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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg105122
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Cardiologista
O CASO A SEGUIR REFERE-SE ÀS DUAS PRÓXIMAS QUESTÕESGestante de 36 anos, com 27 semanas de gravidez, em acompanhamento pré-natal regular, comparece à consulta referindo dispneia aos esforços associada a “chiado no peito” que iniciou a partir do 3º trimestre da gestação. A dispneia foi progressiva e atualmente ocorre aos pequenos esforços. Apresenta também tosse noturna, edema progressivo de membros inferiores e dispneia paroxística noturna. Nega febre ou dor torácica. Relata múltiplos episódios de faringite na adolescência. Ao exame: Levemente taquipneica em ar ambiente, hipocorada +/4+, acianótica, anictérica, afebril. Cavidade oral com dentes em mau estado de conservação. FC: 105 bpm, PA: 112x58 mmHg (MSE sentada). AR: Estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares com sibilos esparsos. ACV: Ritmo cardíaco regular, 2 tempos, bulhas normofonéticas, ruflar diastólico 3+/6+ com reforço pré-sistólico em foco mitral, com estalido de abertura audível próximo à B2. P2>A2. Pressão venosa central estimada em 14 cmH₂0. Varizes e edema de membros inferiores bilateralmente até os joelhos com cacifo 2+/4+. Pulsos pediosos palpáveis.A lesão valvar descrita no exame físico, que inclusive justifica os sintomas apresentados pela paciente é a
  1. Aestenose aórtica.
  2. Bestenose mitral.
  3. Cinsuficiência aórtica.
  4. Dinsuficiência mitral.
  5. Eestenose tricúspide.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — estenose mitral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estenose mitral na gestação: diagnóstico pelo exame físico

Gabarito: letra B. O quadro clínico — dispneia progressiva, ortopneia, dispneia paroxística noturna, edema de membros inferiores e, sobretudo, o ruflar diastólico com reforço pré-sistólico e estalido de abertura — é clássico de estenose mitral, a valvopatia mais comum na gestação, frequentemente de etiologia reumática (história de faringites na adolescência). O exame físico é o ponto-chave: o estalido de abertura e o ruflar diastólico são praticamente patognomônicos de estenose mitral.

A estenose mitral é uma valvopatia em que a valva mitral não abre completamente durante a diástole, dificultando a passagem de sangue do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Isso gera um gradiente de pressão entre essas câmaras, elevando a pressão no átrio esquerdo e, consequentemente, nas veias pulmonares e capilares, levando à congestão pulmonar. Os sintomas clássicos são dispneia aos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna e, em casos graves, edema agudo de pulmão. Na gestação, o aumento do débito cardíaco e da frequência cardíaca (que diminui o tempo de enchimento diastólico) agrava o gradiente transvalvar, podendo descompensar uma estenose mitral previamente assintomática.

A etiologia mais comum da estenose mitral é a febre reumática, que ocorre como sequela de infecções de garganta (faringite estreptocócica) na infância ou adolescência. A paciente do caso relata múltiplos episódios de faringite na adolescência, o que reforça fortemente essa etiologia. A ausculta cardíaca na estenose mitral revela: hiperfonese da primeira bulha (B1), estalido de abertura (som de alta frequência logo após B2, devido à abertura abrupta da valva mitral espessada), e ruflar diastólico (sopro diastólico de baixa frequência, melhor audível com a campânula do estetoscópio no foco mitral, com reforço pré-sistólico quando em ritmo sinusal). O achado de P2>A2 indica hipertensão pulmonar, consequência da congestão pulmonar crônica.

A gestação é um período de risco para pacientes com estenose mitral, pois as alterações hemodinâmicas (aumento do volume sanguíneo, débito cardíaco e frequência cardíaca) aumentam o gradiente transvalvar e podem precipitar sintomas. O diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado por ecocardiograma. O manejo envolve controle da frequência cardíaca (betabloqueadores), diuréticos para congestão e, em casos graves, intervenção valvar.

A pegadinha desta questão está em diferenciar a estenose mitral das outras valvopatias. A estenose aórtica apresenta sopro sistólico de ejeção no foco aórtico, com irradiação para carótidas, e não ruflar diastólico. A insuficiência aórtica apresenta sopro diastólico aspirativo (decrescente) no foco aórtico acessório, com pressão de pulso alargada. A insuficiência mitral apresenta sopro sistólico holossistólico no foco mitral, com irradiação para axila. A estenose tricúspide é rara e apresenta ruflar diastólico no foco tricúspide, mas sem estalido de abertura e sem os sinais de congestão pulmonar proeminentes. O estalido de abertura é o achado que diferencia a estenose mitral das demais.

Guarde a tríade auscultatória da estenose mitral — B1 hiperfonética, estalido de abertura e ruflar diastólico — e a associação com história de febre reumática: é exatamente nesses dois pilares que as alternativas se dividem.

Valvopatia

Sopro

Achado-chave

Foco

Estenose mitral

Diastólico (ruflar)

Estalido de abertura, B1 hiperfonética

Mitral

Estenose aórtica

Sistólico de ejeção

Irradiação para carótidas

Aórtico

Insuficiência aórtica

Diastólico aspirativo

Pressão de pulso alargada

Aórtico acessório

Insuficiência mitral

Sistólico holossistólico

Irradiação para axila

Mitral

Estenose tricúspide

Diastólico (ruflar)

Sem estalido, congestão sistêmica

Tricúspide

Alternativa A — ❌ Incorreta

A estenose aórtica apresenta sopro sistólico de ejeção (mesossistólico) no foco aórtico, com irradiação para as carótidas, e não ruflar diastólico. Os sintomas de estenose aórtica grave (angina, síncope, dispneia) são devidos à obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo, não à congestão pulmonar por obstrução do enchimento diastólico. O estalido de abertura não faz parte da semiologia da estenose aórtica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A estenose mitral é a valvopatia que melhor explica o quadro. O ruflar diastólico com reforço pré-sistólico e o estalido de abertura são achados auscultatórios clássicos e praticamente patognomônicos de estenose mitral. A história de faringites na adolescência sugere etiologia reumática, a causa mais comum. Os sintomas de dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores são consequência da congestão pulmonar e da hipertensão pulmonar (P2>A2) decorrentes da obstrução ao fluxo diastólico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A insuficiência aórtica apresenta sopro diastólico aspirativo (decrescente) no foco aórtico acessório (3º espaço intercostal esquerdo), com pressão de pulso alargada (a paciente tem PA 112x58, com pressão de pulso de 54 mmHg, mas isso não é o achado dominante). Não há estalido de abertura nem ruflar diastólico com reforço pré-sistólico. A insuficiência aórtica crônica pode causar dispneia, mas o exame físico é diferente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A insuficiência mitral apresenta sopro sistólico holossistólico no foco mitral, com irradiação para a axila, frequentemente associado a B3 e ictus desviado. Não há estalido de abertura nem ruflar diastólico. A insuficiência mitral pode causar congestão pulmonar, mas o sopro é sistólico, não diastólico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A estenose tricúspide é rara e apresenta ruflar diastólico no foco tricúspide (borda esternal esquerda baixa), mas sem estalido de abertura. Os sintomas são de congestão sistêmica (edema, ascite, estase jugular) sem congestão pulmonar significativa, pois a obstrução é ao nível do coração direito. A paciente apresenta estertores crepitantes bibasais e P2>A2, indicando congestão pulmonar, o que favorece estenose mitral.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os sopros das valvopatias. O candidato que decora apenas "sopro diastólico = estenose" pode marcar estenose tricúspide (letra E), mas o estalido de abertura é o diferencial que aponta para a mitral. Lembre-se: estalido de abertura + ruflar diastólico = estenose mitral; sopro diastólico aspirativo = insuficiência aórtica; sopro sistólico = estenose aórtica ou insuficiência mitral.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as valvopatias na prova, monte uma tabela mental com o tipo de sopro (sistólico ou diastólico) e os achados associados (estalido, B3, irradiação). Na estenose mitral, o ruflar diastólico é de baixa frequência e melhor audível com a campânula; o estalido de abertura é um som seco, de alta frequência, que ocorre logo após B2.

Gabarito: letra B

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