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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105117
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
A seguinte medicação está mais frequentemente associada à complicação demonstrada no eletrocardiograma:
  1. Adonepezila.
  2. Bfenoterol.
  3. Catorvastatina.
  4. Danlodipina
  5. Edapaglifozina.
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GabaritoA — donepezila.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bradicardia sinusal induzida por donepezila: o ECG que decide a questão

Gabarito: letra A. A complicação demonstrada no eletrocardiograma é a bradicardia sinusal, e a donepezila é a medicação mais frequentemente associada a essa arritmia, pois inibe a acetilcolinesterase, aumentando a atividade colinérgica e reduzindo a frequência cardíaca. As demais opções (fenoterol, atorvastatina, anlodipino e dapaglifozina) não têm esse efeito cronotrópico negativo como efeito adverso característico.

A bradicardia sinusal é definida como frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto, com ritmo originado no nó sinusal. No ECG, isso se traduz em ondas P regulares, seguidas de complexos QRS, porém com intervalo RR prolongado. A donepezila, um inibidor da acetilcolinesterase usado no tratamento da doença de Alzheimer, aumenta a concentração de acetilcolina na fenda sináptica. A acetilcolina, ao atuar nos receptores muscarínicos M2 do coração, diminui a velocidade de despolarização do nó sinusal e a condução pelo nó atrioventricular, resultando em bradicardia. Esse é um efeito adverso bem documentado e clinicamente relevante, especialmente em idosos, que podem ter doença do nó sinusal subjacente.

O fenoterol, um agonista beta-2 adrenérgico, causa taquicardia reflexa, não bradicardia. A atorvastatina, uma estatina, tem como efeitos adversos principais a miopatia e a hepatotoxicidade, sem impacto direto na frequência cardíaca. O anlodipino, um bloqueador dos canais de cálcio di-hidropiridínico, causa vasodilatação e taquicardia reflexa, podendo, em casos raros, causar bradicardia, mas não é o efeito mais frequente. A dapaglifozina, um inibidor do SGLT2, tem como efeitos adversos infecções geniturinárias e depleção de volume, sem efeito cronotrópico relevante.

A pegadinha da questão está em associar a bradicardia a um fármaco que sabidamente reduz a frequência cardíaca, mas que não é o mais frequentemente associado a essa complicação. O anlodipino, por exemplo, pode causar bradicardia em casos de superdosagem ou em pacientes com disfunção do nó sinusal, mas a donepezila é a que tem essa associação como efeito adverso clássico e esperado. A banca explora o conhecimento dos efeitos colaterais mais comuns e característicos de cada medicação.

Guarde a relação entre o mecanismo de ação e o efeito adverso: fármacos que aumentam o tônus colinérgico (donepezila) ou que bloqueiam canais de cálcio não-di-hidropiridínicos (verapamil, diltiazem) tendem a causar bradicardia, enquanto agonistas beta-adrenérgicos (fenoterol) e di-hidropiridínicos (anlodipino) tendem a causar taquicardia reflexa. É essa lógica que separa as alternativas.

Fármacos e efeito cronotrópico
  • 1Bradicardia (↓ FC)
    • Donepezila (inibidor da acetilcolinesterase)
    • Verapamil/diltiazem (BCC não-di-hidropiridínicos)
  • 2Taquicardia (↑ FC)
    • Fenoterol (agonista beta-2)
    • Anlodipino (BCC di-hidropiridínico)
  • 3Sem efeito cronotrópico relevante
    • Atorvastatina (estatina)
    • Dapaglifozina (inibidor SGLT2)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A donepezila é um inibidor da acetilcolinesterase, aumentando a acetilcolina na fenda sináptica. A acetilcolina age nos receptores muscarínicos M2 do coração, reduzindo a frequência de despolarização do nó sinusal e a velocidade de condução no nó atrioventricular. O resultado é a bradicardia sinusal, que é a complicação demonstrada no ECG. Esse é um efeito adverso bem estabelecido e frequentemente observado na prática clínica, especialmente em idosos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O fenoterol é um agonista beta-2 adrenérgico, utilizado como broncodilatador. Seu efeito cardiovascular mais comum é a taquicardia, decorrente da estimulação beta-1 adrenérgica (em doses maiores) ou da taquicardia reflexa à vasodilatação periférica. Não causa bradicardia; pelo contrário, pode precipitar taquiarritmias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A atorvastatina é uma estatina, cujos efeitos adversos mais característicos são miopatia, rabdomiólise e hepatotoxicidade. Não há associação frequente com bradicardia sinusal. O ECG demonstrado não é uma complicação esperada do uso dessa medicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O anlodipino é um bloqueador dos canais de cálcio do tipo di-hidropiridínico, que causa vasodilatação arterial periférica. O efeito adverso mais comum é o edema de membros inferiores, e a taquicardia reflexa pode ocorrer. Embora bradicardia possa ocorrer em superdosagem ou em pacientes com disfunção do nó sinusal, não é a complicação mais frequentemente associada ao seu uso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dapaglifozina é um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), usado no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e da insuficiência cardíaca. Seus efeitos adversos mais comuns são infecções do trato urinário e genital, além de depleção de volume. Não há associação relevante com bradicardia sinusal.

Gabarito: letra A

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