Homem de 22 anos, previamente hígido, relata episódios recorrentes de dispneia, tosse seca noturna e “chiado”, há cerca de 3 meses. Os sintomas ocorrem de forma episódica, com piora após infecções de vias aéreas superiores e melhora espontânea ou com uso de broncodilatadores.Há 3 semanas procurou o pronto atendimento por crise semelhante, com melhora significativa após nebulização com beta-2 agonista de curta duração.No exame atual, está assintomático e sem ruídos adventícios à ausculta pulmonar.Com base nas informações clínicas descritas, o padrão espirométrico mais compatível com o diagnóstico de asma brônquica é:
AVEF₁/CVF reduzida e prova broncodilatadora sem alterações significativas no VEF₁.
BVEF₁/CVF reduzida e prova broncodilatadora com aumento de 40 mL no VEF₁.
CVEF₁/CVF normal, sem necessidade de prova broncodilatadora.
DVEF₁/CVF normal e VEF₁ pós-broncodilatador com aumento de 80 mL.
EVEF₁/CVF reduzida e prova broncodilatadora com aumento de 200 mL no VEF₁.
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GabaritoE — VEF₁/CVF reduzida e prova broncodilatadora com aumento de 200 mL no VEF₁.
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Asma brônquica: padrão espirométrico diagnóstico
Gabarito: letra E. O diagnóstico funcional da asma exige a demonstração de obstrução ao fluxo aéreo — relação VEF₁/CVF reduzida — com reversibilidade significativa após broncodilatador, definida como aumento do VEF₁ ≥ 200 mL e ≥ 7% do valor previsto (ou ≥ 12% do basal), conforme as diretrizes de diagnóstico e manejo da asma. O paciente do caso tem sintomas típicos (dispneia episódica, tosse noturna, sibilos, melhora com broncodilatador), e a alternativa E é a única que combina os dois critérios espirométricos exigidos.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiper-responsividade brônquica e obstrução ao fluxo aéreo variável e reversível — espontaneamente ou com tratamento. Essa variabilidade é a chave do diagnóstico: entre as crises, o paciente pode estar assintomático e com exame físico normal, como no caso descrito, mas a espirometria, quando realizada, costuma revelar o padrão obstrutivo com resposta ao broncodilatador.
O diagnóstico funcional se apoia em dois pilares:
Obstrução ao fluxo aéreo: redução da relação VEF₁/CVF (em adultos, abaixo de 0,70–0,75, ou abaixo do limite inferior da normalidade).
Reversibilidade: aumento do VEF₁ após inalação de broncodilatador de curta duração (SABA), em valores que caracterizem resposta significativa.
Os critérios de reversibilidade mais aceitos e cobrados em provas são:
Aumento do VEF₁ ≥ 200 mL e ≥ 7% do valor previsto (ou ≥ 12% em relação ao valor basal), medido 10–15 minutos após a inalação de 200–400 mcg de salbutamol ou equivalente.
Algumas diretrizes consideram também o aumento da CVF ≥ 12% e ≥ 200 mL, com maior confiabilidade se ≥ 15% e ≥ 400 mL.
A tabela abaixo resume os critérios essenciais:
Critério
Valor diagnóstico
Obstrução (VEF₁/CVF)
Reduzida (< 0,70–0,75 ou < LIN)
Reversibilidade (VEF₁ pós-BD)
Aumento ≥ 200 mL e ≥ 7% do previsto (ou ≥ 12% do basal)
Medição
10–15 min após SABA (200–400 mcg)
A pegadinha da questão está nos valores de reversibilidade: a banca oferece alternativas com aumentos de 40 mL, 80 mL e 200 mL isolados, mas o critério diagnóstico exige associação do aumento absoluto (≥ 200 mL) com o aumento percentual (≥ 7% do previsto ou ≥ 12% do basal). A alternativa E é a única que apresenta os dois componentes corretos: obstrução (VEF₁/CVF reduzida) e reversibilidade significativa (aumento de 200 mL).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o critério de reversibilidade da asma e o de outras doenças obstrutivas. Na DPOC, por exemplo, o aumento do VEF₁ após broncodilatador costuma ser menor e a obstrução é fixa. Já na asma, a reversibilidade é a marca registrada. Além disso, valores como 40 mL e 80 mL são claramente insuficientes para caracterizar resposta ao broncodilatador — o candidato que não domina os números exatos (≥ 200 mL e ≥ 7–12%) pode cair nas alternativas B e D.
Espirometria na asma: Obstrução (VEF₁/CVF reduzida); Reversibilidade (Aumento VEF₁ ≥ 200 mL, E ≥ 7% do previsto (ou ≥ 12% do basal)); Medição (10–15 min após SABA)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Apresenta VEF₁/CVF reduzida, mas afirma que a prova broncodilatadora não mostra alterações significativas no VEF₁. Isso contraria o diagnóstico de asma, que exige reversibilidade da obstrução. Sem resposta ao broncodilatador, o quadro seria mais compatível com obstrução fixa (como na DPOC) ou com outra doença obstrutiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Traz VEF₁/CVF reduzida, mas o aumento de apenas 40 mL no VEF₁ após broncodilatador é insuficiente para caracterizar reversibilidade significativa. O critério mínimo é ≥ 200 mL (associado a ≥ 7% do previsto ou ≥ 12% do basal). Um aumento de 40 mL não confirma asma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma VEF₁/CVF normal e dispensa a prova broncodilatadora. Na asma, mesmo entre crises, a espirometria pode mostrar obstrução; e, se a espirometria for normal, a prova broncodilatadora (ou teste de broncoprovocação) é justamente o passo seguinte para confirmar o diagnóstico. A alternativa ignora a necessidade de demonstrar a reversibilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apresenta VEF₁/CVF normal e aumento de 80 mL no VEF₁ pós-broncodilatador. Além de o valor de 80 mL ser insuficiente (o mínimo é 200 mL), a relação VEF₁/CVF normal não confirma obstrução — e, sem obstrução, não há o que reverter. A alternativa mistura critérios incompletos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única alternativa que combina os dois critérios diagnósticos da asma: VEF₁/CVF reduzida (obstrução ao fluxo aéreo) e prova broncodilatadora com aumento de 200 mL no VEF₁ (reversibilidade significativa). O aumento de 200 mL, associado ao percentual adequado (≥ 7% do previsto ou ≥ 12% do basal), confirma o diagnóstico funcional de asma em paciente com sintomas típicos.