Paciente DM2, 68 anos, com DM2 há 18 anos com neuropatia periférica dolorosa. Já utilizou gabapentina e amitriptilina sem melhora.A próxima opção terapêutica é
Avitamina B12 IM.
Bcarbamazepina 200 mg 2x/dia.
Ccapsaicina tópica.
Dmorfina 10 mg 12/12h.
Eduloxetina 60 mg/dia.
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GabaritoE — duloxetina 60 mg/dia.
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Gabarito: letra E. Em paciente com dor neuropática diabética que não respondeu a gabapentina (anticonvulsivante) e amitriptilina (antidepressivo tricíclico), a próxima opção terapêutica é a duloxetina 60 mg/dia, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), que figura entre os fármacos de primeira linha com melhor evidência para essa condição. A escolha se baseia no escalonamento entre as classes de medicamentos com eficácia comprovada, conforme as diretrizes de tratamento da neuropatia diabética.
A neuropatia periférica diabética (NPD) é uma complicação crônica comum do diabetes mellitus, caracterizada por lesão difusa, simétrica e distal das fibras sensitivo-motoras e autonômicas, causada pela hiperglicemia crônica. A dor neuropática é um sintoma frequente e debilitante, e seu tratamento é essencialmente sintomático, uma vez que o controle glicêmico, embora fundamental para prevenir a progressão, muitas vezes não é suficiente para aliviar a dor já estabelecida. O arsenal terapêutico inclui várias classes de fármacos, e a escolha inicial geralmente recai sobre antidepressivos tricíclicos (ADTs), como a amitriptilina, ou anticonvulsivantes, como a gabapentina e a pregabalina. Quando o paciente não responde a um desses medicamentos, a conduta é tentar outra classe, e os IRSNs, como a duloxetina e a venlafaxina, são opções de destaque.
A tabela abaixo resume as principais classes de fármacos utilizados no tratamento da dor neuropática diabética, com suas doses usuais e evidências:
Os IRSNs, como a duloxetina, apresentam os melhores resultados entre as opções farmacológicas, com tamanho de efeito (TE) mais expressivo e perfil de eventos adversos leve a moderado, incluindo náusea, sonolência, tontura e boca seca. Os ADTs, embora eficazes, têm taxas de efeitos colaterais altas (>60%), como boca seca, tontura postural e fadiga, e devem ser usados com cautela em pacientes com neuropatia autonômica ou distúrbios de condução cardíaca. Os anticonvulsivantes, por sua vez, apresentam benefício modesto, com efeitos colaterais como tontura e sonolência. É importante destacar que analgésicos opioides, como morfina, tramadol e oxicodona, devem ser evitados, pois seu efeito é apenas modesto e apresentam risco de dependência.
A pegadinha desta questão reside na tentativa de induzir o candidato a escolher uma opção inadequada, como a morfina (opioide, que deve ser evitada) ou a carbamazepina (anticonvulsivante, que não é a primeira escolha após falha de gabapentina). A duloxetina, por ser um IRSN com forte evidência, é a alternativa correta. A capsaicina tópica e a vitamina B12 são opções adjuvantes ou para casos específicos, não sendo a próxima escolha após falha de duas classes de primeira linha. O raciocínio clínico deve seguir o escalonamento entre classes com eficácia comprovada, priorizando os fármacos com melhor perfil de evidência e segurança.
11ª linha: ADT ou gabapentinoide
2Falha: trocar de classe
3IRSN (duloxetina)
4Evitar opioides
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A vitamina B12 IM não é uma opção terapêutica para dor neuropática diabética, a menos que haja deficiência documentada dessa vitamina. A neuropatia diabética é causada pela hiperglicemia crônica, e a suplementação de B12 não trata a dor neuropática em pacientes sem deficiência. A alternativa confunde o tratamento da neuropatia por deficiência de B12 (uma causa de neuropatia periférica que deve ser excluída no diagnóstico) com o tratamento da neuropatia diabética.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A carbamazepina 200 mg 2x/dia é um anticonvulsivante que pode ser usado no tratamento da dor neuropática, mas não é a próxima opção após falha de gabapentina e amitriptilina. A gabapentina já é um anticonvulsivante, e a troca para outro fármaco da mesma classe (carbamazepina) não é a conduta mais adequada. A recomendação é tentar outra classe, como os IRSNs (duloxetina, venlafaxina), que têm melhor evidência. Além disso, a dose de carbamazepina para dor neuropática geralmente é maior (300 mg 3x/dia), e a dose de 200 mg 2x/dia é subótima.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A capsaicina tópica é uma opção adjuvante para dor neuropática localizada, mas não é a próxima escolha após falha de duas classes de primeira linha (anticonvulsivante e ADT). Ela pode ser considerada em casos de dor localizada ou como terapia complementar, mas os IRSNs, como a duloxetina, são preferidos por terem evidência mais robusta e efeito sistêmico. A alternativa subestima a necessidade de escalonar para uma classe com melhor perfil de eficácia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A morfina 10 mg 12/12h é um analgésico opioide, e o uso de opioides para dor neuropática diabética deve ser evitado. O efeito analgésico é apenas modesto (TE = -0,57) e os riscos de dependência e efeitos colaterais são frequentes. A alternativa contraria as diretrizes, que recomendam evitar opioides no tratamento da dor neuropática, priorizando fármacos como IRSNs, ADTs e anticonvulsivantes.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A duloxetina 60 mg/dia é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), uma das classes de fármacos com melhor evidência para o tratamento da dor neuropática diabética. Após falha de gabapentina (anticonvulsivante) e amitriptilina (ADT), a duloxetina é a próxima opção terapêutica recomendada, pois apresenta tamanho de efeito significativo (TE = -1,33) e perfil de eventos adversos aceitável. A dose de 60 mg/dia é a dose-alvo usual para o tratamento da dor neuropática.