensibilidade diagnóstica, especialmente em populações com alta prevalência da doença, onde a forma subclínica é mais comum. O ecocardiograma passou a ser ferramenta essencial no diagnóstico, e a cardite subclínica deve ser valorizada como critério maior, exatamente como afirma a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A coreia de Sydenham é uma manifestação tardia da febre reumática, não precoce. O quadro clínico clássico inicia-se entre 4 e 6 semanas após a infecção estreptocócica, mas a coreia pode manifestar-se até 7 meses após a infecção, sendo a manifestação mais tardia do espectro. A alternativa inverte a cronologia: as manifestações precoces são a artrite e a cardite, não a coreia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O eritema marginado é a manifestação menos comum da febre reumática, ocorrendo em menos de 3% dos casos, e não em 40%. A alternativa troca a frequência: o critério maior mais comum é a artrite (presente em até 75% dos casos), seguida da cardite (40–70%). O eritema marginado, junto com os nódulos subcutâneos, é uma das manifestações mais raras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os nódulos subcutâneos estão fortemente associados à cardite grave, e não raramente. Presentes em cerca de 2–5% dos pacientes, localizam-se em proeminências ósseas e tendões, são arredondados, indolores e móveis, e sua presença sugere doença cardíaca mais severa. A alternativa inverte a associação: a presença de nódulos subcutâneos é um marcador de cardite grave, não uma exceção a ela.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A artrite da febre reumática acomete tipicamente grandes articulações (joelhos, tornozelos, cotovelos, ombros e punhos), com padrão migratório e assimétrico, e não pequenas articulações de membros superiores de forma simétrica e cumulativa. O padrão descrito na alternativa — pequenas articulações, simétrico e cumulativo — é característico da artrite reumatoide, não da febre reumática. A artrite reumática é autolimitada, migratória e não deixa sequelas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as manifestações da febre reumática e as da artrite reumatoide, além de inverter frequências e cronologias. Na alternativa E, o padrão articular descrito (pequenas articulações, simétrico, cumulativo) é da artrite reumatoide, não da FR. Nas alternativas B, C e D, a banca troca o que é tardio por precoce, o que é raro por comum, e inverte a associação dos nódulos com a cardite grave. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com as manifestações maiores e suas características-chave: artrite (grandes articulações, migratória, precoce, comum), cardite (pancardite, grave, 40–70%), coreia (tardia, até 7 meses, meninas), eritema marginado (raro, <3%, não pruriginoso), nódulos subcutâneos (raro, 2–5%, associado à cardite grave). E lembre: a revisão de 2015 incluiu a cardite subclínica como critério maior — esse é o ponto mais atual e cobrado.

Gabarito: letra A

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