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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
fg105127
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Clinico Geral
Homem de 60 anos, tabagista e etilista, procura atendimento por icterícia progressiva há cerca de dois meses, acompanhada de colúria, fezes acólicas, prurido e dor leve em região epigástrica. Refere perda ponderal de aproximadamente 8 kg nesse período.Ao exame físico, observa-se icterícia 3+/4+ e, ao exame abdominal, vesícula biliar palpável e indolor, sem outras alterações relevantes.Assinale a opção que apresenta o nome do sinal semiológico descrito e qual a principal hipótese diagnóstica associada.
  1. ASinal de Murphy — colecistite aguda.
  2. BSinal de Courvoisier — neoplasia da cabeça do pâncreas.
  3. CSinal de Blumberg — colelitíase complicada.
  4. DSinal de Cullen — pancreatite hemorrágica.
  5. ESinal de Troisier — carcinoma gástrico metastático.
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GabaritoB — Sinal de Courvoisier — neoplasia da cabeça do pâncreas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia obstrutiva: Sinal de Courvoisier-Terrier e neoplasia de cabeça de pâncreas

Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — icterícia progressiva, colúria, acolia fecal, prurido, perda ponderal e, sobretudo, vesícula biliar palpável e indolor — configura o sinal de Courvoisier-Terrier, cuja principal hipótese diagnóstica associada é a neoplasia da cabeça do pâncreas (obstrução maligna da via biliar distal). A semiologia do sinal está descrita no material de apoio: "vesícula biliar palpável e não dolorosa (sinal de Courvoisier-Terrier) sugere obstrução maligna da via biliar distal".

O sinal de Courvoisier-Terrier é um dos achados semiológicos mais clássicos da propedêutica abdominal. Ele se define pela presença de vesícula biliar palpável, indolor e de consistência cística, na vigência de icterícia. O mecanismo fisiopatológico é o seguinte: quando há obstrução maligna da via biliar distal (como no tumor de cabeça de pâncreas), a bile se acumula e distende a vesícula, que se torna palpável. Como a obstrução é progressiva e não inflamatória, a vesícula não dói à palpação. Isso contrasta com a colecistite aguda, em que a vesícula está inflamada e dolorosa (sinal de Murphy positivo).

A principal hipótese diagnóstica associada ao sinal de Courvoisier-Terrier é a neoplasia periampular, sendo a mais frequente o adenocarcinoma de cabeça de pâncreas. Outras causas incluem colangiocarcinoma distal, tumor de ampola de Vater e, menos comumente, linfonodomegalias metastáticas comprimindo o colédoco distal. O quadro clínico típico do paciente com tumor de cabeça de pâncreas inclui icterícia progressiva, colúria, acolia fecal, prurido, perda ponderal e dor abdominal leve, exatamente como descrito no enunciado. O tabagismo e o etilismo são fatores de risco adicionais.

É fundamental distinguir o sinal de Courvoisier-Terrier de outros sinais semiológicos abdominais, pois a banca frequentemente explora essa confusão. O sinal de Murphy é a apneia inspiratória dolorosa à palpação do ponto cístico, indicando colecistite aguda. O sinal de Blumberg é a dor à descompressão brusca do abdome, indicando irritação peritoneal (peritonite). O sinal de Cullen é a equimose periumbilical, associada à pancreatite hemorrágica ou gravidez ectópica rota. O sinal de Troisier é o linfonodo supraclavicular esquerdo palpável (linfonodo de Virchow), indicando metástase de neoplasia abdominal, como o carcinoma gástrico.

A pegadinha central desta questão é a associação automática entre icterícia e dor abdominal com colecistite ou colelitíase. No entanto, a presença de vesícula palpável e indolor é o dado semiológico que direciona o raciocínio para a obstrução maligna, não para a inflamação. O candidato que não domina a semiologia do sinal de Courvoisier-Terrier pode facilmente cair na alternativa A (Sinal de Murphy — colecistite aguda), que é o distrator mais atraente. Guarde a fronteira: vesícula palpável e indolor + icterícia = Courvoisier-Terrier = neoplasia de cabeça de pâncreas; vesícula dolorosa + Murphy positivo = colecistite aguda.

1Murphy
Dor à palpação do ponto cístico
Colecistite aguda
2Courvoisier-Terrier
Vesícula palpável e indolor + icterícia
Neoplasia de cabeça de pâncreas
3Blumberg
Dor à descompressão brusca
Irritação peritoneal
4Cullen
Equimose periumbilical
Pancreatite hemorrágica
5Troisier
Linfonodo supraclavicular esquerdo
Metástase de neoplasia abdominal
Sinais semiológicos abdominais
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Sinais semiológicos abdominais: Murphy (Dor à palpação do ponto cístico, Colecistite aguda); Courvoisier-Terrier (Vesícula palpável e indolor + icterícia, Neoplasia de cabeça de pâncreas); Blumberg (Dor à descompressão brusca, Irritação peritoneal); Cullen (Equimose periumbilical, Pancreatite hemorrágica); Troisier (Linfonodo supraclavicular esquerdo, Metástase de neoplasia abdominal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O sinal de Murphy é a pausa inspiratória abrupta por dor à palpação do ponto cístico, indicando colecistite aguda. No caso descrito, a vesícula é palpável e indolor, o que exclui o Murphy positivo. Além disso, a colecistite aguda cursa com dor intensa, febre e, frequentemente, sinal de Murphy positivo — não com vesícula indolor e icterícia progressiva com perda ponderal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O sinal de Courvoisier-Terrier é definido pela vesícula biliar palpável e indolor na vigência de icterícia, e a principal hipótese diagnóstica é a neoplasia da cabeça do pâncreas (obstrução maligna da via biliar distal). O quadro clínico do enunciado — icterícia progressiva, colúria, acolia fecal, prurido, perda ponderal e vesícula palpável indolor — é o exemplo clássico desse sinal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O sinal de Blumberg é a dor à descompressão brusca da parede abdominal, indicando irritação peritoneal (peritonite). Não há no enunciado qualquer menção a dor à descompressão, e a vesícula palpável indolor não se relaciona com esse sinal. A colelitíase complicada poderia cursar com colecistite ou colangite, mas o sinal semiológico descrito não é o de Blumberg.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O sinal de Cullen é a equimose periumbilical, associada à pancreatite hemorrágica ou a outras causas de hemorragia intra-abdominal. O enunciado não descreve equimose periumbilical, e a pancreatite hemorrágica cursa com dor abdominal intensa, não com vesícula palpável indolor e icterícia progressiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O sinal de Troisier é a presença de linfonodo palpável na fossa supraclavicular esquerda (linfonodo de Virchow), indicando metástase de neoplasia abdominal, como o carcinoma gástrico. O enunciado não menciona linfonodomegalia supraclavicular, e o quadro clínico é de icterícia obstrutiva, não de carcinoma gástrico metastático.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre icterícia e dor abdominal com colecistite aguda (alternativa A). No entanto, o dado decisivo é a vesícula palpável e indolor, que aponta para obstrução maligna (Courvoisier-Terrier), não para inflamação. O candidato que não domina a semiologia do sinal pode facilmente cair no distrator. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os sinais abdominais na prova, foque no dado semiológico-chave de cada um: Murphy = dor à palpação do ponto cístico; Courvoisier-Terrier = vesícula palpável e indolor + icterícia; Blumberg = dor à descompressão brusca; Cullen = equimose periumbilical; Troisier = linfonodo supraclavicular esquerdo. Monte uma tabela mental com esses cinco sinais e suas associações.

Gabarito: letra B

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