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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg105149
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Clinico Geral
Homem de 49 anos, não tabagista, apresenta tosse produtiva crônica, escarro purulento, exacerbações infecciosas recorrentes e dispneia progressiva. Tomografia computadorizada de alta resolução: bronquiectasias cilíndricas e saculares nos lobos inferiores, com espessamento de paredes brônquicas e impactação mucoide.Com base no quadro clínico e radiológico, assinale a alternativa mais correta em relação à condição descrita.
  1. AA colonização crônica por Pseudomonas aeruginosa está associada a maior frequência de exacerbações, declínio mais rápido da função pulmonar e pior prognóstico.
  2. BO acometimento predominante das bronquiectasias nos lobos inferiores exclui as sequelas infecciosas como principal etiologia das bronquiectasias e sugere apenas origem aspirativa ou imunológica.
  3. CA fibrose cística deve ser excluída apenas em pacientes com bronquiectasias localizadas e sintomas iniciados na infância.
  4. DA fisioterapia respiratória é ineficaz em pacientes com bronquiectasias crônicas e colonização bacteriana estabelecida.
  5. EO uso de corticosteroides sistêmicos prolongados reduz a frequência de exacerbações e deve ser considerado parte do tratamento de manutenção.
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GabaritoA — A colonização crônica por Pseudomonas aeruginosa está associada a maior frequência de exacerbações, declínio mais rápido da função pulmonar e pior prognóstico.

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Bronquiectasias: Pseudomonas aeruginosa e prognóstico

Gabarito: letra A. A colonização crônica por Pseudomonas aeruginosa em pacientes com bronquiectasias está associada a maior frequência de exacerbações, declínio mais rápido da função pulmonar e pior prognóstico — é um dos fatores de gravidade mais bem estabelecidos na literatura. As demais alternativas contêm erros conceituais ou afirmações contrárias à prática clínica.

As bronquiectasias são dilatações anormais e permanentes dos brônquios, geralmente decorrentes de infecções recorrentes ou de processos inflamatórios que lesam a parede brônquica. O quadro clínico clássico inclui tosse produtiva crônica, escarro purulento, exacerbações infecciosas recorrentes e dispneia progressiva — exatamente o que o paciente do enunciado apresenta. A tomografia de alta resolução é o exame padrão-ouro para o diagnóstico, mostrando bronquiectasias cilíndricas ou saculares, espessamento de paredes brônquicas e impactação mucoide.

A etiologia das bronquiectasias é variada, mas as sequelas de infecções respiratórias (como pneumonias graves, tuberculose e coqueluche) estão entre as causas mais comuns, especialmente quando acometem os lobos inferiores. A distribuição anatômica pode dar pistas sobre a causa: bronquiectasias de lobos superiores sugerem fibrose cística ou aspergilose broncopulmonar alérgica, enquanto as de lobos inferiores são mais típicas de aspiração ou sequelas infecciosas. No entanto, essa distribuição não é exclusiva, e a investigação etiológica deve ser ampla.

A colonização bacteriana crônica é um dos principais determinantes da progressão da doença. Bactérias como Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e, principalmente, Pseudomonas aeruginosa podem colonizar as vias aéreas danificadas, perpetuando o ciclo inflamatório e levando a mais dano estrutural. A P. aeruginosa é particularmente temida por sua associação com doença mais grave: pacientes colonizados apresentam mais exacerbações, pior função pulmonar ao longo do tempo e maior mortalidade. O tratamento visa quebrar esse ciclo com fisioterapia respiratória (desobstrução brônquica), antibióticos nas exacerbações e, em casos selecionados, macrolídeos ou antibióticos inalatórios.

A fisioterapia respiratória é, na verdade, um dos pilares do tratamento das bronquiectasias, sendo fundamental para a remoção de secreções e a melhora da ventilação. Já os corticosteroides sistêmicos prolongados não são recomendados como tratamento de manutenção, pois não reduzem as exacerbações e trazem efeitos adversos significativos. A fibrose cística, por sua vez, deve ser considerada em qualquer paciente com bronquiectasias, mesmo sem sintomas na infância, pois há formas de apresentação tardia.

A questão explora o conhecimento sobre os fatores prognósticos e o manejo das bronquiectasias. A alternativa correta é a que reconhece o papel da Pseudomonas aeruginosa como marcador de gravidade. As demais alternativas contêm erros que serão detalhados a seguir.

1Fatores de gravidade
Colonização por Pseudomonas aeruginosa
Exacerbações frequentes
Função pulmonar reduzida
Doença extensa na TC
2Etiologia
Sequelas infecciosas (lobos inferiores)
Fibrose cística (lobos superiores)
Aspiração
Imunológica
3Tratamento
Fisioterapia respiratória (pilar)
Antibióticos nas exacerbações
Macrolídeos/inalatórios (casos selecionados)
Corticoides sistêmicos prolongados (não recomendados)
Bronquiectasias
LEVELsoulevel.com.br
Bronquiectasias: Fatores de gravidade (Colonização por Pseudomonas aeruginosa, Exacerbações frequentes, Função pulmonar reduzida, Doença extensa na TC); Etiologia (Sequelas infecciosas (lobos inferiores), Fibrose cística (lobos superiores), Aspiração, Imunológica); Tratamento (Fisioterapia respiratória (pilar), Antibióticos nas exacerbações, Macrolídeos/inalatórios (casos selecionados), Corticoides sistêmicos prolongados (não recomendados))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A colonização crônica por Pseudomonas aeruginosa é um dos fatores de pior prognóstico nas bronquiectasias. Estudos mostram que esses pacientes têm maior frequência de exacerbações, declínio mais acelerado do VEF1 e maior mortalidade. A bactéria promove inflamação persistente e dano estrutural progressivo, criando um ciclo vicioso de infecção e destruição brônquica. Por isso, a detecção de P. aeruginosa no escarro é um marcador de gravidade e orienta decisões terapêuticas, como o uso de antibióticos inalatórios ou macrolídeos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que o acometimento predominante dos lobos inferiores exclui sequelas infecciosas como principal etiologia é falsa. Na verdade, as bronquiectasias pós-infecciosas frequentemente acometem os lobos inferiores, especialmente após pneumonias graves ou tuberculose. A distribuição anatômica pode sugerir algumas etiologias (lobos superiores em fibrose cística, por exemplo), mas não é um critério para excluir causa infecciosa. A origem aspirativa ou imunológica também pode acometer lobos inferiores, mas isso não exclui a possibilidade de sequelas infecciosas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fibrose cística deve ser considerada em qualquer paciente com bronquiectasias, independentemente da localização ou da idade de início dos sintomas. Embora seja mais comum em crianças e adolescentes, há formas de apresentação tardia na idade adulta, com sintomas respiratórios leves ou atípicos. O teste do suor e a análise genética do gene CFTR devem ser realizados em todos os pacientes com bronquiectasias de causa não esclarecida, mesmo na ausência de sintomas na infância. A afirmação de que a exclusão da fibrose cística só é necessária em casos localizados e com início na infância é incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A fisioterapia respiratória é um dos pilares do tratamento das bronquiectasias, sendo fundamental para a desobstrução das vias aéreas e a remoção de secreções. Técnicas como drenagem postural, percussão torácica, vibração e exercícios de higiene brônquica ajudam a reduzir a carga bacteriana, melhorar a ventilação e prevenir exacerbações. A afirmação de que a fisioterapia é ineficaz em pacientes com colonização bacteriana estabelecida é completamente contrária à prática clínica e às diretrizes de manejo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O uso de corticosteroides sistêmicos prolongados não é recomendado no tratamento de manutenção das bronquiectasias. Estudos não demonstraram redução na frequência de exacerbações com essa terapia, e os efeitos adversos (ganho de peso, hiperglicemia, osteoporose, imunossupressão) superam os potenciais benefícios. Os corticosteroides inalatórios podem ser considerados em casos selecionados, como na presença de hiper-responsividade brônquica ou asma associada, mas não como tratamento padrão. O manejo de manutenção baseia-se em fisioterapia respiratória, broncodilatadores quando indicados, vacinação e, em casos selecionados, macrolídeos ou antibióticos inalatórios.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o papel da Pseudomonas aeruginosa (marcador de gravidade, associado a pior prognóstico) e a ideia de que a fisioterapia respiratória seria ineficaz ou que corticosteroides sistêmicos seriam benéficos. O candidato que não domina o manejo das bronquiectasias pode ser induzido a escolher uma alternativa que parece plausível, mas que contraria as evidências. Lembre-se: a fisioterapia é sempre um pilar do tratamento, e corticosteroides sistêmicos não são usados na manutenção.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre bronquiectasias, memorize os principais fatores de gravidade: colonização por Pseudomonas aeruginosa, exacerbações frequentes, função pulmonar reduzida e doença extensa na tomografia. Esses fatores são frequentemente cobrados em provas de clínica médica e pneumologia.

Gabarito: letra A

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