Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105107
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
Em relação às possíveis complicações associadas ao procedimento de implante da prótese demonstrada no caso, assinale a afirmativa correta.
AEm casos de insuficiência paraprotética significativa, uma segunda prótese pode ser implantada para corrigir a regurgitação.
BA incidência de acidente vascular cerebral periprocedimento é de cerca de 30%.
CDistúrbios de condução atrioventricular podem ocorrer em cerca de 40% dos casos após o implante.
DNunca foram descritos casos de endocardite associadas à prótese da figura, o que representa uma vantagem significativa do dispositivo.
EO bloqueio de ramo esquerdo de 3º novo após o procedimento não esta associado a um pior prognóstico.
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GabaritoA — Em casos de insuficiência paraprotética significativa, uma segunda prótese pode ser implantada para corrigir a regurgitação.
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Complicações do implante de prótese valvar aórtica transcateter (TAVI)
Gabarito: letra A. Em casos de insuficiência paraprotética significativa após o implante de prótese valvar aórtica transcateter (TAVI), uma segunda prótese pode ser implantada (técnica valve-in-valve) para corrigir a regurgitação. As demais alternativas apresentam erros factuais: a incidência de AVC periprocedimento é baixa (cerca de 1-3%), distúrbios de condução atrioventricular ocorrem em uma parcela significativa, mas não em 40% (a incidência de BAVT é de cerca de 10-20%), endocardite já foi descrita, e o BRE de 3º grau novo está associado a pior prognóstico.
A prótese demonstrada no caso é uma prótese valvar aórtica transcateter (TAVI), um dispositivo implantado por cateter para tratar a estenose aórtica grave em pacientes de alto risco cirúrgico. As complicações desse procedimento são divididas em vasculares (relacionadas ao acesso), neurológicas (AVC), de condução (bloqueios), e relacionadas à própria prótese (regurgitação paraprotética, endocardite, trombose).
A insuficiência paraprotética (vazamento ao redor da prótese) é uma complicação relativamente comum, ocorrendo em graus variados. Quando é significativa (moderada a grave), está associada a pior prognóstico e pode ser tratada com a implantação de uma segunda prótese dentro da primeira, a chamada técnica valve-in-valve. Essa técnica é uma opção consagrada para corrigir a regurgitação paraprotética significativa, especialmente em pacientes de alto risco cirúrgico.
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma complicação temida, mas sua incidência periprocedimento é baixa, em torno de 1-3%, e não 30%. O mecanismo é a embolização de material ateromatoso da aorta ou de trombos formados nos cateteres. Os fatores de risco incluem sexo feminino, hipertensão, diabetes e doença vascular periférica.
Os distúrbios de condução atrioventricular são complicações comuns após TAVI, devido à proximidade anatômica da valva aórtica com o sistema de condução cardíaco. A incidência de bloqueio atrioventricular total (BAVT) que requer marca-passo definitivo é de cerca de 10-20%, e não 40%. O bloqueio de ramo esquerdo (BRE) novo é uma complicação frequente e está associado a pior prognóstico, com maior risco de progressão para BAVT e morte súbita.
A endocardite infecciosa é uma complicação rara, mas já foi descrita em pacientes com TAVI. A incidência é de cerca de 1-3% ao ano, e está associada a alta mortalidade. A afirmação de que "nunca foram descritos casos" é incorreta.
A pegadinha desta questão é a banca explorar a associação entre TAVI e distúrbios de condução, mas com um número exagerado (40%). O candidato que sabe que distúrbios de condução são comuns pode marcar a alternativa C sem verificar o valor exato. A alternativa A é a única que apresenta uma conduta correta e bem estabelecida.
Complicações do TAVI
1Vasculares (acesso)
2Neurológicas
AVC periprocedimento
Incidência baixa (1-3%)
3De condução
BAVT (10-20%)
BRE novo
Pior prognóstico
4Relacionadas à prótese
Insuficiência paraprotética
Valve-in-valve corrige
Endocardite
Já descrita (1-3%/ano)
Trombose
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. A insuficiência paraprotética significativa é uma complicação que pode ser tratada com a implantação de uma segunda prótese, a técnica valve-in-valve. Essa é uma opção terapêutica bem estabelecida para corrigir a regurgitação ao redor da prótese, especialmente em pacientes de alto risco cirúrgico. A técnica consiste em implantar uma nova prótese dentro da prótese já existente, melhorando a coaptação dos folhetos e reduzindo o refluxo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. A incidência de acidente vascular cerebral (AVC) periprocedimento em TAVI é de cerca de 1-3%, e não 30%. O AVC é uma complicação temida, mas sua frequência é baixa. O número de 30% é um distrator que não corresponde à realidade clínica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. Distúrbios de condução atrioventricular podem ocorrer, mas a incidência de bloqueio atrioventricular total (BAVT) que requer marca-passo é de cerca de 10-20%, e não 40%. O número de 40% é exagerado. A banca explora a associação entre TAVI e distúrbios de condução, mas com um valor incorreto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. A endocardite infecciosa já foi descrita em pacientes com TAVI. A incidência é de cerca de 1-3% ao ano, e está associada a alta mortalidade. A afirmação de que "nunca foram descritos casos" é falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. O bloqueio de ramo esquerdo (BRE) de 3º grau novo após o procedimento está associado a pior prognóstico, com maior risco de progressão para bloqueio atrioventricular total (BAVT) e morte súbita. A afirmação de que não está associado a pior prognóstico é falsa.