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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg105145
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Clinico Geral
Uma mulher de 39 anos procura atendimento devido a fadiga progressiva há 5 meses, associada à diminuição da memória, apatia e intolerância ao frio. Relata ainda ganho de peso leve, constipação intestinal e redução da motivação para atividades rotineiras. Nega uso de medicamentos, viagens recentes ou outras comorbidades.Refere hemorragia pós-parto volumosa há 3 anos, com necessidade de transfusão sanguínea. Desde então, apresenta irregularidade menstrual, evoluindo para amenorreia completa há cerca de um ano.Ao exame físico: pressão arterial de 94/60 mmHg, pulso de 55 bpm, pele seca, rarefação dos pelos pubianos e axilares, afinamento da porção lateral das sobrancelhas e tireoide pequena e indolor. O exame neurológico revela bradicinesia leve e hiporreflexia difusa.Exames laboratoriais: hemoglobina de 7,3 g/dL, sódio sérico de 131 mEq/L, TSH baixo e T4 livre reduzido.A ressonância magnética de encéfalo evidencia sela túrcica vazia.Dos mecanismos a seguir, assinale o que explica melhor o quadro clínico dessa paciente.
  1. AAutoanticorpos contra a tireoperoxidase (anti-TPO).
  2. BNecrose isquêmica da hipófise anterior após hemorragia puerperal.
  3. CAumento da globulina ligadora de tiroxina (TBG) induzido por estrogênio.
  4. DDeficiência dietética de iodo.
  5. EUso inadvertido de hormônio tireoidiano exógeno.
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GabaritoB — Necrose isquêmica da hipófise anterior após hemorragia puerperal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Sheehan: hipopituitarismo pós-parto

Gabarito: letra B. O quadro é de necrose isquêmica da hipófise anterior após hemorragia puerperal (síndrome de Sheehan): mulher com hemorragia pós-parto volumosa há 3 anos, evoluindo com amenorreia, hipotireoidismo secundário (TSH baixo e T4 livre reduzido), hipocortisolismo (hipotensão, hiponatremia, anemia) e sela túrcica vazia na ressonância magnética. A combinação de pan-hipopituitarismo com o antecedente obstétrico fecha o diagnóstico.

A síndrome de Sheehan é uma das causas clássicas de hipopituitarismo adquirido. Durante a gestação, a hipófise anterior hipertrofia e se torna mais vulnerável à isquemia. Uma hemorragia pós-parto volumosa (hemorragia puerperal) leva a hipotensão grave e choque, reduzindo a perfusão da glândula e provocando necrose isquêmica. O resultado é a perda progressiva da função hipofisária anterior, que pode se manifestar de forma aguda ou, como no caso, de forma insidiosa ao longo de meses a anos.

Os sintomas da paciente refletem a deficiência de múltiplos hormônios hipofisários:

  • Deficiência de TSH → hipotireoidismo secundário: fadiga, intolerância ao frio, ganho de peso, constipação, pele seca, bradicardia, afinamento da porção lateral das sobrancelhas (sinal de Hertoghe) e TSH baixo com T4 livre reduzido (padrão central, diferente do hipotireoidismo primário, em que o TSH está elevado).

  • Deficiência de gonadotrofinas (FSH/LH) → amenorreia, irregularidade menstrual, rarefação de pelos pubianos e axilares (também por deficiência de ACTH, que reduz andrógenos adrenais).

  • Deficiência de ACTH → hipocortisolismo secundário: hipotensão, hiponatremia (por aumento de ADH e redução da excreção de água livre), anemia, apatia, redução da motivação.

  • Deficiência de GH → contribui para fadiga e alterações de composição corporal.

A sela túrcica vazia na ressonância magnética é um achado típico da síndrome de Sheehan: após a necrose, a glândula colapsa e o espaço é preenchido por liquor, dando o aspecto de "sela vazia". Esse achado, somado ao contexto clínico, é praticamente patognomônico.

A alternativa correta é a B, pois descreve exatamente o mecanismo fisiopatológico. As demais alternativas representam outras causas de disfunção tireoidiana ou hipofisária que não se encaixam no quadro:

  • A) Autoanticorpos anti-TPO → causa tireoidite de Hashimoto, que cursa com hipotireoidismo primário (TSH elevado), não com TSH baixo.

  • C) Aumento de TBG por estrogênio → eleva o T4 total, mas o T4 livre permanece normal; não explica o hipotireoidismo central nem o restante do quadro.

  • D) Deficiência dietética de iodo → causa hipotireoidismo primário (TSH elevado), bócio e é improvável no contexto descrito.

  • E) Uso inadvertido de hormônio tireoidiano exógeno → causaria tireotoxicose factícia, com TSH suprimido e T4 livre elevado (ou T3 elevado), não T4 livre reduzido.

A pegadinha da questão está em reconhecer que o TSH baixo com T4 livre baixo indica hipotireoidismo central (hipofisário), e não primário (tireoidiano). A banca explora a confusão entre as causas de hipotireoidismo e a associação com a hemorragia pós-parto.

1Causa
Hemorragia pós-parto volumosa
Isquemia da hipófise anterior
2Consequências (pan-hipopituitarismo)
TSH ↓ → hipotireoidismo central
FSH/LH ↓ → amenorreia
ACTH ↓ → hipocortisolismo
3Achados
Sela túrcica vazia na RM
TSH baixo + T4 livre baixo
Síndrome de Sheehan
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome de Sheehan: Causa (Hemorragia pós-parto volumosa, Isquemia da hipófise anterior); Consequências (pan-hipopituitarismo) (TSH ↓ → hipotireoidismo central, FSH/LH ↓ → amenorreia, ACTH ↓ → hipocortisolismo); Achados (Sela túrcica vazia na RM, TSH baixo + T4 livre baixo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Autoanticorpos anti-TPO são marcadores de tireoidite autoimune (Hashimoto), que causa hipotireoidismo primário, com TSH elevado e T4 livre baixo. Na paciente, o TSH está baixo, indicando origem central (hipófise). Além disso, o quadro sistêmico (amenorreia, hipotensão, sela vazia) não é explicado por tireoidite isolada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A necrose isquêmica da hipófise anterior após hemorragia puerperal é a síndrome de Sheehan. A hemorragia pós-parto volumosa com necessidade de transfusão, seguida de amenorreia e pan-hipopituitarismo (TSH baixo, T4 livre baixo, hipocortisolismo, hiponatremia, anemia) e sela túrcica vazia na RM, é o quadro clássico. O mecanismo é a isquemia hipofisária por hipotensão/choque no pós-parto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O aumento de TBG induzido por estrogênio eleva o T4 total, mas o T4 livre permanece normal (a fração livre é que é biologicamente ativa). Não causa hipotireoidismo, nem explica o TSH baixo, a amenorreia, a hipotensão ou a sela vazia. Além disso, a paciente não faz uso de estrogênio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A deficiência dietética de iodo causa hipotireoidismo primário (TSH elevado) e bócio, comum em áreas de carência. A paciente não tem bócio (tireoide pequena), tem TSH baixo e o contexto de hemorragia pós-parto aponta para causa hipofisária.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O uso inadvertido de hormônio tireoidiano exógeno (tireotoxicose factícia) suprime o TSH e eleva o T4 livre (ou T3). Aqui o T4 livre está reduzido, o que afasta essa hipótese. Além disso, não explicaria a amenorreia, a hipotensão, a anemia e a sela vazia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a causa do hipotireoidismo: TSH baixo + T4 livre baixo = hipotireoidismo central (hipófise), não primário (tireoide). Quem associa "hipotireoidismo" automaticamente a Hashimoto ou deficiência de iodo erra a questão. Lembre-se: no hipotireoidismo primário o TSH está elevado; no central, baixo ou inapropriadamente normal.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de hipotireoidismo, olhe o TSH: se estiver alto, o problema é na tireoide (primário); se estiver baixo ou normal, o problema é na hipófise/hipotálamo (central). E, em mulher com hemorragia pós-parto + pan-hipopituitarismo, pense em Sheehan — a sela vazia na RM confirma.

Gabarito: letra B

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