Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105114
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
Os malefícios do tabaco à saúde são amplamente conhecidos há décadas, com complicações que afetam diversos sistemas. Assinale a afirmativa correta em relação aos potenciais efeitos nocivos do fumo de cigarros.
  1. AEm geral, o fumo de cigarro está associado a um maior risco relativo de doença cardiovascular do que câncer de pulmão.
  2. BEm tabagistas, a presença de diabetes não está associada a um incremento do risco cardiovascular.
  3. COs riscos de doença arterial periférica e infarto não-fatal não estão associados à carga tabágica.
  4. DO fumo de cigarros aumenta o risco de eventos cardiovasculares exclusivamente por promover vasoconstrição coronariana.
  5. EO fumo de cigarro também aumenta o risco de fibrilação atrial e morte súbita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O fumo de cigarro também aumenta o risco de fibrilação atrial e morte súbita.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tabagismo e risco cardiovascular

Gabarito: letra E. O fumo de cigarro é um fator de risco estabelecido para uma ampla gama de doenças cardiovasculares, incluindo não apenas infarto e acidente vascular cerebral, mas também fibrilação atrial e morte súbita — exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais ou afirmações contrárias à evidência científica consolidada.

O tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias tóxicas que afetam o sistema cardiovascular de múltiplas formas: promovem disfunção endotelial, aumentam o estresse oxidativo, ativam o sistema nervoso simpático, promovem estado pró-trombótico e pró-inflamatório, e aceleram o processo de aterosclerose. Esses mecanismos explicam por que o tabagismo aumenta o risco de doença arterial coronariana, doença cerebrovascular, doença arterial periférica, aneurisma de aorta abdominal e também arritmias, como a fibrilação atrial.

A relação entre tabagismo e risco cardiovascular é dose-dependente: quanto maior a carga tabágica (número de maços-ano), maior o risco. Isso refuta a alternativa C, que nega essa associação. Além disso, o tabagismo interage com outros fatores de risco, como diabetes e hipertensão, potencializando seus efeitos nocivos — o que torna a alternativa B incorreta, pois o diabetes em tabagistas aumenta ainda mais o risco cardiovascular.

É importante destacar que o risco cardiovascular atribuível ao tabagismo é maior que o risco de câncer de pulmão em termos de mortalidade populacional. Embora o tabagismo seja a principal causa de câncer de pulmão, as doenças cardiovasculares são responsáveis por mais mortes relacionadas ao tabaco do que o câncer de pulmão. Isso torna a alternativa A incorreta.

A alternativa D também está errada, pois o tabagismo aumenta o risco cardiovascular por múltiplos mecanismos, não exclusivamente por vasoconstrição coronariana. A vasoconstrição é apenas um dos efeitos; outros incluem aterosclerose acelerada, trombose, disfunção endotelial e arritmias.

A alternativa E está correta porque a fibrilação atrial e a morte súbita são complicações cardiovasculares bem documentadas do tabagismo. Estudos epidemiológicos demonstram que fumantes têm maior risco de desenvolver fibrilação atrial e de sofrer morte súbita cardíaca, mesmo após ajuste para outros fatores de risco.

Tabagismo e risco cardiovascular
  • 1Mecanismos
    • Disfunção endotelial
    • Estresse oxidativo
    • Estado pró-trombótico
    • Aterosclerose acelerada
    • Vasoconstrição
  • 2Efeitos
    • Infarto e AVC
    • Doença arterial periférica
    • Fibrilação atrial
    • Morte súbita
  • 3Relação dose-dependente
    • Maior carga tabágica → maior risco
  • 4Interação com diabetes
    • Efeito sinérgico
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o fumo está associado a maior risco relativo de doença cardiovascular do que câncer de pulmão. Na verdade, o tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão, com risco relativo muito elevado (cerca de 20 vezes ou mais em comparação a não fumantes). Embora o tabagismo também aumente substancialmente o risco cardiovascular, o risco relativo de câncer de pulmão é maior. A banca inverte a relação: o risco relativo de câncer de pulmão é superior ao de doença cardiovascular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que em tabagistas a presença de diabetes não está associada a incremento do risco cardiovascular. Isso é falso: diabetes e tabagismo são fatores de risco independentes e sinérgicos para doença cardiovascular. A presença de ambos aumenta exponencialmente o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular. A alternativa nega uma associação bem estabelecida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que os riscos de doença arterial periférica e infarto não-fatal não estão associados à carga tabágica. Isso contraria a evidência: o risco cardiovascular é dose-dependente — quanto maior a carga tabágica (maços-ano), maior o risco de doença arterial periférica e infarto. A alternativa nega a relação dose-resposta, que é um princípio fundamental da epidemiologia do tabagismo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o fumo aumenta o risco de eventos cardiovasculares exclusivamente por promover vasoconstrição coronariana. O mecanismo é multifatorial: além da vasoconstrição, o tabagismo causa disfunção endotelial, acelera a aterosclerose, promove estado pró-trombótico, aumenta o estresse oxidativo e a inflamação, e pode desencadear arritmias. A palavra "exclusivamente" torna a alternativa incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o fumo de cigarro também aumenta o risco de fibrilação atrial e morte súbita. Isso é correto e bem documentado. O tabagismo é fator de risco para fibrilação atrial, e a morte súbita cardíaca é mais frequente em fumantes, mesmo após ajuste para outros fatores de risco. A alternativa está alinhada com a evidência científica.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fg105114