Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2025
- Código
- fg105152
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-AM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Legislativo - Médico - Clinico Geral
- AI, apenas.
- BI e II, apenas.
- CII e III, apenas
- DII, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoB — I e II, apenas.
Gabarito: letra B — corretos os itens I e II. O diagnóstico de PAC exige infiltrado pulmonar novo associado a sintomas respiratórios agudos (item I), e o escore CURB-65, que avalia confusão mental, ureia, frequência respiratória, pressão arterial e idade ≥ 65 anos, é ferramenta validada para decidir o local de tratamento (item II). O item III está errado: a ausência de febre e leucocitose não exclui o diagnóstico, especialmente em imunocomprometidos, que podem apresentar quadros oligossintomáticos.
A pneumonia adquirida na comunidade é uma infecção aguda do parênquima pulmonar que ocorre em pacientes não hospitalizados recentemente. O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico: exige a presença de sintomas e sinais de infecção do trato respiratório inferior (tosse, febre, dispneia, dor torácica) associados a um infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax ou outra imagem. Esse é o critério essencial que diferencia a PAC de outras condições respiratórias, como bronquite aguda, em que não há consolidação radiológica. A definição clássica, adotada pelas principais diretrizes (IDSA/ATS, SBPT), inclui exatamente esses dois elementos: sintomas agudos + infiltrado novo.
O item II trata do escore CURB-65, um dos principais instrumentos de estratificação de gravidade da PAC. Ele foi desenvolvido a partir de estudos de coorte que identificaram cinco variáveis independentemente associadas à mortalidade em 30 dias: Confusão mental, Ureia > 50 mg/dL, frequência Respiratória ≥ 30/min, Blood pressure (PA sistólica < 90 ou diastólica ≤ 60 mmHg) e idade ≥ 65 anos. Cada variável vale 1 ponto, totalizando 0 a 5. A pontuação orienta o local de tratamento: 0–1 ponto sugere tratamento ambulatorial; ≥ 2 pontos indica internação hospitalar; ≥ 3 pontos, considerar UTI. O CURB-65 é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e pela British Thoracic Society (BTS) justamente por sua simplicidade e reprodutibilidade, sendo útil na decisão entre ambulatório, enfermaria e UTI.
O item III é a pegadinha clássica da banca. Em pacientes imunocomprometidos (HIV/AIDS, transplantados, em quimioterapia, usuários de corticoides), a resposta inflamatória pode estar atenuada, de modo que febre e leucocitose podem estar ausentes mesmo em infecções graves. O diagnóstico, nesses casos, depende ainda mais da imagem e da suspeita clínica. Portanto, a ausência desses marcadores não exclui PAC — pelo contrário, deve aumentar a atenção para formas atípicas. A banca explora exatamente essa inversão: o candidato que memoriza o quadro clássico (febre, leucocitose, infiltrado) tende a marcar o item III como correto, mas a regra é justamente o oposto em populações especiais.
Guarde a fronteira entre o que é essencial (infiltrado novo + sintomas) e o que é sugestivo, mas não obrigatório (febre, leucocitose): é nela que os itens I e III se separam.
A afirmativa reproduz a definição de PAC: infiltrado pulmonar novo em exame de imagem associado a sintomas respiratórios agudos é critério essencial para o diagnóstico. Sem o infiltrado, não se pode afirmar pneumonia — apenas infecção de vias aéreas superiores ou bronquite. O texto de apoio confirma: "A pneumonia é definida como aparecimento agudo de sintomas e sinais de infecção do trato respiratório inferior, sem outra causa óbvia, e que esteja associada a infiltrado pulmonar novo no exame de imagem." Portanto, o item está correto.
O escore CURB-65 avalia exatamente as cinco variáveis citadas: confusão mental, ureia, frequência respiratória, pressão arterial e idade ≥ 65 anos. Cada uma vale 1 ponto, e a soma orienta o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI). O texto de apoio detalha a pontuação: confusão mental nova (1), ureia > 50 mg/dL (1), FR ≥ 30/min (1), PA sistólica < 90 ou diastólica ≤ 60 mmHg (1), idade > 65 anos (1). É uma ferramenta validada e recomendada pelas diretrizes para decisão do local de tratamento. Portanto, o item está correto.
A afirmativa afirma que a ausência de febre e leucocitose exclui o diagnóstico de PAC em imunocomprometidos. Isso é falso: nesses pacientes, a resposta inflamatória pode estar suprimida, e quadros graves podem cursar sem febre ou leucocitose. O diagnóstico deve ser baseado em sintomas, imagem e alto índice de suspeição. A ausência desses marcadores não exclui PAC — pelo contrário, pode indicar apresentação atípica. Portanto, o item está incorreto.
A banca inverte a lógica clínica: em vez de "febre e leucocitose são comuns, mas não obrigatórias", afirma que sua ausência exclui o diagnóstico. Em imunocomprometidos, a regra é justamente o oposto — a ausência desses sinais é frequente e não afasta PAC. Fique atento a termos absolutos como "exclui" e "sempre": eles costumam sinalizar a armadilha.
Para memorizar o CURB-65, use o mnemônico CURB-65: Confusão, Ureia, Respiração (FR ≥ 30), Blood pressure (PA < 90/60), 65 (idade ≥ 65). Cada item vale 1 ponto. Pontuação 0–1: tratar em casa; 2: internar; ≥ 3: considerar UTI. Compare com o PSI (mais completo, porém mais complexo) e com o CRB-65 (versão sem ureia, para atenção primária).
Gabarito: letra B — corretos os itens I e II.
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