Mulher de 50 anos é trazida à clínica por sua filha devido à fadiga progressiva e perda de peso não intencional de 6 kg nos últimos 4 meses. Nesse período, passou a apresentar dispneia aos médios esforços, associada a tosse seca ocasional.Nega febre, sudorese noturna ou hemoptise.É hipertensa, nega tabagismo, viúva, aposentada (professora de inglês) e sem exposições ocupacionais ou contato com animais domésticos. Faz uso de losartana e clortalidona.Ao exame físico, encontra-se emagrecida, levemente hipocorada, alerta e lúcida. Sinais vitais dentro da normalidade. À ausculta respiratória, murmúrio vesicular reduzido no terço inferior do hemitórax direito. Sem linfonodomegalias ou visceromegalias.Exames complementares:Radiografia de tórax: hipotransparência de 3,5 cm de diâmetro no lobo inferior direito.Tomografia computadorizada de tórax: massa de densidade de partes moles, contornos irregulares, localizada no parênquima pulmonar adjacente à pleura direita, com retração pleural e sem derrame pleural ou linfonodomegalias. Achado compatível com neoplasia primária de pulmão.Biópsia pulmonar guiada por TC: células malignas formadoras de glândulas com produção de mucina.Esse quadro é sugestivo de
Aadenocarcinoma.
Bcarcinoma de grandes células.
Cmesotelioma.
Dcarcinoma de pequenas células.
Ecarcinoma escamoso.
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GabaritoA — adenocarcinoma.
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Neoplasias pulmonares: adenocarcinoma
Gabarito: letra A. O quadro é sugestivo de adenocarcinoma de pulmão, pois a biópsia revelou "células malignas formadoras de glândulas com produção de mucina" — a formação de glândulas e a produção de mucina são as marcas histológicas clássicas do adenocarcinoma, o subtipo mais comum de câncer de pulmão em não fumantes. A apresentação clínica (perda de peso, fadiga, dispneia, tosse seca) e a imagem (massa periférica com contornos irregulares e retração pleural) reforçam o diagnóstico.
O adenocarcinoma é um dos principais tipos histológicos de carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC), junto com o carcinoma escamoso e o carcinoma de grandes células. Ele se origina das células epiteliais glandulares e, por isso, tende a formar estruturas glandulares e a produzir mucina — exatamente o que a biópsia mostrou. É o tipo mais comum em mulheres e em não fumantes, o que se encaixa no perfil da paciente (mulher, 50 anos, nega tabagismo).
Na tomografia, o adenocarcinoma costuma se apresentar como um nódulo ou massa periférica, de contornos irregulares ou espiculados, frequentemente com retração pleural — sinal de que o tumor está puxando a pleura adjacente. A ausência de derrame pleural e de linfonodomegalias não afasta o diagnóstico, pois são achados que podem aparecer em estágios mais avançados.
Os demais tipos histológicos têm características distintas: o carcinoma escamoso é central, associado ao tabagismo e forma "pérolas córneas"; o carcinoma de pequenas células é central, agressivo, com rápida disseminação e fortemente associado ao tabagismo; o carcinoma de grandes células é indiferenciado, sem padrão glandular ou escamoso; e o mesotelioma origina-se da pleura, não do parênquima pulmonar, e está associado à exposição ao asbesto.
A pegadinha da questão está em reconhecer que a descrição histológica — "células malignas formadoras de glândulas com produção de mucina" — é o dado decisivo. A banca espera que o candidato associe esse padrão ao adenocarcinoma, e não se deixe confundir pela localização periférica (que também ocorre no adenocarcinoma) ou pela ausência de tabagismo (que é um fator de risco, mas não exclui outros tipos).
Carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC): Adenocarcinoma (Forma glândulas e produz mucina, Periférico, contornos espiculados, Mais comum em não fumantes e mulheres); Carcinoma escamoso (Central, associado ao tabagismo, Pérolas córneas e pontes intercelulares); Carcinoma de grandes células (Indiferenciado, sem padrão glandular); Carcinoma de pequenas células (Central, agressivo, neuroendócrino, Forte associação com tabagismo); Mesotelioma (Origina-se da pleura (não do parênquima), Associado à exposição ao asbesto)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O adenocarcinoma é o subtipo de câncer de pulmão que se caracteriza pela formação de glândulas e pela produção de mucina, como descrito na biópsia. É o tipo mais comum em não fumantes e em mulheres, e frequentemente se apresenta como massa periférica com retração pleural na tomografia — todos os achados do caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O carcinoma de grandes células é um tumor indiferenciado, sem padrão glandular, escamoso ou neuroendócrino. Não forma glândulas nem produz mucina, portanto não se encaixa na descrição histológica da biópsia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O mesotelioma é uma neoplasia que se origina da pleura, não do parênquima pulmonar. A tomografia mostra a massa "localizada no parênquima pulmonar adjacente à pleura direita", o que indica origem pulmonar, e a histologia com glândulas e mucina não é característica do mesotelioma, que costuma apresentar padrão epitelioide, sarcomatoide ou bifásico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O carcinoma de pequenas células é um tumor neuroendócrino, central, agressivo e fortemente associado ao tabagismo. A paciente nega tabagismo, a lesão é periférica e a histologia não mostra diferenciação glandular com produção de mucina — características típicas do adenocarcinoma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O carcinoma escamoso é um tumor central, associado ao tabagismo, que se caracteriza pela presença de "pérolas córneas" e pontes intercelulares, não pela formação de glândulas com mucina. A localização periférica da lesão e o perfil de não fumante da paciente apontam para o adenocarcinoma.