Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
fg105134
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Clinico Geral
Homem de 57 anos procura o ambulatório por mialgia iniciada há 10 dias. Relata dor contínua em ambas as coxas e ombros. Nega trauma, infecção recente ou mudanças em sua rotina de exercícios. Nega febre, perda ponderal, artralgia, disfagia ou alterações cutâneas. Nega etilismo ou uso de drogas ilícitas.História patológica pregressa: hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia. Faz uso de losartana, pioglitazona, ácido acetilsalicílico e, há 2 semanas, iniciou sinvastatina após revisão de seu lipidograma.Ao exame físico, apresenta dor à palpação dos músculos proximais, sem edema, calor ou eritema.O exame neurológico é normal. Exames laboratoriais mostram aumento da creatina quinase (CK), com função renal e eletrólitos normais.O mecanismo de ação do fármaco responsável pelos sintomas descritos é a
Aligação aos ácidos biliares no intestino.
Bativação do receptor PPAR-γ, modulando a expressão de genes relacionados à sensibilidade à insulina.
Cativação do receptor PPAR-α, aumentando a oxidação de ácidos graxos e reduzindo a síntese hepática de triglicerídeos.
Dinibição da HMG-CoA redutase.
Eredução da gliconeogênese hepática e aumento da captação periférica de glicose por ativação da AMPK.
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GabaritoD — inibição da HMG-CoA redutase.
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Mialgia induzida por estatina: mecanismo de ação
Gabarito: letra D. O quadro clínico — mialgia proximal bilateral, início há 10 dias, elevação de CK, função renal normal e uso recente de sinvastatina — é clássico de miopatia induzida por estatina. O mecanismo de ação desse fármaco é a inibição da HMG-CoA redutase, enzima-chave da síntese hepática de colesterol. As demais alternativas descrevem mecanismos de outras classes de medicamentos (sequestrantes de ácidos biliares, glitazonas, fibratos e metformina), que não se relacionam com o quadro apresentado.
A miopatia por estatina é uma reação adversa dose-dependente, mais comum em pacientes idosos, com disfunção renal, hipotireoidismo ou em uso de fármacos que inibem o CYP3A4 (como fibratos, amiodarona, verapamil). O espectro varia de mialgia benigna (CK normal ou pouco elevada) até rabdomiólise (CK > 10x o limite superior, mioglobinúria, insuficiência renal). O diagnóstico é clínico, com exclusão de outras causas (hipotireoidismo, polimiosite, trauma, uso de cocaína). A conduta é suspender a estatina, reavaliar em 2-4 semanas e, se necessário, trocar por outra de menor potência ou em dose menor.
A sinvastatina é uma estatina lipofílica, metabolizada pelo CYP3A4. A inibição da HMG-CoA redutase reduz a síntese de mevalonato, precursor do colesterol e de outros isoprenoides (como ubiquinona e geranilgeranil), cuja depleção pode contribuir para a disfunção muscular. O risco de miopatia aumenta com doses altas, interações medicamentosas e fatores genéticos (polimorfismos de SLCO1B1).
A banca explora a confusão entre os mecanismos de ação das principais classes de hipolipemiantes e antidiabéticos. É fundamental distinguir:
Fármaco
Mecanismo
Efeito
Estatina (sinvastatina)
Inibição da HMG-CoA redutase
Reduz síntese de colesterol
Fibrato (fenofibrato)
Ativação do PPAR-α
Aumenta oxidação de ácidos graxos, reduz triglicerídeos
Glitazona (pioglitazona)
Ativação do PPAR-γ
Aumenta sensibilidade à insulina
Metformina
Ativação da AMPK
Reduz gliconeogênese, aumenta captação periférica de glicose
Sequestrante de ácidos biliares (colestiramina)
Ligação aos ácidos biliares no intestino
Reduz absorção de gorduras e colesterol
Guarde essa tabela: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A questão pede o mecanismo do fármaco que causou a mialgia — e esse fármaco é a sinvastatina, não a pioglitazona nem o AAS.
Hipolipemiantes
1Estatina (sinvastatina)
Inibição da HMG-CoA redutase
Mialgia e elevação de CK
2Fibrato (fenofibrato)
Ativação do PPAR-α
Reduz triglicerídeos
3Sequestrante de ácidos biliares
Ligação no intestino
Reduz absorção de colesterol
4Antidiabéticos
Glitazona (pioglitazona)
Ativação do PPAR-γ
Aumenta sensibilidade à insulina
Metformina
Ativação da AMPK
Reduz gliconeogênese hepática
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ligação aos ácidos biliares no intestino é o mecanismo dos sequestrantes de ácidos biliares (colestiramina, colestipol), usados como hipolipemiantes de segunda linha. Não é o mecanismo da sinvastatina e não causa miopatia com elevação de CK. O paciente não faz uso dessa classe.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ativação do receptor PPAR-γ é o mecanismo das glitazonas (pioglitazona), que o paciente usa para diabetes. Porém, as glitazonas não causam miopatia com elevação de CK — seus efeitos adversos típicos são retenção hídrica, ganho de peso e risco de insuficiência cardíaca. O quadro muscular é da estatina, não da pioglitazona.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ativação do receptor PPAR-α é o mecanismo dos fibratos (fenofibrato, genfibrozila), que reduzem triglicerídeos e aumentam a oxidação de ácidos graxos. Embora fibratos também possam causar miopatia, o paciente não os utiliza — e o mecanismo descrito não é o da sinvastatina. A banca troca o mecanismo da estatina pelo do fibrato.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sinvastatina é uma estatina que age inibindo a HMG-CoA redutase, enzima que catalisa a conversão de HMG-CoA em mevalonato, etapa limitante da síntese de colesterol. Essa inibição reduz a produção hepática de colesterol e aumenta a captação de LDL pelo fígado. É exatamente esse mecanismo que, ao depletar isoprenoides e ubiquinona, pode levar à miopatia com elevação de CK — o quadro do paciente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A redução da gliconeogênese hepática e o aumento da captação periférica de glicose por ativação da AMPK é o mecanismo da metformina, um antidiabético oral. O paciente não faz uso de metformina, e esse mecanismo não causa miopatia. A banca descreve o mecanismo de outra classe para confundir quem não associa o quadro clínico ao fármaco correto.
Gabarito: letra D — a sinvastatina, inibidora da HMG-CoA redutase, é a responsável pela mialgia com elevação de CK.