Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — FGV 2025
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
fg105169
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Endocrinologista
Homem de 52 anos com síndrome metabólica. Circunferência abdominal: 107 cm, glicemia jejum: 117 mg/dL, HDL: 35 mg/dL, triglicerídeos: 190 mg/dL, PA: 135/80 mmHg.A intervenção de maior impacto é
Aperda de 5-10% do peso corporal.
Bestatina de alta potência.
Cmetformina 850 mg 2x/dia.
Dfibrato 200 mg/dia.
EIECA.
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GabaritoA — perda de 5-10% do peso corporal.
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Síndrome metabólica: a intervenção de maior impacto
Gabarito: letra A. Em paciente com síndrome metabólica, a intervenção de maior impacto é a perda de 5-10% do peso corporal, pois a obesidade abdominal é o parâmetro que mais se associa à síndrome e sua redução melhora todos os componentes (glicemia, dislipidemia, pressão arterial), sendo a base do tratamento antes de qualquer farmacoterapia isolada. As diretrizes (NCEP-ATP III e I Diretriz Brasileira de Síndrome Metabólica) recomendam a redução de 7 a 10% do peso corporal como meta inicial, e a literatura mostra que mesmo 5-10% já traz benefícios metabólicos significativos.
A síndrome metabólica é um agrupamento de fatores de risco cardiovasculares — obesidade abdominal, dislipidemia (triglicerídeos elevados e HDL baixo), hipertensão e glicemia de jejum alterada — que frequentemente coexistem e aumentam o risco de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. O diagnóstico, segundo o NCEP-ATP III, exige a presença de três ou mais dos cinco critérios: circunferência abdominal > 102 cm em homens (ou > 88 cm em mulheres), triglicerídeos ≥ 150 mg/dL, HDL < 40 mg/dL em homens (ou < 50 mg/dL em mulheres), pressão arterial ≥ 130/85 mmHg e glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL. O paciente do enunciado preenche todos os cinco critérios: CA de 107 cm, glicemia de 117 mg/dL, HDL de 35 mg/dL, triglicerídeos de 190 mg/dL e PA de 135/80 mmHg.
A lógica do tratamento é hierárquica: primeiro, a modificação do estilo de vida — perda de peso, dieta e atividade física — porque ataca a causa raiz (a obesidade visceral e a resistência insulínica) e melhora simultaneamente todos os componentes da síndrome. A perda de peso de 5-10% é a intervenção com maior impacto porque reduz a resistência insulínica, melhora o perfil lipídico, reduz a pressão arterial e diminui o risco cardiovascular global. As medicações (estatina, metformina, fibrato, IECA) tratam componentes isolados, mas não a síndrome como um todo, e são indicadas quando a mudança de estilo de vida não é suficiente ou quando há risco cardiovascular elevado que justifique terapia farmacológica adicional.
Na prática, a abordagem inicial de um paciente com síndrome metabólica sem doença cardiovascular estabelecida é sempre a perda de peso e a mudança de estilo de vida. A farmacoterapia entra como adjuvante: estatina para dislipidemia (se LDL elevado ou risco alto), metformina para pré-diabetes/diabetes, fibrato para hipertrigliceridemia grave (> 500 mg/dL) e IECA para hipertensão. Nenhuma dessas medicações, isoladamente, tem o impacto global da perda de peso sobre a síndrome metabólica. A pegadinha da questão está em oferecer opções farmacológicas que tratam apenas um componente, enquanto a perda de peso é a intervenção que aborda a síndrome como um todo.
Guarde o princípio: na síndrome metabólica, a base do tratamento é sempre a modificação do estilo de vida, com meta de perda de 5-10% do peso corporal — é isso que separa a alternativa correta das demais, que são terapias adjuvantes para componentes específicos.
1Perda de peso 5-10%
2Dieta e atividade física
3Farmacoterapia adjuvante
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A perda de 5-10% do peso corporal é a intervenção de maior impacto na síndrome metabólica. A obesidade abdominal é o parâmetro de gordura corporal que mais se associa à síndrome, e a redução de peso melhora todos os componentes: reduz a resistência insulínica, melhora a glicemia, reduz triglicerídeos, aumenta HDL e reduz a pressão arterial. As diretrizes recomendam a redução de 7 a 10% do peso corporal em 6 a 12 meses como meta inicial, e mesmo 5-10% já traz benefícios metabólicos significativos. É a intervenção que ataca a causa raiz da síndrome, não apenas um componente isolado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A estatina de alta potência trata a dislipidemia (redução do LDL), mas não aborda os demais componentes da síndrome metabólica (obesidade, glicemia, pressão arterial). Além disso, o paciente não tem LDL elevado descrito no enunciado — o perfil lipídico mostra triglicerídeos elevados e HDL baixo, que são tratados prioritariamente com mudança de estilo de vida e, se necessário, fibrato ou estatina em casos específicos. A estatina é adjuvante, não a intervenção de maior impacto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A metformina é indicada para pré-diabetes ou diabetes tipo 2, e o paciente tem glicemia de jejum de 117 mg/dL (pré-diabetes). No entanto, a metformina trata apenas o componente glicêmico, não a síndrome como um todo. A perda de peso é mais eficaz porque melhora a resistência insulínica e todos os outros componentes simultaneamente. A metformina pode ser considerada como adjuvante, mas não é a intervenção de maior impacto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O fibrato é indicado para hipertrigliceridemia, especialmente quando os triglicerídeos estão acima de 500 mg/dL (risco de pancreatite). O paciente tem triglicerídeos de 190 mg/dL, que é um nível moderado, e a primeira linha de tratamento é a mudança de estilo de vida (dieta e exercício). O fibrato trata apenas o componente lipídico, não a síndrome metabólica como um todo, e não é a intervenção de maior impacto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O IECA é indicado para hipertensão arterial, especialmente em pacientes com síndrome metabólica ou diabetes, por ter efeito renoprotetor. No entanto, o paciente tem PA de 135/80 mmHg, que é um estágio de pré-hipertensão (ou hipertensão estágio 1, dependendo do critério), e a primeira linha de tratamento é a mudança de estilo de vida. O IECA trata apenas o componente pressórico, não a síndrome como um todo, e não é a intervenção de maior impacto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece opções farmacológicas que tratam componentes isolados da síndrome metabólica (estatina para LDL, metformina para glicemia, fibrato para triglicerídeos, IECA para pressão) para induzir o candidato a escolher uma delas. A pegadinha é esquecer que a síndrome metabólica é uma entidade global, e a intervenção de maior impacto é sempre a perda de peso, que melhora todos os componentes simultaneamente. O candidato que foca em um único fator de risco cai na armadilha.
PEGA ESSA DICA!
Na síndrome metabólica, a hierarquia do tratamento é: 1º) perda de peso (5-10%) + dieta + atividade física; 2º) tratar componentes específicos com medicações se necessário. Memorize a meta de perda de peso (5-10%) e a ordem de prioridade — isso resolve a maioria das questões sobre o tema.