Síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH)
Gabarito: letra E. Todas as afirmativas (I, II, III e IV) estão corretas: a SIADH é causa de hiponatremia hipotônica euvolêmica, e o manejo envolve salina hipertônica em bolus na forma sintomática grave, exclusão de hipotireoidismo e insuficiência adrenal no diagnóstico diferencial, restrição hídrica como primeira linha nos casos crônicos leves/moderados, e causas secundárias como neoplasias, antidepressivos e doenças pulmonares/SNC. A base é a fisiopatologia da secreção inapropriada de ADH e as diretrizes de tratamento da hiponatremia.
A SIADH é caracterizada pela liberação excessiva e inapropriada de hormônio antidiurético (ADH/vasopressina), que não é suprimida pela hipotonicidade plasmática. Isso leva à retenção renal de água, diluindo o sódio sérico e causando hiponatremia hipotônica euvolêmica — o paciente não apresenta sinais de depleção nem de hipervolemia, pois a água retida se distribui nos compartimentos. O diagnóstico é de exclusão e exige a demonstração de hipotonicidade, natriurese elevada, osmolalidade urinária inapropriadamente alta e função renal, adrenal e tireoidiana normais.
O tratamento depende da gravidade e da cronicidade. Na hiponatremia aguda sintomática grave (convulsão, rebaixamento), a conduta é a infusão de solução salina hipertônica a 3%, que pode ser administrada em bolus de 100–150 mL, repetidos até melhora dos sintomas, com monitorização frequente do sódio. A correção deve ser limitada para evitar a síndrome de desmielinização osmótica — em geral, elevação máxima de 10–12 mEq/L em 24 horas. Nos casos crônicos leves ou moderados, a restrição hídrica (< 1 L/dia) é a primeira linha de tratamento, pois reduz a diluição causada pelo excesso de ADH.
O diagnóstico diferencial é crucial: hipotireoidismo e insuficiência adrenal (especialmente a secundária) podem mimetizar a SIADH, pois cursam com hiponatremia euvolêmica por mecanismos distintos — no hipotireoidismo, há redução da capacidade de excreção de água livre; na insuficiência adrenal, a deficiência de cortisol leva à secreção não suprimida de ADH. Por isso, antes de fechar o diagnóstico de SIADH, é obrigatório excluir essas endocrinopatias. As causas secundárias de SIADH incluem neoplasias (especialmente carcinoma de pequenas células do pulmão), doenças pulmonares (tuberculose, pneumonia), doenças do SNC (trauma, meningite, tumores) e fármacos, como antidepressivos (ISRS, tricíclicos), antiepilépticos e antineoplásicos.
A banca explora a associação entre os pilares do manejo da SIADH: o tratamento agudo (salina hipertônica), o diagnóstico diferencial (exclusão de endocrinopatias), o tratamento crônico (restrição hídrica) e as etiologias secundárias. A pegadinha seria considerar algum desses itens como incorreto, mas todos estão alinhados com a prática clínica e as diretrizes.
Item I — ✅ Correto
A afirmativa está correta. Na SIADH sintomática grave, o tratamento de escolha é a solução salina hipertônica a 3%, que pode ser administrada em bolus de 100–150 mL. Essa conduta é recomendada para elevar rapidamente o sódio sérico e aliviar os sintomas neurológicos, com monitorização rigorosa para evitar correção excessiva e desmielinização osmótica.
Item II — ✅ Correto
A afirmativa está correta. No diagnóstico diferencial da SIADH, é essencial excluir hipotireoidismo e insuficiência adrenal, pois ambas as condições podem cursar com hiponatremia euvolêmica e mimetizar a SIADH. A exclusão é feita por meio de dosagens hormonais (TSH, cortisol) e é um passo obrigatório antes de confirmar o diagnóstico.
Item III — ✅ Correto
A afirmativa está correta. A restrição hídrica é a primeira linha de tratamento para SIADH crônica leve ou moderada, com meta de ingestão hídrica inferior a 1 L/dia. Essa medida reduz a diluição do sódio causada pela retenção de água mediada pelo ADH.
Item IV — ✅ Correto
A afirmativa está correta. As causas secundárias de SIADH incluem neoplasias (especialmente carcinoma de pequenas células do pulmão), uso de antidepressivos (ISRS, tricíclicos) e doenças pulmonares (tuberculose, pneumonia) ou do sistema nervoso central (trauma, meningite, tumores). Essas condições estimulam a liberação inapropriada de ADH.
Conclusão: Todos os itens (I, II, III e IV) estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.
Gabarito: letra E